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Exportações brasileiras de carne suína sobem e receita recua em maio

Brasil aumentou embarques de carne suína em maio, mas com queda de receita média por tonelada, em meio à menor demanda da China e avanço de outros mercados.

05 de junho de 2026 4 min de leitura
Exportações brasileiras de carne suína sobem e receita recua em maio

O Brasil aumentou o volume exportado de carne suína em maio, mas a receita média por tonelada recuou, refletindo câmbio, preços internacionais mais baixos e mudança no mix de destinos. Para o produtor, o cenário combina demanda externa firme com margens pressionadas e maior dependência de mercados alternativos à China.

O que aconteceu

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações brasileiras de carne suína registraram alta em maio, com avanço de cerca de 9% no volume embarcado em relação ao mesmo mês do ano anterior.[4] A demanda foi puxada por mercados como Filipinas, Japão, Chile e outros países da Ásia e da América Latina, que vêm ampliando compras.

Apesar do aumento em toneladas, a receita cambial cresceu menos ou até recuou na comparação anual, indicando queda no preço médio por tonelada. Esse movimento está ligado ao ajuste de cotações no mercado internacional de proteínas e à reconfiguração dos fluxos de comércio, com maior competição entre exportadores.

Um ponto central é a perda de peso relativo da China nas vendas brasileiras. Em 2024, o país reduziu em quase 40% as importações de carne suína do Brasil no acumulado do ano, caindo de mais da metade para cerca de 23,5% da participação nos embarques totais nos primeiros cinco meses.[2] Outros destinos vêm preenchendo parte desse espaço, mas em patamares de preço diferentes.

Por que importa para o agro

Para o suinocultor, o aumento do volume exportado é positivo porque ajuda a escoar a produção e reduzir a oferta interna, o que tende a sustentar preços pagos ao produtor. Em junho, entidades setoriais já apontam mudança de patamar do preço do suíno vivo em algumas praças, com cotações acima de R$ 7,00/kg em mercados como Minas Gerais.[2]

Por outro lado, a queda da receita média por tonelada exportada pressiona margens da indústria e limita repasses mais fortes ao campo. A menor participação da China, tradicionalmente um comprador de grandes volumes, exige maior esforço comercial e adaptação a padrões sanitários e de agregação de valor de diversos mercados.

Dados e contexto

A combinação de mais volume e menor preço médio está inserida em um quadro de relativa estabilidade da produção brasileira. Dados de abate do primeiro trimestre e estimativas para abril e maio indicam crescimento inferior a 3% na produção de carne suína frente ao ano anterior.[2] Com isso, a disponibilidade interna se mantém estável, mesmo com leve alta das exportações.

Santa Catarina segue como principal exportador de carne suína do país, respondendo por cerca de 60 mil toneladas em maio e liderando os embarques nacionais.[4] O estado se beneficia de status sanitário diferenciado e forte integração entre indústria e produtores.

A abertura de novos mercados também entra no radar. O México, por exemplo, ampliou a permissão para importar carne suína in natura do Brasil, incluindo carcaças e cortes sem necessidade de processamento térmico, desde que cumpridos os requisitos sanitários acordados entre os países.[1] Esse tipo de avanço pode compensar, em parte, a redução das compras chinesas.

Em paralelo, o cenário global de proteínas segue competitivo. Países como Estados Unidos, União Europeia e Canadá disputam espaço em mercados asiáticos e latino-americanos, pressionando preços. Relatórios do USDA e de entidades brasileiras indicam que a oferta global de carne suína se mantém elevada, com ajustes pontuais em função de custos de produção e sanidade.

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, o produtor deve acompanhar o ritmo de habilitação de plantas para mercados como México e outros países da Ásia, além da evolução da demanda chinesa e do câmbio. Movimentos de preços do milho e da soja, principais insumos da ração, também serão decisivos para definir se o aumento do volume exportado se traduzirá em melhoria consistente de margem ao longo da cadeia.

Fontes

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