Sustentabilidade

Embrapa tenta clonar araucária gigante que caiu em Santa Catarina

Pesquisadores coletam brotações de uma araucária de mais de 40 metros e até 500 anos para preservar seu material genético.

11 de outubro de 2026 4 min de leitura
Embrapa tenta clonar araucária gigante que caiu em Santa Catarina

Uma araucária com mais de 40 metros de altura e idade estimada em até 500 anos caiu em Caçador, no Meio-Oeste de Santa Catarina. Pesquisadores da Embrapa e da Epagri coletaram brotações vivas para tentar preservar o material genético da árvore, conhecida como Pinheirão. A iniciativa busca manter características de um exemplar raro, mesmo após sua perda.

O que aconteceu

A árvore estava em uma floresta experimental compartilhada pela Embrapa Florestas e pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). O exemplar era considerado um dos maiores do país e tinha importância científica pela idade, pelo porte e pela capacidade de adaptação desenvolvida ao longo de séculos.

Quatro meses depois da queda, o pesquisador Ivar Wendling, da Embrapa, encontrou ramos que ainda produziam brotos. A equipe retirou esse material do tronco e dos galhos e o transportou para a unidade da Embrapa Florestas, na Região Metropolitana de Curitiba.

Os brotos foram enxertados em mudas já estabelecidas. A técnica une tecidos de duas plantas para formar um novo indivíduo. Se o enxerto se consolidar, a muda terá o mesmo DNA da árvore original. O resultado deve ser avaliado após cerca de 100 dias.

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Por que importa para o agro

A araucária, ou Araucaria angustifolia, tem valor ambiental, econômico e cultural no Sul do Brasil. A espécie produz madeira e pinhão, pode integrar sistemas agroflorestais e ajuda a conservar a biodiversidade em áreas rurais. Seu uso, porém, é condicionado à legislação ambiental e às regras de proteção da espécie.

O resgate genético permite preservar características que não seriam mantidas apenas com sementes. Uma muda clonada reproduz o material genético da matriz, o que pode apoiar estudos sobre longevidade, crescimento, resistência e adaptação. Essas informações são úteis para programas de conservação, restauração florestal e melhoramento de espécies nativas.

Dados e contexto

  • Altura: mais de 40 metros, segundo informações divulgadas sobre o Pinheirão.
  • Idade estimada: até 500 anos.
  • Local da queda: estação experimental em Caçador (SC).
  • Instituições envolvidas: Embrapa Florestas e Epagri.
  • Técnica utilizada: enxertia de brotações em mudas estabelecidas.
  • Prazo inicial de avaliação: aproximadamente 100 dias.
A Embrapa mantém pesquisas sobre clonagem de araucárias para produção de madeira e pinhão. A empresa também trabalha com conservação de recursos genéticos por estratégias como bancos de germoplasma, conservação in vitro, criopreservação e preservação no ambiente natural.

A clonagem não recupera a árvore original nem recria integralmente o ecossistema onde ela viveu. O processo preserva uma cópia genética, que precisará crescer e ser acompanhada por anos. O sucesso depende da sobrevivência dos enxertos e do desenvolvimento posterior das mudas.

O que observar daqui pra frente

O principal ponto é a taxa de pegamento dos enxertos após o período de avaliação. Se houver sucesso, novas mudas poderão ser produzidas e destinadas à pesquisa, à conservação e a plantios controlados. Também será necessário acompanhar o crescimento, a sanidade e a adaptação das cópias, além de definir critérios para manter a diversidade genética da espécie.

Fontes

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