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Lula reage a tarifaço de Trump e acelera acordo Mercosul–China

Após novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, Lula e Xi Jinping acertam acelerar negociações de livre comércio entre Mercosul e China, com foco em tecnologia, minerais críticos e fertilizantes.

03 de agosto de 2026 4 min de leitura
Lula reage a tarifaço de Trump e acelera acordo Mercosul–China

O governo brasileiro aproveitou o tarifaço anunciado por Donald Trump contra exportações nacionais para acelerar a aproximação com a China. Em telefonema de mais de uma hora, Lula e Xi Jinping defenderam um acordo de livre comércio Mercosul–China, com foco em tecnologia, minerais críticos e fertilizantes, num movimento que tende a redesenhar rotas do agro brasileiro.[1][3]

O que aconteceu

Após os EUA elevarem tarifas sobre produtos brasileiros para até 37,5%, sob alegações de trabalho forçado e disputa política, Lula ligou para Xi Jinping e tratou de aprofundar a cooperação estratégica entre os dois países.[1][3] A conversa incluiu sinergias entre os projetos de desenvolvimento nacional e maior coordenação em fóruns multilaterais.

Segundo o Planalto e o Itamaraty, os dois presidentes concordaram em acelerar as negociações de livre comércio entre Mercosul e China, com flexibilidades para atender particularidades dos países do bloco.[1][3] Também discutiram ampliação de parcerias em inteligência artificial, satélites, minerais críticos e comércio de fertilizantes.[3][4]

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Na mesma janela, o Brasil também sinalizou ao mundo interesse em novos acordos, como com a Coreia do Sul, reforçando a estratégia de diversificação de mercados diante da pressão tarifária dos EUA.[2][5]

Por que importa para o agro

China já é o principal destino de soja, carne bovina, carne de frango, celulose e açúcar brasileiros. Um acordo de livre comércio Mercosul–China pode reduzir tarifas, simplificar barreiras e ampliar ainda mais o fluxo de grãos, proteínas e fibras, com impacto direto em preços recebidos pelo produtor e na disputa com concorrentes como EUA e Argentina.[1][3]

Ao mesmo tempo, o agro brasileiro é grande importador de fertilizantes e defensivos chineses. Um acordo mais profundo pode baratear insumos, melhorar previsibilidade de oferta e diminuir a vulnerabilidade do setor a crises geopolíticas, como fechamento de rotas estratégicas e restrições de exportação de minerais críticos.[3][4]

Dados e contexto

China figura há anos como principal parceiro comercial do Brasil, respondendo por parcela relevante do superávit na balança comercial, com destaque para o agronegócio.[1][3] Os EUA, por sua vez, são concorrentes diretos do Brasil em soja, milho, algodão e carnes, e também compradores importantes de produtos de maior valor agregado.

Trump anunciou tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras e depois ampliou para 37,5% em uma nova rodada de medidas, alegando falhas no combate ao trabalho forçado.[1][3] A lista atinge dezenas de parceiros, incluindo o Brasil, e coloca pressão sobre setores industriais e agrícolas que dependem daquele mercado.

O Mercosul discute há anos acordos com grandes economias. O pacto com a União Europeia segue travado por questões ambientais e industriais, enquanto a negociação com a China ganha impulso político com o alinhamento entre Lula e Xi.[1][2][3]

Indicador-chaveSituação atual
Principal destino da soja brasileira**China**[1]
Origem relevante de fertilizantes**Rússia e China** (dados típicos de mercado)
Tarifa nova dos EUA contra o Brasilaté **37,5%**[3]
Bloco em negociação com China**Mercosul**[1][3]

Além do agro, o pacote discutido inclui cooperação em alta tecnologia, como IA e satélites, e em minerais críticos usados em baterias e veículos elétricos. Isso pode abrir espaço para agregar valor à produção mineral e agrícola, com mais processamento e tecnologia dentro da região.[2][3]

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e tradings devem acompanhar a evolução das negociações Mercosul–China, especialmente termos de acesso a mercado, regras sanitárias e eventuais cotas por produto. A forma como o bloco responderá ao tarifaço dos EUA pode redefinir o peso de cada parceiro na pauta exportadora brasileira, abrindo oportunidades de expansão na Ásia, mas também exigindo atenção a riscos geopolíticos e à necessidade de manter competitividade em custos e logística.

Fontes

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