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Fim da escala 6x1 pode reduzir oferta de aves, suínos e ovos

ABPA prevê menor capacidade industrial, aumento de custos e possível alta de preços com a redução da jornada semanal.

18 de outubro de 2026 4 min de leitura
Fim da escala 6x1 pode reduzir oferta de aves, suínos e ovos

A redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode diminuir a disponibilidade de produtos de aves, suínos e ovos no mercado brasileiro. O alerta é da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que prevê menor capacidade industrial, aumento dos custos e possível repasse aos preços ao consumidor.

O que aconteceu

A mudança aprovada pelo Senado prevê dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial. Para a ABPA, empresas que operam em escala 6x1 terão de reorganizar turnos, contratar mais trabalhadores ou reduzir o volume processado.

A entidade afirma que o setor já enfrenta dificuldades para preencher vagas nas unidades industriais. A falta de mão de obra levou algumas empresas a contratar trabalhadores imigrantes, mas o problema continua afetando frigoríficos e plantas de processamento.

Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, uma fábrica que perder duas horas semanais de operação pode reduzir sua capacidade em aproximadamente 5%, caso não consiga compensar a mudança com novas equipes ou horas extras.

Por que importa para o agro

A cadeia de proteína animal depende de operações contínuas. Aves e suínos precisam ser abatidos dentro dos prazos adequados, seguindo exigências sanitárias e de bem-estar animal. Se a indústria não tiver trabalhadores suficientes, pode ser necessário reduzir o alojamento ou o ritmo de produção para evitar excesso de animais prontos para o abate.

Para os produtores, uma redução na capacidade dos frigoríficos pode aumentar a pressão sobre preços pagos na origem e dificultar o planejamento de alojamento, entrega e venda. Na indústria, os custos podem subir com contratação adicional, pagamento de horas extras, mudanças de turnos e investimentos em automação.

O consumidor também pode ser afetado. A menor oferta de determinados cortes, produtos processados e ovos tende a elevar os preços, principalmente se a adaptação ocorrer de forma rápida e sem ganho imediato de produtividade.

Dados e contexto

A produção brasileira já opera em grande escala e depende de regularidade industrial para atender o mercado interno e as exportações. Projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam crescimento da produção de carne suína em 2025, para cerca de 5,56 milhões de toneladas, alta de 4,4% sobre 2024.[4]

Para a carne de frango, a Conab estima produção próxima de 15,48 milhões de toneladas em 2025, avanço de aproximadamente 1,5% no período.[5]

IndicadorProjeção para 2025
Carne suína5,56 milhões de toneladas[4]
Carne de frango15,48 milhões de toneladas[5]
Redução de jornadaDe 44 para 40 horas semanais[2]
Possível impacto citado pela ABPAAté 5% menos capacidade em determinadas operações[1]

A ABPA informou que pretende discutir a adaptação da regra com o governo federal. O objetivo é reduzir riscos de desabastecimento, preservar o bem-estar animal e evitar aumento excessivo dos custos na cadeia.

O que observar daqui pra frente

O impacto dependerá do prazo de implementação, da disponibilidade de trabalhadores e da capacidade das empresas de reorganizar turnos. Produtores devem acompanhar comunicados dos frigoríficos sobre volumes, escalas e programação de abate. Na indústria, automação, treinamento e planejamento de mão de obra serão decisivos para preservar a oferta sem pressionar ainda mais os preços.

Fontes

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