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Estudo da FGV Agro liga renegociação de dívidas à expansão do seguro rural

Análise da FGV Agro indica que ampliar o seguro rural é caminho para reduzir renegociações de dívidas e destravar o crédito privado no campo.

19 de agosto de 2026 4 min de leitura
Estudo da FGV Agro liga renegociação de dívidas à expansão do seguro rural

O novo estudo da FGV Agro aponta que a expansão do seguro rural é peça central para reduzir a renegociação recorrente de dívidas agrícolas e destravar o crédito, especialmente o privado. Em meio a cortes no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e aumento de inadimplência, o trabalho defende integrar seguro, crédito e finanças sustentáveis para manter o agronegócio capitalizado.

O que aconteceu

A FGV Agro analisou o cenário recente de crédito rural, inadimplência e desempenho do seguro rural no Brasil e concluiu que a prática recorrente de prorrogações e renegociações de dívidas está ligada à baixa difusão de instrumentos de gestão de risco, como o seguro rural. O estudo indica que, sem proteção adequada contra clima e volatilidade de preços, bancos e investidores exigem mais garantias, encarecem o crédito e reduzem limites.

Os pesquisadores defendem que políticas públicas migrem gradualmente de subsídio a juros para fortalecer o PSR, garantindo previsibilidade plurianual de recursos. Segundo a FGV Agro, a combinação de crédito privado, seguro rural e instrumentos de mercado de capitais é o caminho para um modelo menos dependente do Tesouro e menos sujeito a ondas de inadimplência e recuperação judicial.

A análise dialoga com outras notas técnicas do Observatório do Crédito e Seguro Rural da própria FGV Agro, que já alertaram que cortes no orçamento do PSR tiram do produtor um mitigador de risco relevante para o crédito, elevando a probabilidade de renegociações futuras.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, o recado é direto: sem seguro rural robusto, o acesso ao crédito tende a ficar mais caro e restrito, especialmente em momentos de quebra de safra ou queda de preços. Ao contrário, quando bancos enxergam cobertura de risco consistente, há espaço para prazos mais longos, taxas mais competitivas e maior apetite para financiar investimentos.

No nível de cadeia, a expansão do seguro rural reduz a imprevisibilidade de fluxos de caixa e protege cooperativas, indústrias e tradings que dependem da entrega física da safra. Menos renegociação significa menos ruptura de contratos, menor risco fiscal para o governo e ambiente mais favorável para entrada de capital privado, inclusive estrangeiro.

Dados e contexto

Estudos da FGV Agro e de pesquisadores associados mostram que o seguro rural reduz inadimplência e renegociações ao amortecer choques climáticos que, de outra forma, cairiam diretamente sobre o saldo devedor do produtor. O Ministério da Agricultura, por meio do Observatório Acadêmico do Seguro Rural, compila evidências de que o seguro melhora a qualidade do crédito e reduz risco sistêmico no campo.

Pesquisas acadêmicas apoiadas pelo MAPA indicam que famílias que utilizam seguro agrícola conseguem contratar cerca de 20% a 30% mais crédito em alguns recortes e mantêm maior estabilidade de produção ao longo dos anos. Em paralelo, análises de casos de renegociação de dívidas mostram que ondas de securitização e alongamento de prazos surgem, em geral, após eventos climáticos severos sem cobertura adequada.

A FGV Agro também chama atenção para o orçamento do PSR, que vem sofrendo cortes e bloqueios em anos recentes, reduzindo a área segurada e a previsibilidade para seguradoras e bancos. Em nota técnica, a fundação destaca que, quando não há garantia de subvenção, seguradoras embutem um “prêmio de incerteza” no preço e instituições financeiras perdem um mitigador de risco, o que se reflete em juros maiores ao produtor.

Nesse contexto, a recomendação central é reposicionar o seguro rural como política de proteção de renda e do crédito, e não apenas como despesa discricionária. A combinação de seguro agrícola, fundos garantidores e instrumentos de hedge de preços é vista como alternativa mais eficiente do que ciclos recorrentes de perdão ou alongamento de dívidas.

O que observar daqui pra frente

Produtores e agentes de mercado devem acompanhar a evolução do orçamento do PSR, a tramitação de projetos de lei sobre renegociação de dívidas e seguro rural, e o avanço de propostas de fundos garantidores setoriais. A tendência é que bancos passem a exigir mais evidências de gestão de risco – como apólices de seguro e travas de preço – na concessão de crédito, premiando quem adotar estratégias mais profissionais de proteção.

Fontes

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