Mercado

Exportações de carne de frango têm semestre histórico em volume e receita

Brasil fecha primeiro semestre com recorde nas exportações de carne de frango, puxado por demanda global firme e dólar favorável ao setor.

06 de julho de 2026 4 min de leitura
Exportações de carne de frango têm semestre histórico em volume e receita

O Brasil encerrou o primeiro semestre com recorde histórico nas exportações de carne de frango, tanto em volume quanto em receita, consolidando o país como principal fornecedor global de proteína de aves.[8] O avanço foi sustentado por demanda firme da Ásia e do Oriente Médio, câmbio favorável e ganho de competitividade da indústria brasileira.

O que aconteceu

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os embarques de carne de frango, considerando produtos in natura e processados, registraram o maior volume já exportado em um primeiro semestre.[8] A receita em dólares também atingiu patamar recorde, superando com folga o desempenho do mesmo período do ano anterior.[8]

A entidade destaca que o crescimento foi disseminado entre os principais mercados compradores, com expansão relevante para países asiáticos e do Oriente Médio, além da manutenção de volumes importantes para destinos tradicionais como a China.[1][8] O Brasil reforçou sua posição de fornecedor confiável em meio a problemas sanitários e logísticos em outros grandes produtores.

O desempenho de meses como abril e maio já vinha sinalizando o movimento de alta. Em maio, por exemplo, os embarques mensais ultrapassaram 509 mil toneladas e a receita passou de US$ 1 bilhão, ambos recordes históricos para o período.[1] Esse ritmo forte puxou o resultado acumulado do semestre.

Por que importa para o agro

Para o produtor de frango, o recorde de exportações tende a sustentar preços internos mais firmes ao longo da cadeia, reduzindo a pressão de estoques e dando maior previsibilidade de demanda para integradoras e cooperativas. A indústria ganha fôlego para manter plantas operando com alta utilização de capacidade e pode planejar investimentos em tecnologia, bem-estar animal e eficiência produtiva.

No mercado, o bom momento das vendas externas melhora a balança comercial do agronegócio e gera mais divisas em dólar, fator relevante em um cenário de custos ainda altos em insumos como milho e farelo de soja. Ao mesmo tempo, o aumento da participação brasileira na oferta global de carne de frango fortalece o país em negociações comerciais e em discussões sobre barreiras sanitárias e tarifárias.

Dados e contexto

A ABPA aponta que, em receita, o crescimento acumulado no semestre chegou a 17%, com cerca de US$ 5,7 bilhões entre janeiro e junho, frente aproximadamente US$ 4,87 bilhões no mesmo intervalo do ano anterior.[8] Em volume, o Brasil também registrou alta, com novos máximos históricos para o período.[8]

O desempenho de maio ajuda a ilustrar a tendência:

Indicador (maio)Resultado
Volume exportado**509,9 mil t** (+29,6% ano a ano)[1]
Receita em dólares**US$ 1,009 bi** (+36,1% ano a ano)[1]

No acumulado de janeiro a maio, as exportações somaram 2,453 milhões de toneladas, avanço de 8,7% sobre o ano anterior, com receita de US$ 4,714 bilhões, alta de 11,3%.[1] A China se manteve como principal destino em maio, com 48,3 mil toneladas importadas, aumento de 34,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior.[1]

Esses resultados se somam a outros meses de recorde, como abril, que já havia registrado maior volume histórico para o período, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).[2] A combinação de demanda externa aquecida e competitividade do Brasil vem sendo o principal motor da expansão.

O que observar daqui pra frente

Daqui em diante, o setor precisa acompanhar de perto fatores como custos de grãos, decisões de compra da China e de países do Oriente Médio, além de possíveis mudanças em barreiras sanitárias e comerciais. A manutenção de um nível elevado de exportações abre oportunidades para contratos de longo prazo e novos mercados, mas exige atenção à sanidade avícola, à logística portuária e à capacidade de manter preços competitivos sem comprometer margens de produtores e indústrias.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo