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Etanol de milho e canola ampliam desafios para o trigo no Brasil

A expansão do etanol de milho e da canola aumenta a competição por área e exige mais eficiência da cadeia brasileira de trigo.

24 de outubro de 2026 3 min de leitura
Etanol de milho e canola ampliam desafios para o trigo no Brasil

A expansão do etanol de milho e o avanço da canola estão mudando as decisões de plantio no Brasil. As culturas disputam área, investimento e logística com o trigo, que já depende de importações para atender ao consumo interno. O cenário aumenta a pressão sobre produtores, moinhos e formuladores de políticas agrícolas.

O que aconteceu

A produção brasileira de trigo enfrenta uma combinação de problemas climáticos, custos elevados e concorrência com outras culturas. No Paraná, parte dos produtores tem optado pelo milho safrinha, favorecido pela demanda crescente das usinas de etanol e pela possibilidade de melhor retorno econômico.

A canola também ganhou espaço como alternativa de inverno, principalmente no Sul. Além de atender à indústria de óleos, a cultura pode participar da produção de biocombustíveis. Para o produtor, a escolha depende de preço, produtividade, liquidez, risco climático e disponibilidade de contratos.

O trigo permanece essencial para a indústria de farinha, massas, biscoitos e panificação. Porém, a oferta nacional não cobre o consumo. Em 2024, o Brasil importou cerca de 7 milhões de toneladas, segundo a Embrapa, mantendo a dependência externa.

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Por que importa para o agro

A competição por área pode reduzir o plantio de trigo quando milho ou canola oferecem maior previsibilidade de receita. Menor área cultivada significa maior necessidade de importação e maior exposição do mercado brasileiro a preços internacionais, câmbio, fretes e condições de oferta na Argentina.

Para os moinhos, a menor disponibilidade doméstica eleva o risco de falta de matéria-prima e de variação na qualidade. Para o produtor, o trigo só continuará competitivo com ganhos de produtividade, cultivares adaptadas, melhor comercialização e políticas que reduzam o custo de produção e armazenagem.

Dados e contexto

  • A Conab estimou para a safra 2025/26 área de 2,7 milhões de hectares e produção de 8,26 milhões de toneladas em relatório de maio de 2025.
  • A mesma projeção indicava importação de aproximadamente 5,8 milhões de toneladas para complementar o abastecimento.
  • A Embrapa classifica o trigo como a única grande cadeia de grãos em que o Brasil ainda não é autossuficiente.
  • Problemas como excesso de chuva, germinação na espiga, giberela e baixa capacidade de armazenamento afetam a qualidade e a rentabilidade da cultura.
  • O etanol de milho cria uma demanda adicional pelo cereal, especialmente em regiões com usinas próximas e logística favorável.
O desafio não é apenas produzir mais. É produzir trigo com qualidade industrial, em regiões competitivas e com menor risco de perdas. A ausência de armazenagem adequada também obriga o setor a alternar importações e exportações para equilibrar oferta e demanda.

O que observar daqui para frente

Produtores devem comparar a margem do trigo com milho safrinha e canola antes da decisão de plantio, considerando custos, seguro, liquidez e risco climático. O mercado acompanhará a expansão das usinas de etanol, os contratos para canola, o desempenho da safra argentina e as medidas do governo para reduzir a dependência externa. Ganhos de produtividade e integração regional serão decisivos para preservar espaço ao trigo.

Fontes

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