Manejo

Fertilidade do solo é chave para segurar o pasto na seca

Solo bem corrigido e adubado garante raízes profundas, mais matéria seca nas águas e pasto produtivo por mais tempo durante a seca.

16 de agosto de 2026 4 min de leitura
Fertilidade do solo é chave para segurar o pasto na seca

Um solo bem corrigido e fértil produz mais capim nas águas e garante sobra de forragem que sustenta o rebanho na seca, reduzindo queda de ganho de peso e necessidade de suplementação cara. A qualidade do perfil de solo define o vigor das raízes, a profundidade do sistema radicular e por quanto tempo o pasto permanece verde em períodos de estiagem.

O que aconteceu

Especialistas em pastagens lembram que, em sistemas de sequeiro, cerca de 70% a 80% da massa de forragem é produzida na época de chuva e calor, enquanto apenas 20% a 30% vem na seca. Em áreas com boa fertilidade, essa produção nas águas pode chegar a 20 t de matéria seca por hectare, gerando reserva de capim para diferir e usar na estiagem.

Já em solos pobres, ácidos e sem correção com calcário e fósforo, a produção nas águas cai para 10 a 15 t de matéria seca por hectare, o pasto amarela mais rápido e a escassez de alimento aparece cedo na seca. A diferença de desempenho entre áreas adubadas e degradadas é diretamente ligada ao perfil de solo e à disponibilidade de nutrientes.

O foco da recomendação técnica é construir raízes profundas e vigorosas. Nutrientes como fósforo, cálcio, magnésio e nitrogênio estimulam o crescimento radicular, aumentam a exploração de água em camadas mais profundas e retardam o efeito da falta de chuva sobre o capim.

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Por que importa para o agro

Para o pecuarista, fertilidade de solo não é apenas questão agronômica, é questão de lotação e lucro. Mais matéria seca nas águas significa mais animais por hectare, maior ganho de peso e menor necessidade de comprar ração, feno ou silagem na entressafra.

Além disso, pastagens bem nutridas toleram melhor veranicos, queimadas e frio, mantendo oferta de capim por mais tempo. Isso ajuda a estabilizar a produção de arrobas ao longo do ano, reduz oscilações na taxa de abate e melhora o planejamento de venda de animais.

Dados e contexto

Embrapa Pecuária Sudeste e outras unidades da Embrapa reforçam que a base da fertilidade em pastagens está na análise de solo e na correção de acidez com calcário.
Indicador de manejoSituação típica
Produção nas águas em pasto corrigido**Até 20 t MS/ha**
Produção nas águas em solo degradado**10–15 t MS/ha**
Participação das águas na produção anual**70–80% da MS**
Participação da seca na produção anual**20–30% da MS**

A recomendação prática inclui:

  • Análise de solo em camadas de 0–10 cm e 10–20 cm para avaliar nutrientes e acidez.
  • Uso de calcário e gesso para ajuste de pH e melhoria de perfil.
  • Adubação fosfatada e potássica conforme laudo, com atenção a fósforo para raiz e potássio para vigor.
  • Aplicações foliares estratégicas após as últimas chuvas, com produtos à base de cálcio, fósforo, nitrogênio, aminoácidos e ácidos fúlvicos, visando acelerar formação de raiz.
Levantamentos da Conab e do IBGE mostram que mais de 50% das pastagens brasileiras apresentam algum grau de degradação, o que limita a produtividade da pecuária. Recuperar essas áreas com foco em fertilidade pode elevar a produção de carne sem avançar sobre novas áreas, alinhando produtividade e sustentabilidade.

O que observar daqui pra frente

O produtor deve acompanhar de perto o perfil de solo, a resposta do pasto às adubações e o comportamento das áreas diferidas na seca. Análises regulares, ajuste fino de doses e momento de aplicação de fertilizantes, somados ao controle da lotação, definem se a fazenda terá capim suficiente na estiagem ou dependerá de suplementação emergencial mais cara. Investir agora em fertilidade é criar margem de segurança para os próximos anos de seca e veranicos.

Fontes

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