Gás natural reduz lucro da Yara e pressiona mercado de fertilizantes
Custo elevado do gás natural na Europa reduziu o lucro da Yara em 38% e pode afetar produção, entregas e preços de fertilizantes.
O aumento do preço do gás natural na Europa reduziu o lucro líquido da Yara em 37,8% no terceiro trimestre de 2026. A fabricante norueguesa registrou US$ 199 milhões, contra US$ 320 milhões no mesmo período do ano anterior. O resultado sinaliza pressão sobre os custos de produção de fertilizantes nitrogenados e pode influenciar decisões de compra no campo.
O que aconteceu
A Yara informou que o gás mais caro e o adiamento das compras de fertilizantes afetaram as margens e os volumes vendidos. O Ebitda ajustado caiu 16%, para US$ 675 milhões, ante US$ 804 milhões um ano antes.
O preço do gás natural na Europa subiu 57% no trimestre, para US$ 18,1 por milhão de BTU. O custo médio global da companhia avançou de US$ 9,5 para US$ 12,9 por milhão de BTU. Na operação europeia, passou de US$ 12,7 para US$ 16,6.
As entregas globais recuaram 3,3%, de 6 milhões para 5,8 milhões de toneladas. Na Europa, a queda foi de 13%, para 925 mil toneladas. A empresa também reduziu a produção em resposta aos custos elevados, com cortes de 150 mil toneladas de amônia e 115 mil toneladas de produtos acabados.
Por que importa para o agro
O gás natural é uma das principais matérias-primas da produção de amônia, base dos fertilizantes nitrogenados. Quando o custo de energia sobe, a indústria tende a reduzir a produção, repassar parte da alta aos preços ou postergar operações em unidades menos competitivas.
Para o produtor brasileiro, o movimento aumenta a incerteza sobre os preços de ureia e outros nitrogenados. A menor oferta europeia pode abrir espaço para fornecedores de regiões com energia mais barata, mas também elevar a disputa por cargas no mercado internacional. A demanda adiada mostra ainda que preços altos podem levar agricultores a postergar compras, especialmente fora das janelas de aplicação.
Dados e contexto
| Indicador | Resultado no 3º trimestre de 2026 |
|---|---|
| Lucro líquido | US$ 199 milhões, queda de 37,8% |
| Ebitda ajustado | US$ 675 milhões, queda de 16% |
| Entregas globais | 5,8 milhões de toneladas, queda de 3,3% |
| Gás europeu | US$ 18,1 por milhão de BTU, alta de 57% |
| Entregas na Europa | 925 mil toneladas, queda de 13% |
A Yara prevê que os custos com gás natural sejam US$ 450 milhões maiores no quarto trimestre de 2026 e US$ 445 milhões superiores no primeiro trimestre de 2027, na comparação anual, considerando os preços futuros informados pela companhia.
O resultado também foi afetado por problemas de confiabilidade operacional em algumas fábricas. Ainda assim, a empresa informou que sua carteira de pedidos na Europa estava mais forte que o habitual para o período, indicando demanda represada e possibilidade de recuperação das entregas quando os preços melhorarem.
O que observar daqui para frente
O mercado deve acompanhar a trajetória do gás europeu, a retomada das compras pelos agricultores e o nível de produção das fábricas de amônia. No Brasil, a estratégia mais prudente é monitorar custos, prazos de entrega e relação de troca antes de concentrar aquisições. Uma eventual queda da energia pode aliviar os preços, mas novos cortes industriais tendem a limitar a oferta no curto prazo.
Fontes
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