Farelo de soja ganha espaço na margem das indústrias e volta a liderar lucros
Alta do farelo de soja eleva sua participação na crush margin ao maior nível em quase dois anos, mudando o peso dos derivados na rentabilidade das indústrias.
O farelo de soja voltou a ganhar peso na rentabilidade das indústrias de esmagamento, atingindo a maior participação na crush margin em quase dois anos. Com a demanda firme, o derivado recupera espaço frente ao óleo de soja, reconfigura a composição das receitas do setor e influencia diretamente o preço pago pelo grão ao produtor.
O que aconteceu
Levantamento recente do Cepea/Esalq-USP mostra que o farelo ampliou sua fatia na margem de processamento, superando novamente o óleo de soja e alcançando o maior nível desde outubro de 2024[12]. A alta das cotações, apoiada por demanda internacional aquecida e oferta ajustada, elevou a contribuição do farelo na receita total das indústrias.
Nos últimos dias, a participação do farelo na crush margin no Brasil subiu de patamares próximos a 50% para níveis acima da média dos últimos meses, enquanto o óleo perdeu alguns pontos de participação[12]. O movimento ocorre após um período em que o óleo vinha ganhando espaço, impulsionado pelo biodiesel, chegando a responder por quase metade da margem em 2025[4][11].
A mesma pesquisa do Cepea aponta que o avanço do farelo não é só fenômeno doméstico: a participação do derivado na margem também aumentou nas indústrias dos Estados Unidos, refletindo o mesmo cenário de demanda firme por proteína vegetal[12].
Por que importa para o agro
Para o produtor de soja, a maior participação do farelo na margem significa esmagamento mais atrativo, com indústria em melhor posição para disputar grão e sustentar preços internos. Quando a crush margin melhora, as fábricas tendem a pagar mais pela soja, reduzindo a pressão baixista em momentos de maior oferta[13].
Para a cadeia, a mudança no peso relativo entre farelo e óleo reorienta estratégias de venda e contratos. Em 2025, o óleo chegou a responder por até 50,3% da margem e superar o farelo, puxado pela mistura maior de biodiesel no diesel e pela forte demanda energética[4][11]. Agora, com o farelo novamente em destaque, o foco volta à proteína, impactando formuladores de ração, exportadores e cooperativas.
Dados e contexto
O conceito de crush margin é central para entender o movimento. Trata-se da diferença entre a receita obtida com farelo + óleo de soja e o custo do grão, descontados os custos de processamento[8]. Essa margem define a viabilidade econômica do esmagamento e a disposição da indústria em comprar soja.
Alguns números recentes ajudam a contextualizar:
| Indicador (Cepea/Esalq-USP) | Situação recente |
|---|---|
| Participação do farelo na crush margin BR | Maior desde **outubro/2024**[12] |
| Participação típica do farelo em 2024 | Cerca de **62%**, contra **38%** do óleo[1][4][15] |
| Pico recente do óleo na margem | Até **50,3%** da crush margin, superando o farelo em 2025[11] |
| Margem de esmagamento em jun/2025 | Queda de **8,35%**, para **R$ 370,24/t**, com retorno de 18,3% sobre o custo da soja[14] |
Segundo o Cepea, a valorização do farelo tem sido sustentada por demanda global firme e oferta abaixo do esperado em alguns mercados, com reflexo direto nas bolsas internacionais[12][13]. Na Bolsa de Chicago, contratos futuros de soja ganharam suporte justamente pela alta do farelo, que melhora o retorno por tonelada processada e torna o esmagamento mais competitivo[13].
No Brasil, dados da Conab e de estudos setoriais apontam que a indústria já opera com capacidade ociosa relevante, usando a margem positiva como gatilho para intensificar o esmagamento e aumentar a compra de grão[10]. Quando essa margem sobe, a procura pela soja em grão cresce, pressionando cotações na originação.
O que observar daqui pra frente
O produtor e a indústria devem acompanhar três pontos: a evolução da demanda externa por farelo, especialmente de grandes compradores como União Europeia e Ásia; os ajustes na mistura de biodiesel que podem devolver espaço ao óleo na margem; e os relatórios de Conab, USDA e Cepea sobre oferta e esmagamento. Se a crush margin seguir favorável ao farelo, o cenário tende a ser de maior disputa pela soja no Brasil, com oportunidades de negócios melhores para quem planejar bem o momento de travar preços.
Fontes
- Canal Rural – óleo de soja se iguala ao farelo na indústria de esmagamento
- Notícias Agrícolas – Participação do farelo na crush margin aumenta no BR e nos EUA
- AgroXingu – Biodiesel eleva a fatia do óleo de soja na margem de lucro da indústria
- Estadão Agro – Óleo de soja supera farelo na margem da indústria pela primeira vez
- CNN Brasil – Soja sobe em Chicago com suporte do farelo e margem de esmagamento
- Cepea/Esalq-USP – estudos sobre margem de esmagamento e derivados da soja
- canalrural.com.br
- canalrural.com.br
- app.periodikos.com.br
- opresenterural.com.br
- repositorio.usp.br
- portalghf.com.br
- aprosojams.org.br.pdf)
- noticias.r7.com
- econ.puc-rio.br
- noticiasagricolas.com.br
- opresenterural.com.br
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