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Etanol recua em 22 estados e média nacional vai a R$ 3,91

Etanol hidratado cai em 22 estados e leva a média nacional a R$ 3,91 por litro, abrindo espaço para ajuste de custos na cadeia sucroenergética.

24 de agosto de 2026 4 min de leitura
Etanol recua em 22 estados e média nacional vai a R$ 3,91

O preço do etanol hidratado caiu em 22 estados e no Distrito Federal, levando a média nacional de R$ 3,94 para R$ 3,91 por litro na semana analisada pela ANP. O movimento indica maior competitividade frente à gasolina e afeta diretamente margens de usinas, postos e produtores de cana-de-açúcar, em plena safra do Centro-Sul.

O que aconteceu

Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), compilado pelo AE-Taxas, mostra que o etanol teve queda média de 0,76% no país, saindo de R$ 3,94 para R$ 3,91 por litro entre 9 e 15 de agosto. Em boa parte dos estados, o recuo consolidou a sequência de semanas de ajuste nos preços de combustíveis.

Houve alta apenas em poucos mercados, com estabilidade em alguns estados e ausência de cotação no Amapá. O etanol segue oscilando conforme o ritmo da safra de cana, a produção nas usinas e a competitividade frente à gasolina C, que continua sendo o principal concorrente nas bombas.

Nos maiores estados produtores, como São Paulo e Minas Gerais, o movimento reforça o papel do etanol como alternativa mais barata em várias praças. Em capitais com melhor logística e forte presença de usinas, o biocombustível já mostra vantagem econômica clara sobre a gasolina, estimulando seu uso.

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Por que importa para o agro

Para o produtor de cana-de-açúcar, a queda no preço do etanol de varejo sinaliza pressão sobre a remuneração da matéria-prima, especialmente em usinas mais expostas ao mercado interno. A formação de preço do etanol hidratado no posto reflete, com atraso, a dinâmica de vendas das usinas e pode limitar ganhos em momentos de safra cheia.

Na cadeia sucroenergética, esse recuo reforça a necessidade de gestão fina entre produção de açúcar e etanol. Com o açúcar em patamar firme no mercado internacional, muitas unidades tendem a direcionar mais caldo para o cristal, buscando compensar a perda de margem no etanol combustível. Isso impacta oferta futura e pode alterar o equilíbrio entre energia renovável e alimento.

Dados e contexto

A ANP monitora semanalmente os preços médios de combustíveis em todo o país, baseados em dados de revenda informados pelos postos.

Principais pontos da semana analisada:

  • 22 estados registraram queda no preço médio do etanol hidratado.
  • Houve alta em apenas um estado, com estabilidade em outros dois e sem cotação no Amapá.
  • A média nacional recuou 0,76%, de R$ 3,94 para R$ 3,91 por litro.
  • A variação ocorre em meio à safra do Centro-Sul, quando o volume de etanol ofertado ao mercado costuma aumentar.
Em relatórios recentes, a ANP mostra que o preço médio do etanol vinha se mantendo próximo de R$ 4,00 por litro, com leve viés de queda ao longo de julho e agosto. A movimentação acompanha também dados de empresas privadas, como Edenred Ticket Log, que apontam o menor preço médio do ano para o etanol em agosto, com recuo superior a 3% em relação à quinzena anterior.

Esse cenário dialoga com a alta do açúcar nos mercados internacionais e com indicadores de etanol hidratado no atacado, como o Cepea/Esalq, que mostram avanços semanais nos valores negociados entre usinas e distribuidoras. A compressão da margem entre preço de usina e preço de bomba tende a ser repassada ao produtor na negociação da cana.

IndicadorValor / Variação

| Média nacional etanol (ANP) | R$ 3,91/litro | | Variação semanal | -0,76% | | Movimento por estados | Queda em 22 unidades federativas |

O que observar daqui pra frente

O setor deve acompanhar a relação de preço etanol x gasolina nas principais praças, já que a competitividade do biocombustível pode ampliar consumo e reduzir a pressão baixista nas usinas. A estratégia das unidades entre açúcar e etanol, a evolução da safra medida por Conab e os relatórios da ANP sobre preços semanais vão indicar se essa fase de recuo de preços ao consumidor tende a se estabilizar ou se abre espaço para recuperação das cotações ao longo da entressafra.

Fontes

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