Gestão

El Niño exige gestão de risco além da porteira

Fenômeno amplia instabilidade climática e financeira, pressionando operações, recebíveis e caixa das empresas do agro.

29 de julho de 2026 4 min de leitura
El Niño exige gestão de risco além da porteira

O El Niño não é só um problema de lavoura. A combinação de chuvas excessivas no Sul e seca em partes do Norte, Nordeste e Centro-Oeste altera produção, logística, preços e fluxo de caixa em toda a cadeia do agronegócio.[2][6] Em um cenário de maior volatilidade climática até pelo menos 2027, proteger operações, contratos e recebíveis vira tema central de gestão.

O que aconteceu

O INMET confirma o aquecimento anômalo do Pacífico Equatorial, caracterizando episódios de El Niño associados a mudanças relevantes no regime de chuvas e temperatura no Brasil.[2][10] Esses episódios tendem a reduzir chuvas no Norte e Nordeste e aumentar volumes no Sul, especialmente entre inverno e primavera.[2][7]

Para o agro, isso significa risco simultâneo de quebra de safra por seca em regiões de sequeiro e perdas por excesso de umidade em áreas com solos encharcados, atraso de manejo e maior pressão de doenças.[1][2][6] O efeito se espalha para indústrias, tradings, transportadoras e serviços financeiros ligados ao campo, elevando o risco operacional e de crédito.

Ao mesmo tempo, instituições como Embrapa e bancos de investimento alertam para impactos sobre a produtividade de culturas de inverno e verão, com reflexos em oferta e preços de alimentos e insumos em 2026/27.[3][5][8][11] Isso reforça a necessidade de planejar consumo de capital de giro, estoques e políticas de cobrança.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, o El Niño mexe diretamente em calendário de plantio, produtividade, custo de produção e risco de falha em contratos de entrega.[1][2][6] Atrasos de plantio, janelas encurtadas e maior custo de manejo fitossanitário podem comprometer margens e aumentar dependência de crédito.

Para indústrias, tradings e cooperativas, o cenário é de maior volatilidade de volumes, prazos e qualidade da matéria-prima. Isso exige reforço de análise de risco de clientes, revisão de limites de crédito, uso mais ativo de garantias e seguros e digitalização de meios de pagamento para reduzir inadimplência e fraudes em períodos de estresse.

Dados e contexto

O INMET destaca que o El Niño está ligado a desvios de +0,5 °C ou mais na temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4.[2][10] Em episódios intensos:

  • Norte e Nordeste: tendência de redução das chuvas e maior frequência de estiagens.[2]
  • Sul: aumento dos volumes de precipitação, com excesso de umidade no solo.[2][7]
Esses padrões elevam o risco de perdas sobretudo em sistemas de sequeiro e em culturas sensíveis ao encharcamento.[2][6] Embrapa recomenda evitar operações que desestruturem o solo em períodos muito chuvosos, manter palhada, inspecionar terraços e escalonar plantio para diluir risco climático.[1]

Instituições como Embrapa e empresas privadas apontam estratégias de adaptação:

Ação recomendadaObjetivo principal
Ajustar calendário de plantio ao ZARC e previsões oficiaisReduzir exposição a janelas de maior risco climático[1][2][6]
Revisar drenagem, estradas internas e áreas de erosãoMitigar perdas por encharcamento e enxurradas[1][4]
Planejar irrigação e uso de cultivares tolerantes a estresseEnfrentar períodos de seca com menor quebra de produtividade[2][6]
Reforçar programa fitossanitário e monitoramento de pragasEnfrentar maior pressão de doenças em ambientes úmidos[1][6]
Contratar seguro agrícola e estruturar garantiasProteger renda e reduzir risco de crédito em anos de ENOS intenso[4][6]

No plano corporativo, Embrapa e outras entidades sugerem planejamento de gastos com insumos considerando produtividade esperada em anos de El Niño e preços projetados, buscando preservar margem positiva.[4] Também recomendam planos de contingência para logística, recursos, equipes e combate a eventos extremos, como incêndios e enxurradas.[4]

O que observar daqui pra frente

Empresas e produtores devem acompanhar de perto previsões oficiais de INMET, CPTEC/INPE, Embrapa e Conab sobre intensidade e duração do El Niño.[2][4] A partir delas, vale ajustar cronograma de plantio e colheita, revisar contratos de fornecimento com cláusulas de força maior bem definidas, reforçar o uso de seguros, garantias e soluções digitais de cobrança. Em um ambiente de maior instabilidade, quem antecipar cenários climáticos e financeiros tende a proteger melhor caixa, recebíveis e valor do negócio.

Fontes

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