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Demanda firme leva soja aos maiores preços desde abril de 2023

Demanda aquecida interna e externa empurra a soja no Brasil aos maiores níveis nominais desde abril de 2023, com suporte de China e indústria local.

24 de agosto de 2026 4 min de leitura
Demanda firme leva soja aos maiores preços desde abril de 2023

Os preços da soja no Brasil voltaram a subir com força e atingiram os maiores patamares nominais diários desde abril de 2023, segundo os Indicadores CEPEA/ESALQ para Paranaguá e Paraná. A combinação de demanda externa aquecida, puxada pela China, e maior procura da indústria doméstica reduziu a oferta disponível e elevou os prêmios e a liquidez.

O que aconteceu

Nos últimos dias, o mercado brasileiro de soja registrou alta consistente nas cotações físicas, tanto no porto quanto no interior, impulsionada pela maior competição entre exportadores e indústrias. Compradores internos intensificaram as aquisições para recompor estoques e garantir matéria-prima para esmagamento, ao mesmo tempo em que a demanda internacional por grão brasileiro se manteve firme.

Com esse movimento, os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e Paraná avançaram ao maior nível nominal em mais de um ano, reduzindo a pressão baixista vista em meses anteriores. Em alguns portos, negócios se aproximam da faixa de R$ 150–155 por saca de 60 kg, enquanto no interior as referências seguem alguns reais abaixo, mas em clara trajetória de recuperação.

Pesquisadores do Cepea destacam que a menor disposição de venda por parte dos produtores, típica de entressafra e de quem já cobriu os principais compromissos financeiros, também contribui para sustentar os preços. Com menos soja disponível no spot, os compradores precisam melhorar as ofertas para fechar novos lotes.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, a retomada dos preços abre janela de comercialização mais atrativa para saldos remanescentes da safra 2023/24 e para travar parte da safra 2024/25. A valorização ajuda a recompor margens apertadas por custos ainda elevados de fertilizantes, defensivos e arrendamentos, e melhora a relação de troca com insumos.

Do lado da cadeia industrial e exportadora, a alta reforça a competitividade do Brasil no mercado global, mas limita a margem de esmagadoras e tradings, que precisam ajustar originação e hedge em bolsa e câmbio. A disputa por grão tende a manter o mercado aquecido, com efeito sobre preços de farelo e óleo de soja, importantes para a pecuária e para o biodiesel.

Dados e contexto

A leitura dos indicadores mostra um mercado mais apertado e sensível à demanda no curto prazo. Dados recentes do Cepea e de consultorias privadas apontam:

  • Indicador CEPEA/ESALQ Paranaguá: alta semanal em torno de 5%, com cotações próximas de R$ 155/sc de 60 kg.
  • Indicador CEPEA/ESALQ Paraná: ganho ao redor de 4–5% na semana, também no maior nível nominal desde abril de 2023.
  • Média do balcão (valor pago ao produtor) nas praças acompanhadas pelo Cepea: avanço próximo de 3–4% na semana.
  • Negócios entre empresas (mercado de lotes): aumento em torno de 3% no mesmo período.
Esses números se somam ao movimento internacional. A USDA vem sinalizando forte presença do Brasil na oferta global, enquanto a China mantém o país como principal fornecedor de soja. Ao mesmo tempo, o crescimento da demanda por óleo de soja para alimentação e biocombustíveis, monitorado por entidades como USDA e Agência Nacional do Petróleo (ANP), reforça o interesse das indústrias pelo grão para esmagamento.

A Conab estima que o Brasil siga como maior produtor e exportador mundial de soja, o que torna o comportamento interno de preços altamente sensível a movimentos de prêmios de exportação, câmbio e expectativas de safra na América do Sul e nos Estados Unidos. Em cenário de demanda firme, qualquer ajuste de oferta rapidamente se reflete nas cotações físicas.

O que observar daqui pra frente

Produtores e agentes da cadeia devem acompanhar de perto três pontos: evolução da demanda chinesa nos próximos meses, comportamento dos prêmios de exportação nos portos brasileiros e andamento das lavouras da nova safra no Brasil e nos EUA. Se a demanda externa seguir forte e o produtor continuar retendo oferta, o mercado pode manter preços firmes, abrindo oportunidades para fixar parte da produção em níveis mais rentáveis.

Fontes

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