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Galvani reduz produção de fosfatados sob pressão do enxofre

Alta do enxofre reduz a produção de fosfatados da Galvani, mas a empresa mantém a previsão de crescimento em 2026.

29 de setembro de 2026 4 min de leitura
Galvani reduz produção de fosfatados sob pressão do enxofre

A Galvani reduziu o ritmo de produção de fertilizantes fosfatados diante da alta e da menor disponibilidade de enxofre no mercado internacional. Mesmo com a pressão sobre os custos e as margens, a empresa mantém a previsão de crescimento no ano. O movimento ocorre em um mercado brasileiro ainda dependente das importações.

O que aconteceu

O enxofre é uma matéria-prima essencial para a fabricação de fertilizantes fosfatados. A oferta mais restrita elevou os custos da indústria e levou fabricantes a ajustar as taxas de operação. A Galvani acompanha esse cenário com redução na produção, sem abandonar a projeção de avanço anual.

A companhia encerrou 2025 com a entrega de 726 mil toneladas de fertilizantes, alta de 2,8% sobre o ano anterior. O volume garantiu participação de 24,6% nas regiões em que atua, segundo o relatório de administração da empresa.

A estratégia inclui ampliar a produção nacional. A Galvani prevê investimentos de cerca de R$ 1 bilhão em projetos na Bahia, com o objetivo de elevar a capacidade de fertilizantes fosfatados de 700 mil para 1,3 milhão de toneladas por ano.

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Por que importa para o agro

A redução da produção ocorre em um momento de atenção para o abastecimento da safra 2026/27. Menor oferta doméstica, combinada à queda nas importações de enxofre e fosfatados, pode limitar a disponibilidade de produtos e aumentar a pressão sobre os preços pagos pelos produtores.

O impacto tende a ser maior em culturas com alta demanda por fósforo, como soja, milho e cana-de-açúcar. Para o produtor, o planejamento antecipado das compras ganha relevância, especialmente em regiões dependentes de fertilizantes transportados por longas distâncias.

Dados e contexto

  • As importações brasileiras de enxofre caíram cerca de 42% no primeiro semestre de 2026 ante o mesmo período de 2025, segundo levantamento da StoneX.
  • No mesmo intervalo, as compras externas de MAP recuaram 24%.
  • A produção nacional de fertilizantes intermediários somou 2,94 milhões de toneladas no primeiro semestre, queda de 16,3% em relação a 2025, conforme dados divulgados pela Anda.
  • O Brasil importou 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025, recorde da série histórica acompanhada pela Conab.
  • A nova unidade industrial da Galvani em Irecê, na Bahia, tem previsão de entrada em operação no quarto trimestre de 2026. A capacidade estimada inclui 350 mil toneladas anuais de concentrado fosfático e 600 mil toneladas de corretivo agrícola.
A dependência externa amplia a exposição do mercado brasileiro a fretes, conflitos internacionais, câmbio e oscilações nas cotações das matérias-primas. Nos fosfatados, a participação das importações ainda representa parcela relevante do consumo nacional.

O que observar daqui para frente

O mercado deve acompanhar a disponibilidade global de enxofre, a evolução dos preços e o ritmo de recomposição dos estoques brasileiros. A entrada de novas capacidades da Galvani pode reduzir parte da dependência externa, mas os efeitos dependerão do cronograma dos projetos e da regularidade do fornecimento. Para a próxima safra, o risco principal é a combinação entre oferta restrita, custos elevados e compras concentradas perto do plantio.

Fontes

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