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El Niño 2026/27 aumenta risco climático no plantio da soja

Fenômeno El Niño forte em 2026/27 deve trazer calor excessivo e chuva irregular na primavera, elevando o risco climático para o plantio inicial da soja no Brasil.

14 de junho de 2026 4 min de leitura
El Niño 2026/27 aumenta risco climático no plantio da soja

O retorno de um El Niño forte a partir do inverno de 2026 deve alterar o regime de chuva e temperatura na primavera, fase crítica do plantio da soja. Segundo a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, a combinação de calor excessivo e chuvas irregulares pode reduzir a janela ideal de semeadura e aumentar o risco de perda de sementes e replantio, com impacto direto na produtividade e no custo da safra 2026/27.[3][1]

O que aconteceu

Modelos climáticos indicam que o El Niño em desenvolvimento tende a ganhar força ao longo de 2026, com maior influência a partir do fim do inverno e durante a primavera e o verão 2026/27.[1][4] A climatologia mostra que, nesses eventos, o padrão de chuva muda e o regime térmico se descola da média histórica.

Pegorim alerta que, na primavera, o cenário mais provável é de chuvas mal distribuídas no Sudeste e Centro-Oeste, justamente no momento em que o produtor de soja precisa de umidade regular para garantir emergência rápida e uniforme das plantas.[1][3] Episódios de veranico após a semeadura podem comprometer a germinação, aumentar falhas na lavoura e exigir replantio em áreas mais afetadas.

No Sul, a preocupação se inverte: o efeito típico do El Niño é aumentar o volume de chuva, elevando o risco de excesso de umidade no solo, atrasos no plantio e problemas de manejo de máquinas.[1][3] Em paralelo, a tendência de temperaturas acima da média deve ser generalizada em grande parte do país, intensificando o estresse térmico das plantas no estabelecimento inicial.

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Por que importa para o agro

O plantio da soja é a base do calendário de grãos no Brasil. Atrasos ou falhas na implantação da safra 2026/27 podem encurtar a janela da segunda safra de milho, aumentar a exposição a geadas tardias e concentrar colheitas em janelas mais chuvosas, com reflexos em qualidade de grão, logística e custos operacionais.[3]

Calor intenso e chuva irregular elevam o risco de sementes queimarem no solo seco, problemas de emergência e maior pressão sobre o stand ideal de plantas. Isso eleva gasto com sementes, combustível e horas de máquina, além de exigir decisões mais finas sobre época de plantio, escolha de cultivares e manejo de solo para preservar umidade. Em anos de El Niño forte, erros de calendário tendem a ser mais caros.

Dados e contexto

  • A NOAA elevou para mais de 90% a chance de formação do El Niño entre junho e agosto de 2026, com possibilidade de permanência dos efeitos até 2027.[8][4]
  • A meteorologista Josélia Pegorim destaca que o El Niño de 2026 tem grande probabilidade de ser de forte intensidade, com impactos relevantes na primavera e no verão.[1][3]
  • Em eventos anteriores de El Niño forte, o padrão histórico indica:
- Sul do Brasil: maior frequência de episódios de chuva acima da média na primavera e verão. - Centro-Oeste e Sudeste: maior irregularidade de chuva, alternância de períodos secos e pancadas intensas.[1]
Região produtoraTendência com El Niño 2026/27
SulMais chuva na primavera/verão, risco de atraso de plantio e excesso de umidade
Centro-OesteChuva irregular na primavera, calor intenso e veranicos na implantação
SudesteAlta variabilidade de chuva, maior risco de falhas na emergência

Para o produtor, esse quadro exige atenção a:

  • Manejo de solo para conservação de umidade (palhada, plantio direto bem estruturado).
  • Escolha de cultivares mais tolerantes a estresse hídrico e térmico nas áreas de maior risco.
  • Ajuste de janelas de plantio, evitando semeaduras muito antecipadas em regiões mais sujeitas a veranicos de primavera.

O que observar daqui pra frente

Produtores de soja precisam acompanhar com atenção os próximos boletins climáticos da Climatempo, Inmet e centros internacionais ao longo do inverno de 2026, quando os sinais do El Niño ficarão mais claros. A definição de datas de plantio, planejamento de cultivares e contratos de insumos deve considerar cenários de calor acima da média e chuva irregular na primavera, priorizando estratégias que reduzam necessidade de replantio e protejam o potencial produtivo da safra 2026/27.[1][3][4]

Fontes

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