Faesp reage a novas barreiras da União Europeia à carne brasileira
Federação paulista critica endurecimento europeu contra carnes e cobra posição firme do Mercosul para defender exportações do bloco.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) criticou as novas exigências da União Europeia para importação de carnes e cobrou reação coordenada do Mercosul. A entidade vê as medidas como barreiras não tarifárias que ameaçam exportações de carne bovina e suína do bloco, em um momento em que o acordo Mercosul–UE ainda não foi concluído.
O que aconteceu
A Faesp divulgou posicionamento contrário ao endurecimento das regras sanitárias e ambientais impostas pela União Europeia às carnes importadas. Na avaliação da entidade, parte das exigências vai além de critérios técnicos e passa a funcionar como instrumento político e comercial contra países exportadores do agro, como Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
A federação afirma que o bloco europeu vem ampliando exigências ligadas a rastreabilidade, desmatamento, bem-estar animal e uso de insumos, o que pode restringir o acesso da carne do Mercosul ao mercado europeu. A preocupação é que esses requisitos criem custos adicionais e travem embarques, mesmo de produtores que já cumprem rígidos protocolos sanitários.
A Faesp defende que os governos do Mercosul adotem posição firme nas negociações com Bruxelas e evitem aceitar novas condições consideradas unilaterais. Para a entidade, é necessário reforçar a defesa da equivalência entre sistemas de produção e regras sanitárias, evitando que a UE imponha padrões sem contrapartida e sem base em organismos internacionais como a OIE.
Por que importa para o agro
As novas exigências europeias afetam diretamente a competitividade da carne bovina e suína do Mercosul em um mercado de alto valor agregado. Qualquer entrave adicional no acesso à UE tende a pressionar preços pagos ao produtor, redirecionar oferta para outros destinos e aumentar a dependência de mercados asiáticos, especialmente China.
Para frigoríficos exportadores e pecuaristas que investem em rastreabilidade, sanidade e sustentabilidade, o risco é ver o custo de adequação subir sem garantia de manutenção ou ampliação de cotas de exportação. Se o Mercosul não conseguir negociar condições equilibradas, o setor pode enfrentar novas limitações de mercado justamente quando busca diversificar destinos e capturar prêmios por produção sustentável.
Dados e contexto
A União Europeia é tradicionalmente um dos principais compradores de carne bovina de alta qualidade do Mercosul, operando com cotas específicas e tarifas diferenciadas. Segundo dados de comércio internacional, a UE responde por uma fatia menor que a China em volume, mas paga preços médios superiores por tonelada, o que torna o mercado estratégico para frigoríficos focados em cortes nobres.
Nos últimos anos, o bloco europeu reforçou uma agenda regulatória que inclui regulamentação antidesmatamento, exigências de comprovação de origem das commodities e regras mais duras sobre emissões e bem-estar animal. Essas medidas afetam cadeias como carne, soja e couro, exigindo rastreabilidade detalhada do rebanho e das áreas de produção.
O Mercosul, por sua vez, ainda negocia a ratificação do acordo com a UE, travado por preocupações ambientais e pressões internas de agricultores europeus. Entidades do agro sul-americano temem que o acordo, se assinado com anexos adicionais rígidos, consolide barreiras que limitam o potencial de crescimento das exportações de carne.
Embora o Brasil já possua sistemas de controle sanitário reconhecidos internacionalmente e rebanho com forte presença em sistemas de pastagem, a adaptação a normas específicas da UE costuma exigir investimentos adicionais em monitoramento, certificação e comprovação documental. Isso pesa mais para pequenos e médios produtores, que dependem da coordenação com frigoríficos e governos para acessar mercados mais exigentes.
O que observar daqui pra frente
O setor deve acompanhar de perto os próximos passos das negociações Mercosul–UE e eventuais novas regulamentações europeias sobre desmatamento, emissões e bem-estar animal. Uma resposta articulada dos governos e do setor privado será decisiva para evitar perda de acesso ou redução de competitividade em um mercado que paga melhor pela carne, abrindo espaço tanto para riscos de exclusão de fornecedores quanto para oportunidades de quem conseguir se adequar e comprovar sustentabilidade com eficiência.
Fontes
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