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Exportação de melão brasileiro: desafios e ajustes na safra 2022/23

Exportação de melão inicia atrasada em 2022/23, reduz volume embarcado e exige ajustes logísticos e comerciais dos produtores.

04 de setembro de 2026 4 min de leitura
Exportação de melão brasileiro: desafios e ajustes na safra 2022/23

As exportações brasileiras de melão da safra 2022/23 começaram mais tarde e em ritmo fraco, derrubando o volume embarcado no início da temporada. Dados da Secretaria de Comércio Exterior apontam cerca de 1 mil toneladas exportadas em agosto, queda próxima de 60% frente ao mesmo mês do ano anterior, o que acende alerta para produtores do Nordeste e para a cadeia de frutas frescas.

O que aconteceu

O início da janela de exportação, tradicionalmente concentrada entre agosto e abril, foi marcado por atraso nas colheitas e embarques, reflexo de ajustes de plantio, condições climáticas e negociações mais cautelosas com importadores europeus.

Ao mesmo tempo, o câmbio menos favorável e custos logísticos elevados comprimiram margens, levando empresas a segurarem contratos no primeiro momento da safra. Isso reduziu a oferta brasileira nos principais destinos, em especial União Europeia e Reino Unido.

A concorrência também pesou. Países como Espanha e outros produtores mediterrâneos retomaram volume após perdas anteriores, disputando espaço nas prateleiras europeias justamente na entrada da safra brasileira. Nesse cenário, o Brasil precisou competir com preços mais ajustados e maior exigência de padrão de qualidade.

Por que importa para o agro

O melão é uma das principais frutas de exportação do Brasil, com forte concentração de produção no Rio Grande do Norte e Ceará. A queda inicial nos embarques afeta diretamente o fluxo de caixa de produtores, empresas exportadoras e cooperativas, que dependem do mercado externo para escoar grande parte da produção.

Para o agro, o movimento reforça a necessidade de planejamento de safra alinhado à demanda internacional, logística eficiente e diversificação de mercados, como Canadá, Oriente Médio e Ásia. Erros de timing na colheita e no fechamento de contratos podem transformar uma boa safra em resultado apenas mediano.

Dados e contexto

Em 2023, o Brasil ultrapassou a Espanha e assumiu posição de principal fornecedor de melão para a União Europeia em parte do ano, mostrando o peso do produto na pauta de frutas frescas.

A safra 2022/23, porém, começou com números mais modestos:

IndicadorSituação inicial 22/23
Volume exportado em agosto**~1 mil t**
Variação vs. agosto anterior**-60%**
Principais destinosUnião Europeia, Reino Unido

O Nordeste concentra a maior parte da área e da produção. Estudos do ETENE e de instituições como Embrapa apontam que o melão brasileiro possui vantagem em sabor e oferta na entressafra de concorrentes, mas exige rigor em pós-colheita, cadeia fria e controle de pragas para manter acesso a mercados exigentes.

A Conab e o IBGE indicam que a fruticultura irrigada no semiárido segue em expansão, com o melão entre as culturas mais relevantes em geração de emprego e renda regional, especialmente em polos como Mossoró (RN) e Vale do Jaguaribe (CE).

O que observar daqui pra frente

Produtores e exportadores precisam acompanhar de perto o comportamento da demanda na Europa, evolução dos fretes marítimos e negociações sanitárias com novos mercados, como China e outros destinos asiáticos. Ajustes finos em calendário de plantio, variedades mais resistentes e investimentos em logística e armazenagem podem transformar o cenário inicial de queda em oportunidade de ganho de participação, desde que o setor se mova rápido para alinhar oferta, preço e qualidade ao que o mercado externo exige.

Fontes

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