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Etanol de milho pode representar até 45% da produção em dez anos

Unem projeta que o etanol de milho dobre de volume e alcance até 45% da produção nacional na próxima década.

04 de outubro de 2026 4 min de leitura
Etanol de milho pode representar até 45% da produção em dez anos

O etanol de milho pode responder por 40% a 45% da produção brasileira de etanol na próxima década. A projeção é da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), que estima dobrar o volume fabricado no país. O avanço amplia o mercado interno para o cereal e reforça a diversificação da matriz de biocombustíveis.

O que aconteceu

Segundo Amauri Pekelman, presidente-executivo da Unem, a produção brasileira de etanol de milho está próxima de 10 bilhões de litros. A entidade estima acrescentar outros 10 bilhões de litros ao volume atual nos próximos dez anos.

A expansão acompanha a instalação de novas unidades industriais e o aumento do processamento de milho, principalmente no Centro-Oeste. Mato Grosso concentra parte relevante das plantas e também possui forte produção de milho de segunda safra, principal fonte de abastecimento das usinas.

A projeção ocorre em um momento de crescimento acelerado do segmento. Para a safra 2026/27, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho, alta de 17% em relação ao ciclo anterior.

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Por que importa para o agro

O avanço cria uma alternativa adicional de comercialização para o produtor de milho. Com mais unidades consumidoras próximas às regiões produtoras, parte do cereal pode ser direcionada ao mercado interno, reduzindo a dependência das exportações e ampliando a concorrência entre compradores.

A indústria também gera coprodutos, como o DDG, utilizado na alimentação animal. A oferta de energia, proteína e óleo a partir do processamento melhora o aproveitamento do grão e aproxima as cadeias de grãos, etanol e pecuária.

Para as usinas, a expansão depende de oferta regular de milho, logística eficiente e margens capazes de absorver oscilações nos preços do cereal e do combustível. O crescimento, portanto, pode elevar a demanda, mas não elimina os riscos de mercado.

Dados e contexto

IndicadorNúmero ou projeção
Produção atual de etanol de milhoCerca de 10 bilhões de litros
Produção estimada em dez anosCerca de 20 bilhões de litros
Participação projetada no etanol nacional40% a 45%
Estimativa da Conab para 2026/2711,91 bilhões de litros
Produção brasileira de milho em 2026/27Cerca de 148 milhões de toneladas

A Conab projeta produção total de 41,88 bilhões de litros de etanol no Brasil em 2026/27, considerando as matérias-primas milho e cana-de-açúcar. No mesmo ciclo, a produção nacional de milho pode chegar a aproximadamente 148 milhões de toneladas.

O Centro-Oeste permanece como principal polo do etanol de milho. A disponibilidade de milho de segunda safra, a expansão da produção regional e a instalação de biorrefinarias sustentam a concentração industrial nessa área.

O que observar daqui para frente

O setor deve acompanhar a velocidade de implantação das novas plantas, a oferta de milho e a capacidade logística para transportar grãos e coprodutos. Também serão decisivos os preços do etanol, do milho e dos derivados utilizados na nutrição animal. Para o produtor, contratos com usinas e alternativas de comercialização podem ganhar importância, mas exigem avaliação de custos, distância e risco de preço.

Fontes

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