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El Niño deve elevar o calor e irregularizar chuvas na Bahia

Previsão indica temperaturas de até 37°C e chuva insuficiente na Bahia entre setembro e novembro, com riscos para lavouras e disponibilidade hídrica.

26 de setembro de 2026 4 min de leitura
El Niño deve elevar o calor e irregularizar chuvas na Bahia

A atuação do El Niño deve deixar a Bahia mais quente e com chuvas irregulares entre setembro e novembro. As temperaturas podem superar 34°C e alcançar 37°C, principalmente em outubro. A chuva abaixo do esperado aumenta o risco de déficit hídrico para lavouras, pastagens e reservatórios.

O que aconteceu

A previsão meteorológica aponta redução dos volumes de chuva durante a primavera no estado. A irregularidade pode provocar períodos secos prolongados, intercalados com precipitações pontuais e mal distribuídas.

A expectativa é de alguma melhora nas chuvas a partir da segunda quinzena de novembro. Mesmo assim, os volumes previstos não devem ser suficientes para recuperar rapidamente a umidade do solo e recompor mananciais afetados pela estiagem. A projeção citada na matéria indica acumulado de até 17 milímetros em novembro, considerado insuficiente para a reposição hídrica necessária.

O padrão é compatível com os efeitos normalmente associados ao El Niño no Norte e no Nordeste do Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno tende a aumentar o risco de chuva abaixo da média nessas áreas e elevar as temperaturas em boa parte do país.

Por que importa para o agro

O atraso ou a má distribuição das chuvas pode dificultar o estabelecimento das lavouras de sequeiro. O problema é maior em áreas que dependem das primeiras precipitações para iniciar o plantio, formar pastagens ou recuperar a umidade do perfil do solo.

O calor intenso também aumenta a evapotranspiração, que é a perda de água do solo e das plantas para a atmosfera. Na prática, isso reduz a duração da umidade disponível, eleva a necessidade de irrigação e pode aumentar o estresse térmico em cultivos, bovinos de corte e rebanhos leiteiros.

Para o produtor, o principal risco é plantar com pouca umidade e enfrentar falhas na emergência ou necessidade de replantio. No mercado, uma redução do potencial produtivo pode afetar a oferta regional de grãos, fibras, frutas e forragem, dependendo da intensidade e da duração da estiagem.

Dados e contexto

  • Temperatura prevista: acima de 34°C, com possibilidade de até 37°C em outubro.
  • Chuva em novembro: previsão de até 17 mm, volume insuficiente para recompor a água no solo.
  • Período de maior atenção: setembro, outubro e novembro.
  • Região mais vulnerável: áreas do Nordeste, incluindo o centro-norte e o oeste da Bahia.
O Inmet informa que o El Niño costuma favorecer chuva acima da média no Sul e aumentar o risco de seca na faixa norte das regiões Norte e Nordeste. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também registra que condições climáticas desfavoráveis e irregularidade das chuvas podem reduzir o potencial produtivo de lavouras baianas.

A resposta, porém, não é uniforme em todo o estado. O litoral pode receber episódios de chuva associados à circulação de umidade, enquanto áreas do interior tendem a enfrentar maior dependência das chuvas de verão e maior exposição ao déficit hídrico.

O que observar daqui pra frente

O produtor deve acompanhar as atualizações do Inmet, ajustar o calendário de plantio à umidade efetivamente observada e evitar decisões baseadas apenas na primeira chuva. Também é necessário monitorar reservatórios, previsão de veranicos, disponibilidade de pasto e necessidade de irrigação. A confirmação de chuvas mais regulares a partir da segunda quinzena de novembro será decisiva para reduzir os riscos da safra.

Fontes

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