Embrapa tenta clonar araucária gigante que caiu em Santa Catarina
Pesquisadores coletam brotações de uma araucária de mais de 40 metros e até 500 anos para preservar seu material genético.

Uma araucária com mais de 40 metros de altura e idade estimada em até 500 anos caiu em Caçador, no Meio-Oeste de Santa Catarina. Pesquisadores da Embrapa e da Epagri coletaram brotações vivas para tentar preservar o material genético da árvore, conhecida como Pinheirão. A iniciativa busca manter características de um exemplar raro, mesmo após sua perda.
O que aconteceu
A árvore estava em uma floresta experimental compartilhada pela Embrapa Florestas e pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). O exemplar era considerado um dos maiores do país e tinha importância científica pela idade, pelo porte e pela capacidade de adaptação desenvolvida ao longo de séculos.
Quatro meses depois da queda, o pesquisador Ivar Wendling, da Embrapa, encontrou ramos que ainda produziam brotos. A equipe retirou esse material do tronco e dos galhos e o transportou para a unidade da Embrapa Florestas, na Região Metropolitana de Curitiba.
Os brotos foram enxertados em mudas já estabelecidas. A técnica une tecidos de duas plantas para formar um novo indivíduo. Se o enxerto se consolidar, a muda terá o mesmo DNA da árvore original. O resultado deve ser avaliado após cerca de 100 dias.
Por que importa para o agro
A araucária, ou Araucaria angustifolia, tem valor ambiental, econômico e cultural no Sul do Brasil. A espécie produz madeira e pinhão, pode integrar sistemas agroflorestais e ajuda a conservar a biodiversidade em áreas rurais. Seu uso, porém, é condicionado à legislação ambiental e às regras de proteção da espécie.
O resgate genético permite preservar características que não seriam mantidas apenas com sementes. Uma muda clonada reproduz o material genético da matriz, o que pode apoiar estudos sobre longevidade, crescimento, resistência e adaptação. Essas informações são úteis para programas de conservação, restauração florestal e melhoramento de espécies nativas.
Dados e contexto
- Altura: mais de 40 metros, segundo informações divulgadas sobre o Pinheirão.
- Idade estimada: até 500 anos.
- Local da queda: estação experimental em Caçador (SC).
- Instituições envolvidas: Embrapa Florestas e Epagri.
- Técnica utilizada: enxertia de brotações em mudas estabelecidas.
- Prazo inicial de avaliação: aproximadamente 100 dias.
A clonagem não recupera a árvore original nem recria integralmente o ecossistema onde ela viveu. O processo preserva uma cópia genética, que precisará crescer e ser acompanhada por anos. O sucesso depende da sobrevivência dos enxertos e do desenvolvimento posterior das mudas.
O que observar daqui pra frente
O principal ponto é a taxa de pegamento dos enxertos após o período de avaliação. Se houver sucesso, novas mudas poderão ser produzidas e destinadas à pesquisa, à conservação e a plantios controlados. Também será necessário acompanhar o crescimento, a sanidade e a adaptação das cópias, além de definir critérios para manter a diversidade genética da espécie.
Fontes
- Globo Rural – Operação resgata DNA de araucária gigante que caiu em SC para clonagem
- Embrapa Florestas – Projetos de pesquisa
- Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia – Conservação da biodiversidade
- embrapa.br
- parana.pr.gov.br
- g1.globo.com
- alice.cnptia.embrapa.br
- g1.globo.com
- embrapa.br
- embrapa.br
- revistapesquisa.fapesp.br
- alice.cnptia.embrapa.br
- g1.globo.com
- apct.sede.embrapa.br
- infoteca.cnptia.embrapa.br
Continue lendo
Pnuma pede corte de 18% nas emissões globais até 2030
Relatório do Pnuma aponta que as emissões globais precisam cair 18% até 2030, ampliando a pressão por mudanças na produção e no consumo.
Seca deixa rebanhos sem alimento e corta renda de famílias em Sergipe
Estiagem atinge 11 municípios, reduz a produção de leite, mata animais e força produtores a vender o rebanho para sobreviver.
UE avalia flexibilizar regras para agrotóxicos e enfrenta reação de cientistas
Proposta da Comissão Europeia pode ampliar autorizações de agrotóxicos, enquanto especialistas alertam para riscos à saúde, ao ambiente e aos trabalhadores rurais.