Tecnologia

Embrapa testa macaúba como nova fronteira para biocombustíveis

Embrapa Agroenergia leva à AgroBrasília 2026 pesquisas com macaúba e painéis de inovação que miram ampliar oferta de matérias-primas para biocombustíveis no país.

15 de maio de 2026 4 min de leitura
Embrapa testa macaúba como nova fronteira para biocombustíveis

A Embrapa Agroenergia levou à AgroBrasília 2026 resultados de pesquisas com macaúba e uma série de painéis sobre inovação em bioenergia. O foco é ampliar o leque de matérias-primas para biodiesel, bioquerosene e outros biocombustíveis, conectando produtor rural, indústria e políticas públicas em torno de novas oportunidades de renda e uso de áreas hoje subaproveitadas.

O que aconteceu

Na vitrine tecnológica da AgroBrasília 2026, a Embrapa Agroenergia apresentou avanços no melhoramento genético, sistemas de produção e processamento da macaúba, palmeira nativa apontada como forte candidata a matéria‑prima de óleos para biocombustíveis. Também foram mostradas tecnologias para aproveitamento de co-produtos, como torta e biomassa, em ração, bioinsumos e energia.

Pesquisadores detalharam, em painéis temáticos, a cadeia completa da macaúba: desde mudas melhoradas, sistemas de consórcio e integração com pecuária até o refino de óleo para biodiesel e combustível de aviação sustentável (SAF). A Embrapa ainda discutiu modelos de arranjo produtivo envolvendo agricultura familiar, médios produtores e agroindústria, com foco em contratos de longo prazo e agregação de valor.

A programação incluiu debates com representantes do Ministério da Agricultura, Anp e setor de biodiesel sobre o papel da macaúba e de outras oleaginosas na expansão das metas de mistura obrigatória no diesel e no futuro mercado de SAF. Foram apresentados casos-piloto em propriedades do Cerrado, onde a macaúba é implantada em áreas degradadas para recuperação de solo e geração de renda adicional.

Por que importa para o agro

A macaúba entra no radar como opção de diversificação de renda para produtores do Cerrado e de outras regiões de ocorrência natural da espécie. Trata-se de uma palmeira perene, com ciclo longo e produção de óleo por vários anos, o que pode garantir fluxo de caixa contínuo e estabilidade, especialmente quando integrada a sistemas com pecuária ou culturas anuais.

Para o mercado de biocombustíveis, a ampliação da base de matérias-primas é estratégica diante das metas de mistura de biodiesel e da pressão por combustíveis de aviação sustentáveis. Hoje, soja responde por mais de 70% do óleo usado no biodiesel brasileiro; novas oleaginosas como a macaúba podem aliviar a disputa entre grão para alimento e óleo para energia, reduzindo riscos de oferta em períodos de quebra de safra.

Dados e contexto

A Embrapa aponta a macaúba como uma das palmeiras com maior potencial de produtividade de óleo por área, em condições adequadas de manejo. Estudos indicam que o Brasil tem milhões de hectares de pastagens degradadas, segundo a Embrapa e o MapBiomas, que podem ser recuperadas com sistemas perenes, abrindo espaço para culturas como a macaúba sem competir diretamente com alimentos.

No mercado de biodiesel, o Brasil produziu cerca de 7 bilhões de litros em 2023, de acordo com a Anp, com mistura obrigatória B14 caminhando para B15. O Conselho Nacional de Política Energética discute uma trajetória de aumento gradual, o que exigirá mais óleo vegetal. A Conab projeta safra de soja acima de 150 milhões de toneladas em anos favoráveis, mas o grão disputa espaço com exportação e processamento para alimentação humana e animal.

No caso do combustível de aviação sustentável, o Brasil é visto pelo Iata e pela Icao como potencial fornecedor relevante, dada a disponibilidade de biomassa. A Agência Internacional de Energia projeta necessidade de dezenas de bilhões de litros de SAF até 2030 para cumprimento de metas climáticas globais. Oleaginosas perenes de alto rendimento, adaptadas ao clima tropical, são peças centrais nessa estratégia.

A Embrapa Agroenergia também trabalha com outras rotas tecnológicas, como etanol de segunda geração, biogás a partir de resíduos agropecuários e bioinsumos derivados de biomassa. A combinação dessas frentes amplia o portfólio de soluções para produtores, cooperativas e agroindústrias, alinhando metas de descarbonização com ganho de eficiência e de receita no campo.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar a evolução das cultivares comerciais de macaúba, os pacotes tecnológicos recomendados pela Embrapa e, principalmente, o surgimento de contratos de compra de frutos e óleo pela indústria de biodiesel e SAF. A viabilidade econômica dependerá de escala, logística, organização de produtores e da consolidação de políticas de longo prazo para bioenergia, que definam metas estáveis e sinalizem segurança para investimento em sistemas perenes.

Fontes

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