Mercado

Etanol fica mais vantajoso que gasolina em 8 estados e no DF

Levantamento da ANP mostra que o etanol superou a gasolina em competitividade em oito estados e no Distrito Federal, com impacto direto no consumo e na demanda por cana.

20 de junho de 2026 4 min de leitura
Etanol fica mais vantajoso que gasolina em 8 estados e no DF

O etanol hidratado foi mais competitivo que a gasolina em oito estados e no Distrito Federal na semana de 14 a 20 de junho, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).[3] A mudança na paridade de preços favorece o biocombustível em regiões com forte produção de cana e milho, e tende a mexer com mix das usinas, logística e margens do produtor.

O que aconteceu

Levantamento com base nos preços médios da ANP mostrou que o etanol hidratado ficou abaixo de 70% do valor da gasolina em oito estados e no DF, patamar considerado de vantagem econômica para o consumidor que roda na bomba.[3] Em outros estados, o biocombustível ainda não atingiu essa faixa, mas vem reduzindo a diferença.

A competitividade é calculada dividindo o preço do litro do etanol pelo da gasolina; abaixo de 70%, o álcool tende a compensar o menor rendimento energético.[1][3] Em semanas anteriores, o etanol era mais competitivo em bem menos unidades da federação, o que indica avanço recente do biocombustível frente ao derivado de petróleo.[1][4][5]

O movimento reflete maior oferta em regiões produtoras, recuo pontual de preços nas usinas e ajustes na política de preços da gasolina nas refinarias e distribuidoras.[2][3] Em estados onde a produção local é forte, o custo logístico menor também favorece o etanol na bomba.[2]

Imagem

Por que importa para o agro

Para o produtor de cana e de milho, a melhora na competitividade do etanol tende a sustentar o consumo doméstico, reduzir estoques e trazer algum fôlego às cotações do hidratado ao longo da safra.[2] Com mais carros abastecendo com etanol, usinas podem direcionar uma fatia maior da cana para o combustível, ajustando o mix entre açúcar e etanol conforme preço e demanda.

O avanço do etanol também reforça a agenda de biocombustíveis e descarbonização, com impacto direto na receita de usinas inseridas no RenovaBio e na geração de CBios. Em regiões canavieiras, maior demanda por etanol ajuda a manter moagem ativa, preserva empregos rurais e pode estimular investimentos em renovação de canaviais e em etanol de milho e de segunda geração.[2][7]

Dados e contexto

A lógica de competitividade se apoia na paridade etanol/gasolina:

IndicadorReferência de mercado
Limite de competitividade~**70%** do preço da gasolina[1][3]
Brasil (média recente, ex.)**71,41%**, nível ainda desfavorável ao etanol em âmbito nacional[1]

Pontos-chave do momento:

  • Em oito estados e no DF, a paridade ficou abaixo de 70%, favorecendo o etanol na bomba.[3]
  • Em outros estados, a relação ainda é superior a 70%, mantendo a gasolina como opção mais econômica.[1][3]
  • A ANP é a base oficial de acompanhamento de preços médios semanais de combustíveis no varejo.
  • Projeções de analistas indicam produção robusta de etanol de cana e de milho, o que tende a manter oferta elevada e pressão baixista nos preços do biocombustível em alguns momentos da safra.[2]
  • No mercado internacional, mudanças no uso de etanol na gasolina dos EUA podem reduzir o excedente americano e abrir espaço para o produto brasileiro, influenciando expectativas de preço interno.[7]
Para o agro, o ponto central é o equilíbrio entre preço recebido pela usina e giro na bomba: etanol caro perde competitividade; etanol competitivo aumenta volume vendido e pode compensar margens mais apertadas com escala.

O que observar daqui pra frente

Produtores e usinas devem acompanhar a evolução da paridade etanol/gasolina por estado, o ritmo da safra de cana no Centro-Sul e a produção de etanol de milho, além da política de preços de combustíveis fósseis. A combinação de oferta elevada, possível aumento de consumo de etanol nas regiões onde o biocombustível já é mais competitivo e eventuais movimentos no mercado internacional pode redefinir o mix açúcar/etanol e a rentabilidade do setor ao longo do ano.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo