Expectativa de alta da mistura de etanol na gasolina aquece mercado
A possibilidade de elevar a mistura de etanol anidro na gasolina para 32% reforça a demanda por biocombustíveis e pode mexer nos preços do setor.
A possibilidade de elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% ganhou força e já movimenta o mercado de biocombustíveis. A medida pode ampliar a demanda por etanol, reduzir importações de gasolina e reforçar a política brasileira de combustíveis renováveis.
O que aconteceu
O Ministério de Minas e Energia avalia recomendar ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) o aumento da mistura para 32%. Hoje, a gasolina vendida no país tem 30% de etanol anidro, percentual que já entrou em vigor após decisão do governo em 2025.[1][6]
Segundo informações divulgadas pelo setor, a alta para E32 pode substituir cerca de 1,2 bilhão de litros de gasolina em 12 meses. O movimento ocorre dentro da Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024, que autoriza misturas de até 35% de etanol na gasolina, desde que haja testes técnicos.[1][5]
A discussão também ganha peso porque o governo quer consolidar uma política de maior uso de biocombustíveis. Em junho de 2025, o CNPE aprovou o E30 e o aumento do biodiesel no diesel de 14% para 15%, com início em 1º de agosto.[6]
Por que importa para o agro
Para o setor sucroenergético, a medida tende a sustentar a demanda por etanol e melhorar a previsibilidade para usinas e fornecedores de cana. Mais mistura na gasolina significa mais consumo do biocombustível no mercado interno, o que pode ajudar a escoar produção e dar suporte às margens da indústria.[1][5]
No campo, isso interessa diretamente ao produtor de cana, ao mercado de açúcar e às decisões de mix industrial das usinas. Com maior atratividade do etanol, parte da produção pode ser direcionada ao combustível em vez do açúcar, o que influencia preços, contratos e planejamento da safra.[1][5]
Dados e contexto
| Indicador | Informação |
|---|---|
| Mistura atual de etanol na gasolina | **30%** |
| Mistura em análise | **32%** |
| Limite previsto em lei | **35%** |
| Gasolina substituída estimada | **1,2 bilhão de litros/ano** |
| Mudança anterior aprovada | E27 para **E30** em 2025 |
A Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, abriu espaço para ampliar os mandatos de biocombustíveis. O governo também afirma que o E30 pode reduzir importações de gasolina e reforçar a autossuficiência energética do país.[5][6]
O que observar daqui pra frente
O mercado vai acompanhar o sinal do CNPE e a conclusão dos testes de viabilidade técnica. Se o E32 avançar, usinas e tradings devem recalcular estratégia comercial, enquanto o consumidor pode sentir impacto na composição do preço final da gasolina. O ponto de atenção é a velocidade da decisão e a resposta da oferta de etanol na próxima safra.[1][6]
Fontes
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