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El Niño acende alerta em cacau, café e grãos, mas Brasil segue competitivo

Fortalecimento do El Niño dispara preços de cacau e café, impulsiona grãos em Chicago e mantém Brasil bem posicionado na oferta global de alimentos.

03 de agosto de 2026 5 min de leitura
El Niño acende alerta em cacau, café e grãos, mas Brasil segue competitivo

O fortalecimento do El Niño em julho elevou o risco climático para culturas tropicais e já se reflete nos preços de cacau e café nos mercados futuros de Nova York, além de sustentar altas em grãos negociados em Chicago.[1][4] O movimento interessa diretamente ao agro brasileiro: encarece insumos e aumenta a volatilidade, mas também reforça o papel do país como fornecedor crucial de alimentos em um cenário de oferta global mais apertada.[1]

O que aconteceu

O El Niño ganhou força ao longo de julho e voltou ao centro das atenções dos fundos e traders de commodities, especialmente nas praças de Nova York e Chicago.[1][4] O fenômeno aumenta a probabilidade de clima adverso em regiões tropicais, com impacto direto em culturas sensíveis como cacau, café e açúcar.[4][13]

No mercado de cacau, os contratos futuros em Nova York tiveram forte valorização. Levantamento do Times Brasil mostra preço médio em julho de US$ 5.498,91 por tonelada, alta de 27,4% sobre junho.[1] Em sessões recentes, contratos chegaram a subir mais de 5% em um único dia, com o mercado reagindo ao risco de quebra de safra em 2026/27 na África Ocidental e no Equador.[5][7]

O café seguiu trajetória semelhante. Em Nova York, o preço médio de julho ficou em US$ 3,2555 por libra-peso, avanço de 24% sobre junho.[1] Em movimentos mais agudos, o arábica chegou a disparar mais de 16% em um pregão, atingindo o maior nível desde janeiro e puxando também o robusta.[3][4] Esse ambiente de preços mais altos vem acompanhado de fechamento de posições vendidas e reavaliação dos riscos de um possível “super El Niño”.[4][12]

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Por que importa para o agro

Para o produtor, o quadro combina preços internacionalmente firmes com maior risco de perda de produtividade. Em cacau, todos os eventos fortes de El Niño dos últimos 55 anos reduziram a produção, especialmente na África Ocidental, que sofreu excesso de chuva e doenças fúngicas em episódios recentes.[13] Com oferta global mais sensível, o Brasil pode ampliar espaço em nichos de cacau de qualidade e chocolate premium.

No café, analistas projetam que o El Niño pode reduzir em até um quinto a safra brasileira inicialmente prevista como recorde, devido a calor excessivo e chuvas irregulares.[9][16] O encarecimento da saca tende a melhorar a renda de quem colhe boa safra, mas aumenta a exigência em manejo, seguro rural e planejamento financeiro. Na cadeia de grãos, a combinação de clima e fertilizantes mais caros pressiona custos, mas sustenta cotações na Bolsa de Chicago.[10][11]

Dados e contexto

IndicadorSituação recente

| Cacau NY – média julho | US$ 5.498,91/t, +27,4% vs. junho[1] | | Café NY – média julho | US$ 3,2555/lb, +24% vs. junho[1] | | Cacau – alta diária em NY | +13%, a US$ 5.694/t em pregão recente[3][4] | | Café arábica – alta diária em NY | +16%, a US$ 3,49/lb em um dia[3][4] | | Probabilidade de “super El Niño” | >80% entre 2º semestre de 2026 e início de 2027[12] |

A NOAA projeta alta chance de um “super El Niño” no fim de 2026 e início de 2027, o que mantém o mercado em alerta para novos choques de oferta.[12] Historicamente, eventos fortes elevam a volatilidade e ficam no radar de bancos, fundos e indústrias, que ajustam estoques e travas de preço.

No café brasileiro, estudos apontam que o fenômeno pode reduzir produção e pressionar inflação de alimentos, ao lado de milho e arroz.[9][11][17] Mesmo assim, relatórios indicam que as safras estão mais resistentes, com ganhos em tecnologia, manejo e adaptação climática, o que ajuda a manter o país bem posicionado na oferta global.[9]

O que observar daqui pra frente

O agro deve acompanhar de perto a evolução do El Niño, especialmente entre o fim de 2026 e 2027, ajustando calendário de plantio, manejo de água e estratégias de proteção de preço. Para cacau e café, a combinação de risco climático e forte presença de fundos sugere mais volatilidade, com oportunidades para quem usar bem hedge, seguro e informação técnica. A posição competitiva do Brasil pode se fortalecer, desde que o produtor consiga atravessar a janela de maior risco climático com foco em produtividade e gestão.

Fontes

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