Etanol recua nas usinas paulistas e melhora competitividade frente à gasolina
Preços do etanol hidratado e anidro caem nas usinas de São Paulo, segundo Cepea, e mudam a conta para distribuidoras, postos e produtores de cana.
Os preços do etanol hidratado e do etanol anidro caíram nas usinas de São Paulo na última semana, segundo levantamento do Cepea. O movimento pressiona as margens das usinas, mas aumenta a competitividade do biocombustível frente à gasolina nas bombas, com reflexos imediatos para o mercado sucroenergético do maior estado produtor do país.
O que aconteceu
O Cepea apurou que o etanol hidratado foi negociado em média a R$ 2,2166 por litro, contra R$ 2,2315 por litro na semana anterior, uma queda semanal de 0,67%.[3] O hidratado é o produto vendido diretamente às distribuidoras para uso como combustível em veículos flex.
No caso do etanol anidro, misturado à gasolina A nas refinarias, a média ficou em R$ 2,5532 por litro, abaixo dos R$ 2,5731 por litro da semana anterior, recuo de 0,77%.[3] A queda reflete vendas mais cadenciadas e maior interesse das usinas em negociar para fazer caixa.
Segundo o Cepea, parte das usinas manteve estratégia de liberar volumes para atender à demanda das distribuidoras, enquanto outra parte segurou o produto, apostando em possível melhora de preços mais adiante na safra.[3] A combinação de oferta firme e consumo ajustado puxou os valores médios para baixo.
Por que importa para o agro
A baixa dos preços nas usinas reduz a receita imediata do setor sucroenergético, principalmente para unidades mais alavancadas ou com custo industrial elevado. Em regiões em que a cana-de-açúcar é destinada majoritariamente ao etanol, o recuo limita o espaço para prêmios ao produtor e pode segurar reajustes no valor da tonelada de cana.
Por outro lado, o movimento favorece a competitividade do etanol frente à gasolina, o que tende a sustentar o consumo interno ao longo da safra. Com o preço mais atrativo nas bombas, o mix de produção pode se manter voltado ao etanol, ajudando a escoar a oferta e reduzindo o risco de excesso de produto em tanques, algo relevante para a gestão de caixa das usinas.
Dados e contexto
São Paulo é o principal produtor de etanol do país, concentrando grande parte da moagem de cana-de-açúcar do Centro-Sul, região que responde por mais de 85% da produção brasileira de etanol, segundo dados históricos de Conab e MAPA.
O Cepea monitora semanalmente as negociações de etanol nas usinas paulistas, servindo de referência para contratos e negociações entre usinas e distribuidoras.[3] As variações percentuais parecem pequenas, mas em grandes volumes têm impacto relevante sobre margens e fluxo de caixa.
A remuneração do produtor de cana é influenciada de forma direta pelos preços do etanol e do açúcar, via contratos de fornecimento e participação nos resultados das usinas. Em estados como São Paulo, Paraná e Minas Gerais, boa parte dos fornecedores acompanha de perto as séries de preços divulgadas por Cepea, Conab e indicadores privados para decidir sobre renovação de canaviais, investimento em tecnologia e diversificação do portfólio.
Para o consumidor, a relação etanol/gasolina na bomba segue como variável-chave. Em geral, o etanol é considerado mais vantajoso quando custa até cerca de 70% do preço da gasolina, patamar usado por analistas de mercado com base na diferença de rendimento energético entre os combustíveis.
O que observar daqui pra frente
Produtores, usinas e distribuidores devem acompanhar o ritmo da colheita no Centro-Sul, a política de preços da Petrobras para a gasolina e eventuais mudanças tributárias sobre combustíveis. Uma combinação de safra cheia, gasolina estável ou em alta e câmbio volátil pode reforçar a competitividade do etanol nas bombas, mas também pressionar margens industriais, exigindo maior eficiência operacional e gestão de risco por parte do setor sucroenergético.
Fontes
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