Tecnologia

Embrapa cria tecnologia para transformar açúcar em insumos industriais

Plataforma da Embrapa usa leveduras modificadas para produzir compostos químicos de alto valor a partir de açúcares renováveis.

04 de outubro de 2026 4 min de leitura
Embrapa cria tecnologia para transformar açúcar em insumos industriais

Uma plataforma desenvolvida pela Embrapa pode converter açúcares em compostos químicos usados pela indústria. A tecnologia emprega leveduras modificadas e técnicas de análise molecular para substituir matérias-primas derivadas do petróleo por alternativas renováveis.

O que aconteceu

A pesquisa foi conduzida pela Embrapa Agroenergia e integra três áreas das chamadas ciências ômicas: metabolômica, proteômica e fluxômica. O objetivo é entender como os microrganismos funcionam e direcionar seu metabolismo para a produção de moléculas específicas.

Nos testes em biorreatores de laboratório, os pesquisadores usaram uma linhagem modificada da levedura Saccharomyces cerevisiae para produzir ácido p-hidroxibenzoico, conhecido pela sigla PHBA. O composto é um precursor químico utilizado na fabricação de polímeros, medicamentos, cosméticos e insumos agrícolas.

A equipe também aplicou a análise de fluxo metabólico com carbono marcado, técnica conhecida como 13C-MFA. O método permite acompanhar o caminho do carbono dentro da célula e identificar quais etapas precisam ser ajustadas para elevar a eficiência da produção.

Imagem

Por que importa para o agro

A tecnologia amplia o uso industrial de açúcares produzidos pelo setor sucroenergético. Além de açúcar, etanol, energia e biogás, a cana pode fornecer moléculas para segmentos químicos e farmacêuticos, aumentando o valor agregado da matéria-prima agrícola.

Para o produtor e para as usinas, a expansão da chamada bioeconomia pode abrir novos mercados para derivados da cana e de outras biomassas. A demanda, porém, dependerá da redução dos custos, da escala industrial e da comprovação da qualidade dos compostos obtidos.

A substituição de insumos fósseis também pode reduzir a exposição da indústria à volatilidade do petróleo. No entanto, a tecnologia ainda está em fase de desenvolvimento e os resultados de laboratório não representam, por si só, uma operação comercial.

Dados e contexto

  • A plataforma é considerada inédita no Brasil por combinar metabolômica, proteômica e fluxômica.
  • A concentração de glicose no meio de cultivo caiu de 20 para 10 gramas por litro durante os experimentos.
  • O PHBA pode ser usado como precursor de polímeros, medicamentos, cosméticos e insumos agrícolas.
  • A Embrapa informa que a plataforma também pode apoiar a seleção de cepas para produção de bioinsumos, ingredientes funcionais e compostos aromáticos.
  • A cana-de-açúcar é a principal matéria-prima da indústria sucroalcooleira brasileira e seus derivados já são usados na produção de etanol, energia elétrica, biometano e biofertilizantes.
A estratégia se conecta ao conceito de biorrefinaria, no qual uma mesma biomassa gera diversos produtos. Nesse modelo, o açúcar deixa de ser apenas alimento ou substrato para fermentação de etanol e passa a funcionar como base para uma variedade maior de compostos industriais.

O que observar daqui para frente

Os próximos passos são ampliar os testes, validar o desempenho das leveduras em escala piloto e calcular o custo por unidade produzida. Também será necessário avaliar estabilidade do processo, disponibilidade de açúcar, exigências regulatórias e interesse da indústria. Se esses obstáculos forem superados, a tecnologia poderá fortalecer a diversificação da cadeia da cana e criar novas aplicações para matérias-primas renováveis.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo