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Europa avalia restringir uso da soja e acende alerta de perdas bilionárias ao Mercosul

Mudança em política europeia de biocombustíveis pode tirar soja do radar e ameaçar até € 85 bilhões em exportações do Mercosul ao longo do acordo.

22 de junho de 2026 4 min de leitura
Europa avalia restringir uso da soja e acende alerta de perdas bilionárias ao Mercosul

A União Europeia discute restringir o uso de soja na produção de biocombustíveis por considerá-la de alto risco de desmatamento, o que pode reduzir fortemente a demanda pelo produto do Mercosul. A mudança colocaria em xeque parte das exportações agrícolas ao bloco e acende alerta de impacto estimado em até € 85 bilhões ao longo da vigência do acordo comercial Mercosul–UE.

O que aconteceu

A Comissão Europeia revisa sua política de energias renováveis e avalia classificar a soja como matéria-prima de alto risco de mudança indireta de uso da terra (ILUC), o que restringe sua participação nas metas de biocombustíveis do bloco.[1] Na prática, isso significa reduzir gradualmente o peso do óleo de soja na matriz energética europeia até praticamente zerar sua contribuição em poucos anos.[1]

Essa reclassificação ocorre em um contexto de maior pressão ambiental dentro da Europa e de implementação do acordo Mercosul–União Europeia, que amplia o acesso de produtos agrícolas do bloco sul-americano ao mercado europeu.[2][3] Entidades do Mercosul veem contradição entre abertura tarifária e novas barreiras regulatórias que, na prática, podem limitar a entrada de soja, carnes e outros produtos associados a risco de desmatamento.

Governos e setor privado da região temem que o endurecimento ambiental funcione como barreira não tarifária adicional, reduzindo os ganhos projetados com o acordo. Estudos apontam que a liberalização europeia poderia beneficiar fortemente o agro do Mercosul, mas cotas, salvaguardas e exigências ambientais já limitam parte desse potencial.[3][4]

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Por que importa para o agro

A soja é um dos pilares da balança comercial do Brasil e dos demais países do Mercosul. Qualquer redução estrutural da demanda europeia por óleo de soja para biocombustíveis tende a pressionar prêmios, margens e planejamento de esmagadoras e tradings, afetando também a renda do produtor na ponta.

Mesmo que Europa não seja o maior comprador de grão, o mercado europeu é relevante para óleo e farelo, além de definir referências regulatórias globais. Se a UE consolidar soja como insumo “problemático” do ponto de vista ambiental, outros importadores podem seguir caminho semelhante, elevando a importância de comprovar rastreabilidade e conformidade ambiental nas cadeias do Mercosul.

Dados e contexto

  • A UE já incluiu a soja entre os produtos de alto risco ILUC, ligados a possível desmatamento indireto associado à expansão de áreas agrícolas.[1]
  • Com essa classificação, o óleo de soja tende a ser gradualmente excluído do cumprimento das metas europeias de uso de biocombustíveis até 2030.[1]
  • Em 2022, cerca de 19% das exportações totais do Mercosul tiveram como destino a União Europeia, segundo estudo acadêmico sobre o acordo.[4]
  • No capítulo agrícola do acordo Mercosul–UE, a Europa se compromete a liberalizar cerca de 82% de suas importações agrícolas do bloco, mas com cotas e salvaguardas para produtos sensíveis.[3][4]
  • Estimativas citadas por negociadores apontam risco de até € 85 bilhões em perdas potenciais ao longo da vigência do acordo se barreiras ambientais e regulatórias reduzirem o espaço para produtos do Mercosul.
  • Já análises da Confederação Nacional da Indústria indicam que, sem novas restrições, o acordo poderia zerar tarifas de cerca de 80% das exportações brasileiras à Europa, favorecendo também o agro.[2]
Indicador chaveSituação envolvendo UE e Mercosul
Classificação da sojaProduto de alto risco ILUC, com restrição em biocombustíveis[1]
Participação da UE nas exportações do Mercosul (2022)19%[4]
Importações agrícolas da UE a liberalizar82% dos itens do Mercosul[3][4]
Potencial de impacto estimadoAté € 85 bilhões ao longo do acordo

O que observar daqui pra frente

O produtor e o setor de grãos devem acompanhar três frentes: definição final das regras europeias de biocombustíveis para soja, avanço das normas de rastreabilidade e desmatamento zero para exportação à UE e reação de outros mercados-chave, como China e países asiáticos. Quem se antecipar com comprovação de origem, adequação ambiental e diversificação de destinos tende a enfrentar melhor eventuais cortes de demanda europeia e preservar competitividade no médio prazo.

Fontes

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