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Governo joga para o setor produtivo a responsabilidade por atender exigências da UE

Após veto da União Europeia à carne brasileira, governo diz que cabe ao setor produtivo se adequar às regras de antimicrobianos para recuperar o mercado.

08 de julho de 2026 4 min de leitura
Governo joga para o setor produtivo a responsabilidade por atender exigências da UE

A confirmação do veto da União Europeia à importação de carne bovina, de frango, pescado, mel e tripas do Brasil, a partir de 3 de setembro de 2026, expôs um racha entre governo e cadeia produtiva. Enquanto Bruxelas aponta falta de garantias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, o governo brasileiro afirma que a adequação às regras é responsabilidade direta do setor produtivo, que precisa comprovar mudanças no manejo para recuperar o mercado europeu.[1][2][4][5]

O que aconteceu

A Comissão Europeia publicou regulamento retirando o Brasil da lista de países autorizados a exportar diversos produtos de origem animal ao bloco, alegando que não recebeu informações suficientes que comprovem o cumprimento integral das normas sobre uso de antimicrobianos ao longo de todo o ciclo de vida dos animais.[1][2][4][5]

O veto não está ligado a carne contaminada ou surtos sanitários, mas à ausência de garantias de que antibióticos não são usados para promoção de crescimento ou em desacordo com a lista de medicamentos reservados à saúde humana.[1][2]

O Brasil foi o único país excluído da lista por não atender às exigências no prazo. Para voltar a exportar, terá de demonstrar, com sistemas de controle e rastreabilidade, que cumpre as regras europeias em bovinos, aves, equinos, aquicultura, mel e tripas.[1][2][4]

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Por que importa para o agro

A UE é um dos mercados mais exigentes e com maior poder de compra para carne de alto valor agregado. A perda dessa demanda pressiona preços, redireciona oferta para outros destinos e pode reduzir margens, sobretudo de frigoríficos e produtores integrados em cadeias voltadas ao mercado premium europeu.[1][4][5]

Na prática, o recado de Bruxelas é que não basta ter status sanitário; é preciso provar políticas claras de redução de antimicrobianos e rastreabilidade detalhada. Quem se adiantar na adequação pode conquistar nichos de maior valor, enquanto quem resistir às mudanças corre risco de ficar restrito a mercados menos exigentes e mais voláteis.[1][2]

Dados e contexto

A decisão europeia se apoia em novas regras que restringem o uso de antimicrobianos na produção animal, proibindo antibióticos como promotores de crescimento e limitando substâncias críticas à medicina humana.[1][2]

O regulamento publicado no Diário Oficial da UE prevê:

  • Início do veto: 3 de setembro de 2026.[1][2][4]
  • Produtos afetados: carne bovina, frango, equinos, pescado, mel, tripas e outros derivados de origem animal.[1][2][4][5]
  • Condição para retorno: comprovar cumprimento das normas de antimicrobianos em toda a cadeia produtiva.[2]
Hoje, o Brasil mantém exportações normais até a entrada em vigor da medida, enquanto governo e setor privado tentam negociar soluções técnicas e apresentar garantias adicionais à Comissão Europeia.[5][6][7]

Em nota, ministérios brasileiros classificaram o veto como injustificado, mas reconheceram que será necessário ajustar processos de controle de uso de medicamentos, documentação e auditorias para atender à lógica regulatória da UE.[5][6]

Ponto centralSituação do Brasil
Controle de antimicrobianosConsiderado insuficiente pela UE para comprovar cumprimento das regras[1][2][5]
Posição na lista de exportadoresBrasil excluído; único país retirado por falta de garantias no prazo[1][4]
Caminho para reabilitaçãoAjustar manejo, rastreabilidade e documentação e convencer a Comissão Europeia[2][5][6]

O que observar daqui pra frente

Produtores e frigoríficos terão de decidir se vão investir rapidamente em protocolos mais rígidos de uso de antimicrobianos, rastreabilidade e transparência, alinhados ao padrão europeu, ou se vão apostar em outros mercados. O ritmo de resposta do setor produtivo, a capacidade do governo em consolidar um sistema nacional de controle e a disposição da UE em reconhecer essas mudanças serão decisivos para definir se o Brasil volta a vender carne ao bloco ou perde espaço de forma duradoura.[1][2][5][6]

Fontes

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