Estudo propõe integrar rastreabilidade da soja e da carne bovina
WRI Brasil mapeia 21 iniciativas e defende um protocolo único para monitorar soja e carne, com foco em desmatamento e conformidade socioambiental.

Um estudo do WRI Brasil afirma que o país já tem instrumentos avançados para monitorar a soja e a carne bovina, mas ainda opera com sistemas fragmentados. A proposta é integrar essas ferramentas em um protocolo único, com impacto direto sobre desmatamento, acesso a mercados e exigências socioambientais.
O que aconteceu
O levantamento, lançado nesta terça-feira (28), mapeou 21 iniciativas de monitoramento e rastreabilidade nas duas cadeias. Foram analisadas 10 iniciativas da soja e 11 da carne bovina, com foco nos biomas Amazônia e Cerrado.[1][3]
Segundo o estudo, o problema não é falta de controle, mas falta de integração entre bases, protocolos e critérios. A recomendação central é criar uma linguagem técnica comum entre produtores, empresas, governos e compradores.[1][3]
Entre as sugestões estão usar a propriedade rural como unidade de monitoramento, adotar bases oficiais e cientificamente validadas, verificar conformidade com o Código Florestal e ampliar a checagem para fornecedores indiretos.[1][3]
Por que importa para o agro
Para o produtor, a integração pode reduzir duplicidade de exigências e dar mais clareza sobre o que será cobrado pelo mercado. Ao mesmo tempo, amplia a pressão por regularização fundiária, ambiental e trabalhista, já que a rastreabilidade passa a mirar toda a cadeia.[1][3]
Para exportadores e frigoríficos, o efeito é comercial. O estudo destaca que a cooperação com grandes mercados compradores é decisiva para destravar negócios e atender regras de cadeias livres de desmatamento, tema cada vez mais presente nas compras internacionais.[1][3]
Dados e contexto
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Iniciativas mapeadas | **21** |
| Cadeia da soja | **10** iniciativas |
| Cadeia da carne bovina | **11** iniciativas |
| Foco geográfico | Amazônia e Cerrado |
| Instituto responsável | **WRI Brasil** |
O estudo também cita a adoção de auditorias independentes, relatórios de transparência e mecanismos para reintegrar fornecedores após correções. Outra proposta é monitorar o desmatamento ilegal com base no marco temporal de 2008 e em metas de desmatamento zero após agosto de 2020.[1][3]
Na pecuária, o tema dialoga com o Plano Nacional de Identificação de Bovinos (Pnib), lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária em dezembro de 2024. O plano prevê implantação progressiva da rastreabilidade individual obrigatória em oito anos.[2]
O que observar daqui pra frente
O principal ponto será a capacidade de transformar propostas técnicas em padrão de mercado. Se houver convergência entre governo, empresas e compradores, a rastreabilidade pode ganhar escala mais rápido. Se continuar pulverizada, o custo de conformidade tende a subir e a adesão fica mais lenta.[1][2][3]
Também vale acompanhar como o setor vai tratar fornecedores indiretos, que seguem como um dos maiores gargalos na pecuária. Na soja, a tendência é avançar na vinculação entre CAR, nota fiscal e dados de produção para fechar brechas de origem.[1][2][4]
Fontes
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