Tecnologia

Edição gênica avança no agronegócio brasileiro

Brasil já soma 108 produtos agropecuários editados geneticamente desde 2018, segundo dados da CTNBio.

14 de outubro de 2026 3 min de leitura
Edição gênica avança no agronegócio brasileiro

A edição gênica ganhou espaço no agronegócio brasileiro e já alcançou 108 produtos agropecuários desde 2018, segundo dados da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A tecnologia permite alterar características específicas de plantas e animais, com potencial para elevar a produtividade, reduzir perdas e acelerar o desenvolvimento de cultivares mais adaptadas ao clima.

O que aconteceu

A expansão ocorre com o uso de ferramentas capazes de modificar o material genético de forma direcionada. Diferentemente de técnicas tradicionais de melhoramento, que podem exigir vários ciclos de cruzamentos, a edição gênica busca alterar características determinadas com maior precisão e rapidez.

No Brasil, a CTNBio avalia se os produtos obtidos por essas técnicas devem ser enquadrados como organismos geneticamente modificados. Em determinados casos, quando não há introdução de material genético de outra espécie, o produto pode seguir um processo regulatório diferente do aplicado aos transgênicos convencionais.

A tecnologia já é estudada para desenvolver plantas mais resistentes a doenças, tolerantes a estresses ambientais e com características agronômicas ou nutricionais específicas. O avanço envolve centros de pesquisa, empresas de biotecnologia, universidades e cadeias produtivas.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, a edição gênica pode resultar em cultivares com maior estabilidade de produção, menor necessidade de defensivos e melhor desempenho em condições de seca, calor ou pressão de pragas. Esses ganhos podem reduzir custos e diminuir a exposição a eventos climáticos extremos.

A cadeia também pode se beneficiar de produtos com qualidade diferenciada, maior vida útil, melhor composição nutricional ou menor perda pós-colheita. Para exportadores, o avanço dependerá da aceitação dos mercados compradores e da compatibilidade entre regras regulatórias de diferentes países.

A tecnologia não elimina os desafios do melhoramento tradicional. O desempenho no campo, a segurança, a disponibilidade de sementes e o custo de adoção continuarão determinando a velocidade de chegada das soluções ao produtor.

Dados e contexto

  • 108 produtos agropecuários editados geneticamente foram registrados desde 2018, de acordo com dados da CTNBio.
  • A CTNBio é responsável pela análise de biossegurança de produtos obtidos por técnicas de engenharia genética no Brasil.
  • A edição gênica pode alterar características específicas sem necessariamente inserir genes de outra espécie.
  • As aplicações incluem resistência a doenças, tolerância a estresses climáticos, produtividade e qualidade de alimentos.
  • A Embrapa, universidades e empresas privadas participam de pesquisas e do desenvolvimento de soluções biotecnológicas para diferentes culturas.
A regulamentação brasileira é um dos fatores que influenciam a entrada de novas tecnologias no mercado. A avaliação considera o processo utilizado, as características do produto final e os riscos associados à aplicação pretendida.

O que observar daqui para frente

O avanço dependerá da transformação dos produtos aprovados em soluções acessíveis e comprovadas no campo. Produtores devem acompanhar resultados de pesquisa, recomendações técnicas, registro de cultivares e eventuais exigências de rastreabilidade. Também será necessário monitorar a aceitação dos consumidores e dos compradores internacionais, especialmente em commodities destinadas à exportação.

Fontes

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