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El Niño ameaça produtividade da safra 2026/27 mesmo com chuvas

Calor intenso e distribuição irregular das chuvas podem reduzir o rendimento das lavouras brasileiras na safra 2026/27.

10 de outubro de 2026 4 min de leitura
El Niño ameaça produtividade da safra 2026/27 mesmo com chuvas

O avanço do El Niño aumenta o risco climático para a safra brasileira 2026/27. Mesmo com a ocorrência de chuvas, temperaturas acima da média podem acelerar o ciclo das plantas, elevar a evapotranspiração e reduzir o potencial produtivo. O impacto tende a variar entre as regiões e culturas.

O que aconteceu

As projeções indicam um padrão irregular de precipitação no Brasil. A Região Sul pode registrar chuvas acima da média, enquanto áreas do Centro-Norte, Norte e Nordeste enfrentam maior probabilidade de períodos secos e calor intenso. Essa distribuição desigual dificulta o planejamento da semeadura e dos tratos culturais.

O problema não está apenas na quantidade de chuva. Quando a precipitação ocorre de forma concentrada, seguida por vários dias quentes e secos, a água disponível no solo pode não atender à demanda da lavoura. O calor também acelera o desenvolvimento das plantas e encurta fases importantes, como floração e enchimento de grãos.

A Embrapa alerta que a combinação de deficiência de chuva, temperaturas elevadas e alta demanda evaporativa pode formar condições de seca quente. Na soja, esse cenário pode comprometer a formação e o enchimento dos grãos, mesmo em áreas que recebem precipitações durante o ciclo.

Por que importa para o agro

A produtividade é um dos principais fatores que definem a receita do produtor. Se a área plantada crescer, mas o rendimento médio cair, o aumento da produção nacional pode ser menor que o esperado. A Conab projeta até 366,6 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27, mas aponta o risco climático associado ao El Niño como fator de pressão sobre a produtividade.

O efeito também pode atingir custos e preços. Veranicos prolongados aumentam a necessidade de irrigação, enquanto chuvas excessivas no Sul podem dificultar a aplicação de defensivos, favorecer doenças fúngicas e atrasar a colheita. Alterações no calendário da soja podem ainda reduzir a janela para o milho segunda safra.

Dados e contexto

  • A Conab estima produção potencial de 366,6 milhões de toneladas de grãos em 2026/27, com leve aumento de área e expectativa de menor produtividade média devido ao risco climático.
  • O INPE indica maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul e abaixo da média no Centro-Norte durante parte do segundo semestre de 2026.
  • O CEMADEN aponta maior risco de temperaturas acima da normal climatológica e de ondas de calor na faixa central do país.
  • A Embrapa relaciona o El Niño a chuvas concentradas no Sul, irregularidade no Centro-Oeste e possibilidade de estiagem e calor no Norte e Nordeste.
O contraste regional será determinante. No Sul, a chuva pode favorecer culturas de inverno, mas o excesso eleva o risco de doenças e perdas operacionais. No Centro-Oeste e no Matopiba, o produtor deve monitorar o início das chuvas, a ocorrência de veranicos e o ritmo de implantação da soja.

O que observar daqui para frente

O produtor deve acompanhar atualizações do INPE, CEMADEN, Embrapa e Conab, ajustar o calendário de plantio quando houver segurança hídrica e priorizar o monitoramento de umidade do solo. Também será necessário revisar o planejamento de irrigação, cultivares e proteção contra doenças. A confirmação da intensidade e da duração do El Niño definirá o tamanho do impacto sobre cada região.

Fontes

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