Faesp reage a veto da União Europeia a produtos animais do Brasil
Faesp critica veto da União Europeia a produtos animais brasileiros, classifica medida como discriminatória e cobra reação firme do governo e do Mercosul.

A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar animais vivos e diversos produtos de origem animal ao bloco. A Faesp classificou a decisão como "discriminação" e "profundo desrespeito" ao país, defendeu que a medida não tem base técnica consistente e cobrou resposta firme do governo federal e articulação com o Mercosul.
O que aconteceu
A União Europeia publicou nova lista de países habilitados a exportar animais vivos destinados à produção de alimentos, sem incluir o Brasil.[1][5] A decisão atinge bovinos, equinos, aves, peixes, ovos, mel e outros produtos de origem animal enviados ao bloco europeu.[1][5]
Na prática, esses embarques passam a ser bloqueados a partir de 3 de setembro, prazo definido para a entrada em vigor das novas regras.[1][4] A medida se soma a exigências adicionais da UE na área sanitária e de rastreabilidade, que o governo brasileiro já vinha discutindo com o bloco.[4]
Em nota assinada pelo presidente Fábio de Salles Meirelles, a Faesp repudiou o veto e afirmou que ele representa ataque à credibilidade do agronegócio brasileiro.[5] A entidade defendeu que o país adota rígidos controles sanitários e padrões reconhecidos por organismos internacionais.
Por que importa para o agro
O veto da União Europeia pressiona exportadores de proteína animal, cooperativas e frigoríficos com forte presença no mercado europeu, além de elos da cadeia como produtores de gado de corte, aves e mel. A decisão pode derrubar preços pagos ao produtor em regiões mais dependentes desse destino e redirecionar oferta para outros mercados, aumentando a competição interna.
Há também impacto estratégico. A medida surge em meio a negociações comerciais entre Brasil, Mercosul e UE, e reforça o uso de critérios sanitários e ambientais como barreira não tarifária. Para o agro, isso eleva o custo de adequação, exige maior comprovação de rastreabilidade e pode influenciar futuros acordos de comércio.
Dados e contexto
O Brasil está entre os maiores exportadores mundiais de carne bovina, de frango e de suínos, com forte participação em mercados que exigem alto padrão sanitário, como China, Oriente Médio e União Europeia.[3][4]
- A UE é um dos principais destinos de carnes e produtos de maior valor agregado, como cortes premium e processados.
- As novas medidas europeias alcançam animais vivos e produtos de origem animal, incluindo bois, cavalos, aves, ovos, peixes e mel.[1]
- O governo brasileiro considera as exigências europeias como "demandas adicionais", que pretende atender em parte para tentar reverter parte das restrições antes de 3 de setembro, exceto no caso da carne bovina, apontada como mais sensível.[4]
A entidade defende ainda maior coordenação com outros países do Mercosul, que também enfrentam pressões da UE em temas ligados a sanidade, bem-estar animal e desmatamento.[5] Para a federação, uma resposta regional aumenta o poder de negociação frente ao bloco europeu.
O que observar daqui pra frente
Nos próximos meses, o setor deve acompanhar de perto as negociações entre governo brasileiro e União Europeia para tentar flexibilizar o veto e ajustar protocolos sanitários. Produtores e indústrias precisarão avaliar diversificação de mercados, reforçar rastreabilidade e atender a exigências ambientais crescentes, enquanto o desfecho das conversas entre Mercosul e UE pode redefinir o espaço do Brasil no mercado europeu de carnes e produtos de origem animal.
Fontes
- Canal Rural – "'Discriminação e profundo desrespeito': Faesp repudia veto da UE a produtos brasileiros"
- CNN Brasil – Brasil e UE se reúnem para negociar retirada de medidas contra carne
- CNN Brasil – Faesp critica restrições da União Europeia à carne e ao mel brasileiros
- CNN Brasil – Brasil atenderá demandas adicionais da UE para exportação
- canalrural.com.br
- canalrural.com.br
- rural24h.com.br
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