Tecnologia

Embrapa cria ‘impressão digital’ para diferenciar carne Nelore e Angus

Nova metodologia da Embrapa usa espectrometria de massas para identificar rapidamente carnes de diferentes espécies e raças, incluindo Nelore e Angus.

30 de agosto de 2026 4 min de leitura
Embrapa cria ‘impressão digital’ para diferenciar carne Nelore e Angus

Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, em parceria com a UFMS e a Unesp, desenvolveram uma metodologia que identifica, em cerca de 20 minutos, carnes de diferentes espécies e até distingue raças bovinas como Nelore e Angus. A técnica usa espectrometria de massas para gerar uma espécie de “impressão digital” molecular da carne, abrindo novas frentes para certificação, controle de qualidade e combate a fraudes no mercado.

O que aconteceu

O grupo de pesquisa criou um protocolo baseado em espectrometria de massas do tipo MALDI-TOF, tecnologia já usada em análises biológicas, agora aplicada à identificação de carnes. O método analisa o perfil de massa das proteínas presentes no tecido, que varia conforme a espécie e a raça, permitindo diferenciar bovinos, suínos, frangos, tilápias e, dentro dos bovinos, Nelore e Angus.

Na prática, é retirado um pequeno fragmento da carne, equivalente ao tamanho de um grão de arroz. A amostra é processada no equipamento, que registra o espectro de massas das proteínas. Esses dados são comparados a um banco de perfis previamente construído, gerando a identificação automática da origem da carne. A análise é rápida, com resultado em cerca de 20 minutos, e pode ser aplicada inclusive em carne congelada ou frita.

Os pesquisadores afirmam que é a primeira vez que a técnica MALDI-TOF é usada no Brasil para identificar carnes de diferentes espécies e raças de forma rotineira. A metodologia foi desenvolvida com foco em aplicações de fiscalização sanitária, certificação de programas de qualidade e apoio a marcas de valor agregado, como produtos Angus ou programas de carne Nelore selecionada.

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Por que importa para o agro

Para o produtor e a indústria, a possibilidade de diferenciar com precisão carne Nelore e Angus é estratégica em programas de certificação e pagamento por qualidade. Frigoríficos e marcas premium ganham uma ferramenta objetiva para comprovar a origem da carne, reduzindo risco de fraudes e aumentando confiança do consumidor em rótulos como “carne Angus certificada” ou “Nelore de qualidade”.

Na cadeia de valor, a tecnologia reforça políticas de rastreabilidade e pode se somar a sistemas já consolidados, como o SISBOV e protocolos privados. Ao viabilizar testes rápidos, ela ajuda a proteger nichos de mercado com maior remuneração, favorecendo investimentos em genética, manejo de qualidade de carne e programas de integração com selos oficiais, como Carne Carbono Neutro, desenvolvida pela Embrapa.

Dados e contexto

  • A análise leva cerca de 20 minutos por amostra, segundo os pesquisadores.
  • A técnica usa espectrometria de massas MALDI-TOF (Matrix-Assisted Laser Desorption/Ionization – Time of Flight).
  • Um pequeno fragmento de carne, do tamanho de um grão de arroz, é suficiente para o teste.
  • O método distingue:
- Espécies: bovinos, suínos, frango, tilápia. - Raças bovinas: Nelore e Angus, entre outras, conforme o banco de dados.
  • A identificação é baseada em perfis de proteínas que atuam como “impressão digital” molecular da carne.
Ponto-chaveImpacto na cadeia de carne
Identificação em ~20 minFacilita fiscalização e controle em linha de produção
Diferencia espécies e raçasSuporta certificação de carne Nelore e Angus
Aplica em carne congelada ou fritaPermite auditorias em produtos já processados
Uso de banco de dados de perfisPossibilita automação e padronização dos laudos

A Embrapa já atua há anos em pesquisa de qualidade de carne bovina, incluindo marcadores genéticos para maciez em Nelore e protocolos de produção como sistemas semi-intensivos para bovinos Nelore no Centro-Oeste. Essa nova tecnologia complementa esforços anteriores, conectando genética, manejo e rastreabilidade com ferramentas laboratoriais rápidas e acessíveis para indústria e fiscalização.

O que observar daqui pra frente

O próximo passo é a validação em escala industrial, adoção por frigoríficos e integração com programas de certificação e órgãos de controle, como serviços de inspeção e ministérios setoriais. Se o custo por análise for competitivo, a tecnologia pode se tornar padrão em auditorias de marcas de carne, influenciar contratos de compra e venda e fortalecer nichos de produto Nelore e Angus certificados, gerando oportunidades de prêmio ao produtor alinhado com programas de qualidade.

Fontes

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