Sustentabilidade

Entidades pressionam candidatos por compromisso com a agroecologia em SP

Organizações lançam carta de compromissos para que candidatos em SP assumam apoio à agroecologia, fim da pulverização aérea e incentivo à agricultura familiar.

13 de setembro de 2026 4 min de leitura
Entidades pressionam candidatos por compromisso com a agroecologia em SP

Organizações da sociedade civil em São Paulo lançaram uma carta de compromissos para que candidatos ao Executivo e ao Legislativo assumam apoio explícito à agroecologia, ao incentivo à agricultura familiar e ao combate à pulverização aérea de agrotóxicos. A iniciativa mira o calendário eleitoral de 2026 e busca vincular produção sustentável de alimentos à defesa da democracia e da segurança alimentar.

O que aconteceu

Quatro articulações puxam a campanha Agroecologia nas Eleições em SP: Articulação Paulista de Agroecologia, Movimento Urbano de Agroecologia (Muda), Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Coletivo Banquetaço. Elas elaboraram uma carta com propostas concretas e passaram a coletar assinaturas de quem disputa cargos no governo estadual e no parlamento.

Mais de 20 organizações da sociedade civil já subscrevem o documento, incluindo a Associação Brasileira de Reforma Agrária, o Fórum Paulista de Soberania e Segurança Alimentar e a seção paulista do MST. A adesão de candidatos funciona como registro público de apoio à agenda agroecológica.

A carta reúne demandas em três frentes principais: incentivo técnico e econômico à agricultura familiar, indígenas, quilombolas e assentados; democratização do acesso à terra e a recursos produtivos; e criação e apoio a hortas urbanas comunitárias com cultivo agroecológico e compostagem de resíduos orgânicos.

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Por que importa para o agro

Se a carta for incorporada em programas de governo e mandatos, tende a ampliar políticas de crédito, assistência técnica e compras públicas para produtores que adotam sistemas de base agroecológica. Isso pode abrir mercado estável para alimentos diferenciados, com mais valor agregado e maior conexão com programas de segurança alimentar.

Ao mesmo tempo, o foco na redução da pulverização aérea de defensivos e na fiscalização do uso de agrotóxicos impacta diretamente modelos produtivos convencionais. Produtores terão de ajustar manejo, faixas de proteção e práticas de aplicação, o que pode exigir investimentos em tecnologia e capacitação, mas também reduzir conflitos com comunidades, escolas e áreas de mananciais.

Dados e contexto

A agroecologia já aparece em políticas públicas federais em temas como Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e compras da merenda escolar, que priorizam agricultura familiar com produção sustentável. Em nível estadual e municipal, a rede da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) vem desde 2020 promovendo cartas-compromisso semelhantes em diferentes eleições.

Segundo o IBGE, a agricultura familiar responde por parcela relevante do abastecimento interno de hortaliças, frutas e parte significativa dos alimentos consumidos diariamente pelos brasileiros. Para esse público, linhas de crédito específicas e assistência técnica contínua são decisivas para migração de sistemas convencionais para modelos agroecológicos.

A carta paulista também dialoga com a Política Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana, ao defender que hortas comunitárias e projetos de produção em áreas urbanas recebam apoio permanente. Isso conecta o campo à cidade, amplia canais curtos de comercialização e fortalece circuitos locais de alimentos frescos.

Em relação aos defensivos, estudos de Embrapa e universidades apontam que faixas de proteção e boas práticas de aplicação reduzem deriva de produtos químicos e risco de contaminação de água e de pessoas. O pedido de restrições à pulverização aérea, especialmente perto de escolas e mananciais, segue essa direção de manejo mais seguro.

O que observar daqui pra frente

O ponto-chave será quantas candidaturas relevantes assinarão a carta e, principalmente, quantas transformarão o compromisso em políticas efetivas de crédito, assistência técnica e compras governamentais voltadas à agroecologia. Para o produtor, o cenário pode trazer novas oportunidades em nichos de alimentos saudáveis e mercados institucionais, mas também maior pressão regulatória sobre o uso de agrotóxicos e a forma de manejo da propriedade.

Fontes

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