Mercado

Faesp reage a veto da União Europeia a produtos animais do Brasil

Faesp critica veto da União Europeia a produtos animais brasileiros, classifica medida como discriminatória e cobra reação firme do governo e do Mercosul.

06 de junho de 2026 4 min de leitura
Faesp reage a veto da União Europeia a produtos animais do Brasil

A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar animais vivos e diversos produtos de origem animal ao bloco. A Faesp classificou a decisão como "discriminação" e "profundo desrespeito" ao país, defendeu que a medida não tem base técnica consistente e cobrou resposta firme do governo federal e articulação com o Mercosul.

O que aconteceu

A União Europeia publicou nova lista de países habilitados a exportar animais vivos destinados à produção de alimentos, sem incluir o Brasil.[1][5] A decisão atinge bovinos, equinos, aves, peixes, ovos, mel e outros produtos de origem animal enviados ao bloco europeu.[1][5]

Na prática, esses embarques passam a ser bloqueados a partir de 3 de setembro, prazo definido para a entrada em vigor das novas regras.[1][4] A medida se soma a exigências adicionais da UE na área sanitária e de rastreabilidade, que o governo brasileiro já vinha discutindo com o bloco.[4]

Em nota assinada pelo presidente Fábio de Salles Meirelles, a Faesp repudiou o veto e afirmou que ele representa ataque à credibilidade do agronegócio brasileiro.[5] A entidade defendeu que o país adota rígidos controles sanitários e padrões reconhecidos por organismos internacionais.

Por que importa para o agro

O veto da União Europeia pressiona exportadores de proteína animal, cooperativas e frigoríficos com forte presença no mercado europeu, além de elos da cadeia como produtores de gado de corte, aves e mel. A decisão pode derrubar preços pagos ao produtor em regiões mais dependentes desse destino e redirecionar oferta para outros mercados, aumentando a competição interna.

Há também impacto estratégico. A medida surge em meio a negociações comerciais entre Brasil, Mercosul e UE, e reforça o uso de critérios sanitários e ambientais como barreira não tarifária. Para o agro, isso eleva o custo de adequação, exige maior comprovação de rastreabilidade e pode influenciar futuros acordos de comércio.

Dados e contexto

O Brasil está entre os maiores exportadores mundiais de carne bovina, de frango e de suínos, com forte participação em mercados que exigem alto padrão sanitário, como China, Oriente Médio e União Europeia.[3][4]

  • A UE é um dos principais destinos de carnes e produtos de maior valor agregado, como cortes premium e processados.
  • As novas medidas europeias alcançam animais vivos e produtos de origem animal, incluindo bois, cavalos, aves, ovos, peixes e mel.[1]
  • O governo brasileiro considera as exigências europeias como "demandas adicionais", que pretende atender em parte para tentar reverter parte das restrições antes de 3 de setembro, exceto no caso da carne bovina, apontada como mais sensível.[4]
Organizações do agro avaliam que as justificativas da UE não se apoiam em evidências técnicas robustas e refletem pressões políticas e ambientais internas ao bloco.[3][5] A Faesp sustenta que o Brasil mantém serviço veterinário oficial estruturado, programas de controle e erradicação de doenças e inspeção federal reconhecidos internacionalmente.

A entidade defende ainda maior coordenação com outros países do Mercosul, que também enfrentam pressões da UE em temas ligados a sanidade, bem-estar animal e desmatamento.[5] Para a federação, uma resposta regional aumenta o poder de negociação frente ao bloco europeu.

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, o setor deve acompanhar de perto as negociações entre governo brasileiro e União Europeia para tentar flexibilizar o veto e ajustar protocolos sanitários. Produtores e indústrias precisarão avaliar diversificação de mercados, reforçar rastreabilidade e atender a exigências ambientais crescentes, enquanto o desfecho das conversas entre Mercosul e UE pode redefinir o espaço do Brasil no mercado europeu de carnes e produtos de origem animal.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo