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Governo corre para liberar edital do Tecon Santos 10 e manter leilão em 2026

Ministro Silvio Costa Filho quer edital do Tecon Santos 10 até agosto para evitar novo atraso no leilão e risco à capacidade logística do Porto de Santos.

23 de maio de 2026 4 min de leitura
Governo corre para liberar edital do Tecon Santos 10 e manter leilão em 2026

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou que o edital do terminal de contêineres Tecon Santos 10 precisa ser publicado até agosto para que o leilão aconteça em 2026. A pressa mira a manutenção da capacidade do Porto de Santos, peça central da logística de grãos, carnes, açúcar, café e outros produtos do agro brasileiro.

O que aconteceu

Silvio Costa Filho declarou que o governo trabalha com prazo máximo até agosto para soltar o edital de arrendamento do Tecon Santos 10, área estratégica do Porto de Santos. Segundo o ministro, esse cronograma é necessário para cumprir todas as etapas legais e regulatórias e chegar ao leilão no ano de 2026.

O projeto foi alvo de questionamentos no Tribunal de Contas da União (TCU), o que atrasou o processo e elevou o risco de judicialização. O governo agora tenta ajustar o modelo, reduzir incertezas e dar segurança jurídica aos investidores interessados, incluindo grandes armadores internacionais.

O terminal é considerado um dos principais ativos do próximo ciclo de concessões portuárias. A expectativa da pasta é atrair um operador com capacidade de investimento elevado em infraestrutura, tecnologia e aumento de produtividade, ampliando a oferta de janelas para os navios e reduzindo gargalos nos períodos de pico de exportação.

Por que importa para o agro

O Porto de Santos é o maior complexo portuário da América Latina e escoa grande parte da soja, milho, açúcar, proteínas animais, café e suco de laranja do país. Qualquer atraso em novos leilões, como o do Tecon Santos 10, tende a manter gargalos logísticos, encarecer o frete e aumentar o risco de filas e demurrage nas janelas de embarque.

Para o produtor e as tradings, a ampliação e modernização dos terminais de contêineres é chave para cargas de maior valor agregado, produtos industrializados, carnes refrigeradas e frutas. Um leilão bem-sucedido, com regras claras e investimentos garantidos, pode melhorar a eficiência portuária, reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade do agro brasileiro no mercado internacional.

Dados e contexto

O Porto de Santos responde por cerca de 28% da corrente de comércio exterior brasileira, segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS). No agro, Conab e MAPA apontam que o porto é rota relevante para:

  • Soja e milho do Centro-Oeste e Sudeste
  • Açúcar do Centro-Sul
  • Carnes de aves e suínos refrigeradas e congeladas
  • Café, suco de laranja e algodão
Nos últimos anos, o volume de contêineres em Santos cresceu em linha com a expansão de produtos processados e refrigerados. Estudos de capacidade da APS indicam que, sem novos investimentos em terminais, a operação tende a operar mais próxima do limite físico, principalmente durante o pico da safra de grãos e o embarque simultâneo de outras commodities.

O TCU tem revisado modelagens de concessões portuárias para ajustar prazos, critérios de outorga e exigências de investimento. Isso aumenta o escrutínio, mas também estende prazos e pode travar o calendário. Relatórios de mercado citam risco de judicialização envolvendo grandes players globais – como armadores e operadores de terminais – caso não haja equilíbrio competitivo no desenho do edital.

IndicadorDestaque aproximado*
Participação de Santos na corrente de comércio do Brasil~28%
Tipos de carga relevantes para o agrogrãos, açúcar, carnes, café, suco, algodão
Janela-alvo para publicação do editalaté agosto de 2026, segundo o ministro

*Dados de participação com base em informações da APS e órgãos do governo federal.

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e tradings devem acompanhar três pontos: a data efetiva de publicação do edital, eventuais ajustes determinados pelo TCU e o nível de investimento mínimo exigido no terminal. Se o cronograma escorregar ou se o leilão sofrer nova contestação, o risco é manter gargalos no Porto de Santos por mais tempo, com impacto direto em custo logístico, previsibilidade de embarques e competitividade das exportações agropecuárias.

Fontes

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