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Fabricante argentina de colheitadeiras Vassalli é vendida por US$ 1

Após crise prolongada, fábrica histórica de colheitadeiras Vassalli muda de controle por valor simbólico de US$ 1 e novos donos assumem passivos.

28 de agosto de 2026 4 min de leitura
Fabricante argentina de colheitadeiras Vassalli é vendida por US$ 1

A histórica Vassalli, fabricante argentina de colheitadeiras fundada em 1949, foi transferida a um novo grupo empresarial por US$ 1, valor simbólico que marca a saída da família Marsó e a entrada de um ex-gerente da companhia no controle. A operação inclui a assunção de dívidas e busca preservar uma das últimas fabricantes de colheitadeiras de capital nacional na Argentina, fato relevante para a oferta regional de máquinas ao agro.

O que aconteceu

Após quase um ano de conflito societário e trabalhista, a Vassalli, sediada em Firmat, na província de Santa Fé, teve sua transferência acionária formalizada. O novo controlador é um grupo liderado por Roberto Santiago Chinelli, ex-gerente da empresa, que assumirá o comando e os passivos acumulados.

A família Marsó, de Entre Rios, havia assumido o controle da Vassalli em 2024, comprando a fábrica de outros investidores, mas não conseguiu estabilizar a operação. Com dificuldades financeiras e queda de produção, a solução encontrada foi a venda simbólica por US$ 1, acompanhada da responsabilidade sobre dívidas e compromissos trabalhistas.

Com o acordo, os antigos acionistas deixam oficialmente o negócio e um novo conselho será nomeado. O objetivo declarado é reativar a produção de colheitadeiras e preservar a capacidade industrial instalada, evitando o fechamento de uma das principais plantas de máquinas agrícolas da Argentina.

Por que importa para o agro

A Vassalli é referência histórica em colheitadeiras na Argentina e já chegou a produzir mais de 1.000 máquinas por ano em seus anos de auge. A perda dessa capacidade ou o fechamento da fábrica impactariam a oferta regional de equipamentos, aumentando a dependência de máquinas importadas de grandes multinacionais.

Para produtores argentinos e da região do Cone Sul, a manutenção de um fabricante local de colheitadeiras ajuda a manter competição em preço, oferta de modelos adaptados às condições da região e serviços de pós-venda mais próximos. Uma recuperação da Vassalli pode preservar empregos industriais e garantir alternativas às linhas de máquinas de grupos globais como AGCO e John Deere.

Dados e contexto

Fundada em 1949 por Roque Vassalli, a empresa se consolidou como fabricante nacional de colheitadeiras, com forte presença nas principais regiões agrícolas da Argentina.

Nos anos de maior força, a Vassalli chegou a comercializar mais de 1.000 colheitadeiras por ano, sendo uma das principais marcas no mercado interno argentino.

A companhia é descrita na imprensa local como uma das últimas, ou a última, fabricante de colheitadeiras com 100% capital nacional ainda em operação no país.

A sequência recente de controladores mostra o grau de instabilidade:

Ano / faseControlador principal
Até 2024Grupo liderado por Esteban Eskenazi e Matías Carballo
2024–2026Família Marsó, de Entre Rios
2026 em dianteGrupo liderado por Roberto Santiago Chinelli

A venda por US$ 1 não é sinal de ausência de valor industrial, mas sim de que o comprador assume integralmente os passivos. Em transações desse tipo, o preço simbólico costuma refletir fábricas com dívidas elevadas, necessidade de capital de giro e risco de paralisação completa da produção.

Para o agro brasileiro, o episódio ajuda a ilustrar a importância de políticas de crédito e estabilidade para fabricantes nacionais de máquinas. No Brasil, dados da Embrapa e do IBGE mostram que produtividade de grãos está diretamente ligada à mecanização, o que torna a sobrevivência de fabricantes regionais relevante para manter investimentos acessíveis.

O que observar daqui pra frente

Produtores e fornecedores devem acompanhar se o novo grupo conseguirá capitalizar a Vassalli, retomar linhas de montagem e garantir assistência técnica estável. Se a recuperação avançar, a empresa pode seguir como fornecedora relevante de colheitadeiras na Argentina e potencial parceira comercial para distribuidores no Brasil; se fracassar, a saída de mais um fabricante nacional tende a concentrar ainda mais o mercado em grandes multinacionais, com impacto em preços, prazo de entrega e margens do produtor.

Fontes

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