Manejo

Música no curral aumenta produção de leite em fazenda do ES

Fazenda no Espírito Santo usa som ambiente de forró a música clássica para reduzir estresse das vacas e registrar aumento na produção de leite.

16 de agosto de 2026 4 min de leitura
Música no curral aumenta produção de leite em fazenda do ES

Em uma fazenda de leite no Espírito Santo, cerca de 30 vacas passaram a ouvir músicas que vão do forró à música clássica durante o manejo e a ordenha. Segundo o produtor, o clima mais calmo no curral reduziu o estresse dos animais e trouxe aumento na quantidade de leite entregue por vaca.

O que aconteceu

O proprietário instalou caixas de som no curral e passou a tocar playlists diárias enquanto as vacas entram na sala de ordenha e durante todo o processo. As músicas incluem ritmos regionais, canções mais lentas e clássicos internacionais, criando um ambiente sonoro constante e previsível para o rebanho.

De acordo com o produtor, antes da adoção da música as vacas eram mais inquietas, tinham maior dificuldade para entrar na ordenha e apresentavam variação na produção. Com a rotina musical, os animais ficaram mais tranquilos, entram sozinhos para serem ordenhados e a produção média de leite aumentou de forma consistente.

O relato da fazenda capixaba é semelhante a outros casos no país, em que produtores relatam saltos de produção após a introdução de música ambiente, com ganhos que podem chegar a 20% a 60% em sistemas pequenos bem manejados, dependendo do nível de estresse inicial do rebanho.

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Por que importa para o agro

A experiência reforça uma tendência já observada na pecuária leiteira: bem-estar animal como fator direto de produtividade. Menos estresse na ordenha reduz descidas incompletas de leite, diminui risco de mastite e melhora o aproveitamento da estrutura sem necessidade imediata de grandes investimentos em equipamentos.

Para o produtor, a música é uma tecnologia de baixo custo que se soma a práticas de manejo já recomendadas por Embrapa e universidades, como rotina fixa, manejo calmo e ambiente limpo. Em sistemas com margens apertadas, qualquer aumento sustentável de litros por vaca, sem elevar os custos de ração, melhora a rentabilidade e a competitividade do leite brasileiro.

Dados e contexto

Pesquisas internacionais e nacionais apontam que sons suaves e repetitivos ajudam a reduzir a frequência cardíaca e a agitação de vacas leiteiras, favorecendo a liberação de ocitocina, hormônio ligado à ejeção do leite.

Estudos citados por veículos técnicos indicam:

  • Aumento médio de até 3% na produção de leite em vacas expostas a músicas lentas em comparação a animais sem música ou com sons muito agitados.
  • Trabalhos conduzidos em universidades brasileiras mostram que vacas ordenhadas com música clássica chegaram a produzir mais de 2 kg de leite por dia em média acima do grupo controle, sem alteração negativa na composição do leite.
Embrapa e instituições de pesquisa em bem-estar animal reforçam que o fator-chave não é o gênero musical, mas a redução de estímulos estressantes: gritos, ruídos metálicos constantes, movimentação brusca e mudanças repentinas na rotina. A música funciona como barreira sonora e sinal previsível de manejo.

Para o Brasil, maior produtor de leite da América Latina segundo o IBGE e com forte presença de pequenas e médias propriedades, intervenções simples como som ambiente, sombra, ventilação e manejo calmo podem ter impacto relevante na produtividade nacional sem aumento proporcional de área ou rebanho.

O que observar daqui pra frente

Produtores interessados em testar a música no curral devem acompanhar de perto indicadores objetivos: litros por vaca por dia, tempo de ordenha, incidência de mastite, escore de condição corporal e comportamento dos animais. O próximo passo do setor é integrar práticas de bem-estar, como som ambiente e manejo de baixo estresse, a programas formais de qualidade do leite, agregando valor ao produto e acesso a bonificações em laticínios que remuneram produtividade e sanidade.

Fontes

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