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Governo sanciona MP do Frete e evita caducidade da regra do piso

Governo sanciona no limite a MP do Frete, mantém piso mínimo e novas punições e reduz risco de nova crise com caminhoneiros e impacto na logística do agro.

05 de agosto de 2026 4 min de leitura
Governo sanciona MP do Frete e evita caducidade da regra do piso

A Presidência da República sancionou, no limite do prazo, a MP do Frete, que reforça o cumprimento do piso mínimo do frete rodoviário e ajusta punições para quem descumprir a tabela. A decisão evita que a medida caduque, reduz risco de novas paralisações de caminhoneiros e mantém regras que afetam diretamente o custo de transporte da produção agropecuária.

O que aconteceu

A Medida Provisória 1.343, conhecida como MP do Frete, foi editada para garantir o pagamento do piso mínimo aos caminhoneiros por meio de maior controle e fiscalização sobre os contratos de transporte. O texto passou por Câmara e Senado sob forte pressão da categoria e de setores do agro e da indústria, que temiam o impacto da caducidade sobre contratos em vigor.

O Congresso aprovou a MP a poucos dias do fim da validade, e o governo sancionou o texto dentro do prazo legal, evitando que todo o arcabouço criado desde março perdesse efeito. A sanção mantém em vigor a exigência de registro das operações de transporte e a possibilidade de multas em caso de contratação abaixo da tabela da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Durante a tramitação, o texto foi ajustado para preservar o piso mínimo, mas reduzir o grau de algumas punições sobre o contratante privado, num meio-termo entre a pauta de caminhoneiros e as preocupações de embarcadores e transportadoras. A proposta de incluir piso salarial fixo para caminhoneiros autônomos acabou retirada na fase final de negociação.

Por que importa para o agro

A logística rodoviária concentra a maior parte do escoamento de grãos, fibras, carnes e insumos no Brasil. Ao manter o piso mínimo de frete e as regras de fiscalização, a MP traz previsibilidade de custo para produtores, cooperativas e tradings, mas reduz espaço para barganha em períodos de safra cheia ou menor demanda de caminhões.

Ao mesmo tempo, a sanção evita uma ruptura regulatória que poderia ocorrer se a MP caducasse. Nesse cenário, contratos firmados com base nas regras de 2026 ficariam juridicamente vulneráveis, abrindo espaço para disputa entre caminhoneiros e contratantes, risco de paralisações pontuais e atrasos em entregas de insumos e no escoamento da safra.

Dados e contexto

  • O transporte rodoviário responde por cerca de 65% da carga movimentada no país, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT).
  • Em grãos, a Conab estima que mais de 70% do escoamento interno de soja e milho depende da malha rodoviária em algum trecho da jornada até portos ou indústrias.
  • A tabela de frete foi criada após a greve de 2018, que paralisou o país e afetou fortemente a oferta de alimentos e combustíveis.
  • A ANTT publica os pisos mínimos considerando tipo de carga, distância e custos como diesel e pedágio, atualizados semestralmente.
  • A MP reforça o uso do CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte), amarrando cada viagem a um registro formal para facilitar a fiscalização.
Ponto da MP do FreteEfeito prático para o agro
Manutenção do piso mínimoDiminui volatilidade de fretes, mas limita negociações abaixo da tabela
Fortalecimento da ANTTAumenta risco de multa para fretes abaixo do piso, exigindo maior compliance das empresas
Exigência de registro das viagensEleva controle burocrático, mas reduz espaço para informalidade e disputas futuras
Retirada de piso salarial fixoEvita aumento adicional de custo imediato para contratantes

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e empresas de logística devem acompanhar a regulamentação da MP pela ANTT e eventuais ações judiciais de entidades empresariais contra pontos da nova lei. A atenção deve se voltar à próxima atualização da tabela de frete, ao comportamento do diesel e às estratégias de contratação (frete spot x contratos de longo prazo), que vão definir se o custo logístico sobe, se estabiliza ou se abre espaço para renegociações em plena safra.

Fontes

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