Manejo

Mosca-de-estábulo avança no inverno e aperta a pecuária paulista

Infestação de mosca-de-estábulo cresce no interior de SP durante o inverno, derruba produção de leite e de carne e pressiona custos dos pecuaristas.

16 de agosto de 2026 4 min de leitura
Mosca-de-estábulo avança no inverno e aperta a pecuária paulista

A mosca-de-estábulo (Stomoxys calcitrans) voltou a preocupar produtores no interior de São Paulo, com surtos mais intensos durante o inverno em regiões próximas a usinas de cana-de-açúcar. O aumento da infestação derruba o ganho de peso, reduz a produção de leite e eleva custos com manejo e sanidade, pressionando a rentabilidade da pecuária de corte e leite.

O que aconteceu

Reportagem exibida pelo Nosso Campo mostra propriedades rurais do interior paulista com animais fortemente atacados pela mosca-de-estábulo, especialmente em áreas vizinhas a canaviais e usinas. No frio e na seca, o gado se aglomera em poucos pontos da fazenda tentando fugir das picadas, piorando o impacto sobre pastagens e bem-estar.

Técnicos apontam que a combinação de palha de cana, vinhaça mal manejada e acúmulo de matéria orgânica úmida forma criadouros ideais para o inseto. A mosca é hematófaga, alimenta-se de sangue de bovinos, equinos e outros animais, e causa dor intensa, estresse e lesões na pele.

Em alguns municípios, secretarias municipais e órgãos estaduais de agricultura foram acionados para vistoriar fazendas e usinas, orientar o manejo de resíduos e discutir medidas conjuntas de controle. Em surtos mais severos, há relatos de queda acentuada na produção e até morte de animais debilitados.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, a mosca-de-estábulo é um problema direto de produtividade e custo. Animais atacados comem menos, caminham pouco, se aglomeram em áreas encharcadas ou açudes e passam boa parte do dia tentando espantar os insetos. Isso resulta em menos ganho de peso, menor produção de leite e atraso em ciclos de engorda e recria.

Além do impacto individual nas fazendas, surtos recorrentes em regiões canavieiras afetam a imagem da cadeia, pressionam contratos entre pecuaristas e usinas e podem levar à redução da atividade leiteira em áreas mais críticas. A sanidade e o bem-estar animal entram no radar de indústrias de carne e lácteos, aumentando a demanda por controles mais rígidos de manejo ambiental.

Dados e contexto

Pesquisas da Embrapa estimam que a mosca-dos-estábulos cause perdas anuais de até US$ 350 milhões na pecuária brasileira, somando carne e leite. Em bovinos, os surtos podem reduzir cerca de 20% do ganho de peso e até 50% da produção de leite em rebanhos sob forte ataque.

Principais efeitos observados em campo:

  • Redução do consumo de alimento e emagrecimento
  • Queda da produção de leite em vacas em lactação
  • Estresse intenso, inquietação e agrupamento em áreas limitadas
  • Feridas no couro, perda de pelos e piora da qualidade do couro
A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) e a Defesa Agropecuária de São Paulo relatam aumento de surtos em regiões próximas a usinas, associando o problema ao excesso de vinhaça, palha de cana e manejo inadequado de dejetos em propriedades com atividade pecuária.

Boas práticas recomendadas por Embrapa e órgãos estaduais incluem:

  • Eliminar acúmulo de esterco, restos de ração e camas úmidas
  • Corrigir drenagem e evitar empoçamento de vinhaça e água
  • Melhorar manejo de compost barn e estruturas similares
  • Instalar armadilhas e adotar controle integrado com foco no ambiente
Ponto críticoImpacto na fazenda
Vinhaça e palha de cana mal manejadasFormação de grandes criadouros da mosca
Esterco e resíduos úmidosAumento rápido da população de insetos
Falta de limpeza em currais e estábulosAtaques constantes, estresse e queda de produtividade

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, produtores em regiões canavieiras devem monitorar de perto a presença de mosca-de-estábulo, revisar o manejo de resíduos e pressionar por planos conjuntos com usinas para reduzir criadouros. Quem atua com leite e confinamento precisa antecipar ações, alinhando sanidade, nutrição e bem-estar para evitar perdas de peso, queda de produção e problemas de imagem junto a indústria e consumidores.

Fontes

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