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Farelo de soja ganha espaço na margem das indústrias e volta a liderar lucros

Alta do farelo de soja eleva sua participação na crush margin ao maior nível em quase dois anos, mudando o peso dos derivados na rentabilidade das indústrias.

21 de setembro de 2026 4 min de leitura
Farelo de soja ganha espaço na margem das indústrias e volta a liderar lucros

O farelo de soja voltou a ganhar peso na rentabilidade das indústrias de esmagamento, atingindo a maior participação na crush margin em quase dois anos. Com a demanda firme, o derivado recupera espaço frente ao óleo de soja, reconfigura a composição das receitas do setor e influencia diretamente o preço pago pelo grão ao produtor.

O que aconteceu

Levantamento recente do Cepea/Esalq-USP mostra que o farelo ampliou sua fatia na margem de processamento, superando novamente o óleo de soja e alcançando o maior nível desde outubro de 2024[12]. A alta das cotações, apoiada por demanda internacional aquecida e oferta ajustada, elevou a contribuição do farelo na receita total das indústrias.

Nos últimos dias, a participação do farelo na crush margin no Brasil subiu de patamares próximos a 50% para níveis acima da média dos últimos meses, enquanto o óleo perdeu alguns pontos de participação[12]. O movimento ocorre após um período em que o óleo vinha ganhando espaço, impulsionado pelo biodiesel, chegando a responder por quase metade da margem em 2025[4][11].

A mesma pesquisa do Cepea aponta que o avanço do farelo não é só fenômeno doméstico: a participação do derivado na margem também aumentou nas indústrias dos Estados Unidos, refletindo o mesmo cenário de demanda firme por proteína vegetal[12].

Por que importa para o agro

Para o produtor de soja, a maior participação do farelo na margem significa esmagamento mais atrativo, com indústria em melhor posição para disputar grão e sustentar preços internos. Quando a crush margin melhora, as fábricas tendem a pagar mais pela soja, reduzindo a pressão baixista em momentos de maior oferta[13].

Para a cadeia, a mudança no peso relativo entre farelo e óleo reorienta estratégias de venda e contratos. Em 2025, o óleo chegou a responder por até 50,3% da margem e superar o farelo, puxado pela mistura maior de biodiesel no diesel e pela forte demanda energética[4][11]. Agora, com o farelo novamente em destaque, o foco volta à proteína, impactando formuladores de ração, exportadores e cooperativas.

Dados e contexto

O conceito de crush margin é central para entender o movimento. Trata-se da diferença entre a receita obtida com farelo + óleo de soja e o custo do grão, descontados os custos de processamento[8]. Essa margem define a viabilidade econômica do esmagamento e a disposição da indústria em comprar soja.

Alguns números recentes ajudam a contextualizar:

Indicador (Cepea/Esalq-USP)Situação recente
Participação do farelo na crush margin BRMaior desde **outubro/2024**[12]
Participação típica do farelo em 2024Cerca de **62%**, contra **38%** do óleo[1][4][15]
Pico recente do óleo na margemAté **50,3%** da crush margin, superando o farelo em 2025[11]
Margem de esmagamento em jun/2025Queda de **8,35%**, para **R$ 370,24/t**, com retorno de 18,3% sobre o custo da soja[14]

Segundo o Cepea, a valorização do farelo tem sido sustentada por demanda global firme e oferta abaixo do esperado em alguns mercados, com reflexo direto nas bolsas internacionais[12][13]. Na Bolsa de Chicago, contratos futuros de soja ganharam suporte justamente pela alta do farelo, que melhora o retorno por tonelada processada e torna o esmagamento mais competitivo[13].

No Brasil, dados da Conab e de estudos setoriais apontam que a indústria já opera com capacidade ociosa relevante, usando a margem positiva como gatilho para intensificar o esmagamento e aumentar a compra de grão[10]. Quando essa margem sobe, a procura pela soja em grão cresce, pressionando cotações na originação.

O que observar daqui pra frente

O produtor e a indústria devem acompanhar três pontos: a evolução da demanda externa por farelo, especialmente de grandes compradores como União Europeia e Ásia; os ajustes na mistura de biodiesel que podem devolver espaço ao óleo na margem; e os relatórios de Conab, USDA e Cepea sobre oferta e esmagamento. Se a crush margin seguir favorável ao farelo, o cenário tende a ser de maior disputa pela soja no Brasil, com oportunidades de negócios melhores para quem planejar bem o momento de travar preços.

Fontes

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