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Enzima da USP aumenta em seis vezes a liberação de açúcar do bagaço de cana

Molécula identificada por pesquisadores da USP ampliou a liberação de açúcares do bagaço em testes de laboratório e pode favorecer o etanol de segunda geração.

11 de outubro de 2026 3 min de leitura
Enzima da USP aumenta em seis vezes a liberação de açúcar do bagaço de cana

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram uma enzima presente nas raízes da cana-de-açúcar capaz de ampliar em até seis vezes a liberação de açúcares do bagaço. O resultado foi obtido em testes de laboratório e pode contribuir para o avanço do etanol de segunda geração, produzido a partir de resíduos vegetais.

O que aconteceu

A molécula recebeu o nome de alfa-L-arabinofuranosidase, ou ASD. Ela foi encontrada durante estudos sobre os aerênquimas, estruturas porosas que se formam nas raízes da cana e ajudam a conduzir oxigênio dentro da planta.

A pesquisa foi conduzida pelo Laboratório de Fisiologia Ecológica de Plantas (Lafieco), do Instituto de Biociências da USP. O trabalho levou 17 anos e buscou entender como a própria cana remodela suas fibras durante o desenvolvimento.

Depois de isolar a enzima, os cientistas adicionaram a ASD a um coquetel enzimático comercial usado para quebrar a lignocelulose do bagaço. A combinação aumentou em até seis vezes a quantidade de açúcares liberados para etapas posteriores de processamento.

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Por que importa para o agro

O bagaço é um dos principais resíduos gerados pelas usinas. Parte desse material já é usada na cogeração de energia, mas também pode servir como matéria-prima para o etanol de segunda geração. O aproveitamento amplia a produção de combustível sem exigir necessariamente o plantio de uma área adicional.

Para as usinas, uma enzima mais eficiente pode reduzir perdas na etapa de sacarificação, que transforma a biomassa em açúcares fermentáveis. O ganho potencial envolve o uso mais completo da cana, com reflexos sobre produtividade industrial, eficiência energética e aproveitamento de subprodutos.

O resultado, porém, ainda não representa aumento de seis vezes na produção industrial de etanol. O número se refere à liberação de açúcares nos experimentos. A conversão em combustível depende de pré-tratamento, fermentação, recuperação e outras etapas do processo.

Dados e contexto

  • Seis vezes: aumento máximo observado na liberação de açúcares do bagaço em laboratório.
  • 17 anos: duração da pesquisa conduzida pelo Lafieco, da USP.
  • ASD: sigla usada para a enzima alfa-L-arabinofuranosidase.
  • Etanol de segunda geração: combustível produzido a partir de palha, bagaço e outros resíduos lignocelulósicos.
  • Safra 2024/25: o Brasil produziu cerca de 44 milhões de toneladas de açúcar e 36,1 bilhões de litros de etanol, segundo dados reunidos pela Embrapa.
A Embrapa descreve o processamento convencional da cana como uma sequência que inclui extração do caldo, purificação, evaporação, cristalização e centrifugação. A tecnologia da USP atua em outra frente: a conversão dos resíduos fibrosos em açúcares que podem ser fermentados.

O que observar daqui pra frente

Os próximos passos são testar a ASD em condições industriais, medir o custo de produção da enzima e avaliar sua estabilidade nos coquetéis comerciais. Também será necessário verificar o desempenho com diferentes variedades de cana e tipos de bagaço. Se os resultados forem mantidos em escala, a molécula poderá aumentar a eficiência do etanol de segunda geração e agregar valor aos resíduos das usinas.

Fontes

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