Gestão

Evento debate caminhos para ampliar a liderança feminina no agro

Encontro A Protagonista Summit discute como destravar a presença de mulheres em cargos de decisão no agronegócio e acelerar a diversidade nas empresas.

20 de agosto de 2026 4 min de leitura
Evento debate caminhos para ampliar a liderança feminina no agro

Um encontro em São Paulo, o A Protagonista Summit, reúne especialistas, executivas e produtoras rurais para discutir como ampliar a presença de mulheres em cargos de liderança no agronegócio. O foco é transformar o discurso de diversidade em metas claras, indicadores e mudanças práticas na gestão das empresas do setor.

O que aconteceu

O evento, promovido pela plataforma A Protagonista, do Canal Rural, acontece no auditório da ESPM, com transmissão ao vivo pelos canais digitais. O público-alvo reúne lideranças do agro, profissionais de recursos humanos, empreendedoras, sucessoras em propriedades rurais e estudantes ligadas ao campo.

A programação foi organizada em quatro eixos: progressão e carreira, indicadores e governança, cultura e parentalidade e futuro da liderança feminina. Em cada bloco, especialistas abordam gargalos concretos que travam a ascensão das mulheres, como falta de patrocínio interno, vieses em promoções e ausência de metas de diversidade.

Entre os temas dos painéis estão panorama atual da liderança feminina, redes de apoio, autoconfiança e modelos de patrocínio ativo dentro das empresas. O objetivo é sair do encontro com referências práticas de políticas, programas de capacitação e ferramentas de gestão que possam ser aplicadas no dia a dia do agro.

Por que importa para o agro

A profissionalização da gestão é hoje um divisor de águas para a competitividade do agro, e diversidade em cargos de comando entra nesse pacote. Empresas que ampliam a participação feminina em conselhos, diretorias e gerências tendem a ganhar em inovação, governança e relacionamento com mercados mais exigentes em ESG.

Além disso, o campo vive um processo intenso de sucessão familiar. Em muitas propriedades, filhas e esposas já lideram finanças, gestão de pessoas e relacionamento com fornecedores, mas ainda não aparecem formalmente como diretoras ou sócias-administradoras. Debates como o do summit ajudam a alinhar governança, planejamento sucessório e reconhecimento efetivo desse protagonismo.

Dados e contexto

Segundo o Censo Agropecuário do IBGE, mulheres já respondem por cerca de 19% das propriedades rurais como produtoras responsáveis, mas continuam sub-representadas em conselhos e diretorias de grandes grupos do agro.

A Embrapa mostra em estudos sobre perfil do produtor que cresce a presença feminina em atividades de maior intensificação tecnológica, como horticultura, pecuária leiteira, agroindústrias artesanais e gestão de indicadores produtivos.

No mercado de trabalho formal, dados do Caged e da RAIS indicam aumento da participação de mulheres em funções técnicas e de nível superior ligadas ao campo, mas com queda visível à medida que se sobe na hierarquia de cargos.

Alguns pontos de referência para o setor:

IndicadorSituação resumida
Propriedades rurais com mulheres na gestãoCerca de **1 em cada 5** estabelecimentos agropecuários têm liderança feminina principal
Mulheres em cargos de comando em grandes empresas do agroPercentual ainda baixo, concentrado em áreas administrativas, marketing e sustentabilidade

| Avanço em sucessão familiar | Cresce a presença de filhas assumindo a gestão, mas muitas ainda sem participação societária formal |

Entidades como CNA, Senar e federações de agricultura estaduais já mantêm comissões de mulheres no agro e programas de formação de lideranças, o que cria uma base de quadros preparados para ocupar posições estratégicas.

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e empresas deverão acompanhar se discussões como as do A Protagonista Summit se convertem em metas claras de diversidade, programas de formação de lideranças femininas e ajustes na governança das fazendas. Para quem está no campo, a oportunidade é usar esse movimento para estruturar melhor a sucessão, profissionalizar a gestão e conectar o negócio rural às exigências de investidores, bancos e compradores que já cobram indicadores de inclusão nas cadeias do agro.

Fontes

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