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Etanol avança com demanda interna e novos mercados

A expansão do etanol brasileiro combina aumento do consumo, mistura obrigatória na gasolina e oportunidades em setores de difícil descarbonização.

01 de outubro de 2026 4 min de leitura
Etanol avança com demanda interna e novos mercados

O mercado brasileiro de etanol entra em uma fase de expansão sustentada por maior consumo interno, aumento da mistura obrigatória na gasolina e abertura de novos mercados. A produção nacional, que somava cerca de 31,3 bilhões de litros na safra 2022/23, pode alcançar 41,6 bilhões de litros em 2026/27. O movimento amplia oportunidades para usinas, produtores de cana e milho e fornecedores de tecnologia.

O que aconteceu

A demanda por etanol hidratado deve crescer nos próximos anos, impulsionada pela recuperação do consumo de combustíveis e pela competitividade do biocombustível nos postos. Em 2025, o Brasil substituiu 45,6% da gasolina por etanol, considerando o equivalente energético. Em Mato Grosso, esse índice chegou a 67,2%; em São Paulo, a 58,9%; e em Goiás, a 57,7%.

A elevação da mistura de etanol anidro na gasolina também cria demanda adicional. A mudança de E30 para E32 pode acrescentar aproximadamente 1 bilhão de litros por ano ao consumo de anidro, segundo estimativas da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Na comparação com a mistura de 27%, o aumento potencial chega a 2,4 bilhões de litros anuais.

Além do mercado de combustíveis leves, empresas do setor buscam aplicações em transporte pesado, aviação, navegação e produção de combustíveis de menor intensidade de carbono. Esses segmentos exigem escala, regularidade de fornecimento e comprovação ambiental.

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Por que importa para o agro

A expansão do etanol aumenta a demanda por matérias-primas e pode melhorar a utilização industrial da cana e do milho. O etanol de milho ganhou espaço no Centro-Oeste, região que concentra novas plantas e disponibilidade de grãos. Para o produtor, isso amplia as alternativas de comercialização, mas também eleva a dependência de logística, armazenagem e contratos bem estruturados.

Para as usinas, o crescimento do consumo reduz a concentração em um único produto. A mesma matéria-prima pode gerar etanol, açúcar, energia elétrica, óleo, farelo e outros coprodutos. A estratégia fortalece a receita, mas exige investimentos em eficiência, gestão de risco e controle de custos.

Dados e contexto

| Indicador | Dado |---|---:| | Produção projetada de etanol em 2026/27 | 41,6 bilhões de litros | | Produção na safra 2022/23 | 31,3 bilhões de litros | | Consumo interno de hidratado em 2025 | Cerca de 19 bilhões de litros | | Consumo interno de anidro em 2025 | Cerca de 13 bilhões de litros | | Exportações de etanol em 2025 | Aproximadamente 1,7 bilhão de litros | | Demanda adicional estimada com E32 | Cerca de 1 bilhão de litros por ano |

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), com dados do Ministério de Minas e Energia, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do Ministério da Agricultura, aponta produção de 29,7 bilhões de litros de etanol de cana e 7,6 bilhões de litros de milho em 2024. A Conab estima que o etanol de milho pode atingir 11,91 bilhões de litros na safra 2026/27.

O mercado doméstico continua sendo o principal destino da produção brasileira. As exportações complementam a receita, mas estão sujeitas à concorrência internacional, ao câmbio, às tarifas e à demanda dos Estados Unidos e de outros compradores.

O que observar daqui pra frente

O avanço do etanol dependerá da efetiva adoção das misturas maiores, da evolução dos preços relativos entre gasolina e biocombustível e da capacidade de expansão das usinas. Também será necessário acompanhar possíveis períodos de sobreoferta, custos de milho e cana, gargalos logísticos e a remuneração por atributos ambientais. Créditos de carbono e combustíveis sustentáveis podem abrir novas receitas, desde que tenham certificação e demanda consistente.

Fontes

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