Grandes frigoríficos avançam no TAC da Carne na Amazônia
Marfrig, Minerva e FriGol atingem 100% de conformidade, e JBS chega a 97,6% nas auditorias do TAC da Carne na Amazônia Legal.
Grandes frigoríficos com operações na Amazônia Legal passaram pelo novo ciclo de auditorias do TAC da Carne com índices de conformidade de até 100% nas compras de gado. Marfrig, Minerva e FriGol tiveram desempenho perfeito nas amostras analisadas, enquanto a JBS registrou 97,6% de conformidade. O resultado reforça pressão por rastreabilidade na pecuária amazônica e sinaliza menor risco de carne ligada a desmatamento ilegal.
O que aconteceu
O Ministério Público Federal (MPF) divulgou os resultados do 3º Ciclo Unificado de auditorias do TAC da Carne, que avalia se frigoríficos cumprem critérios socioambientais ao comprar gado na Amazônia Legal. As análises cobriram transações de 2023 e 2024 em Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins, com foco em origem do rebanho, sobreposição com áreas embargadas e irregularidades fundiárias.
Dos quatro maiores grupos com atuação relevante na região, Marfrig (MBRF), Minerva e FriGol atingiram 100% de conformidade nas amostras auditadas. No caso da Marfrig, foram cerca de 2,5 milhões de cabeças comercializadas no período, com pouco mais de 100 mil animais auditados em Mato Grosso e Rondônia e nenhum registro de inconformidade. Minerva teve cerca de 2,1 milhões de cabeças negociadas e mais de 135 mil auditadas, também com 100% de aprovação.
O FriGol comercializou perto de 880 mil animais, com pouco mais de 80 mil cabeças auditadas em unidade no Pará, novamente com resultado integralmente conforme. A JBS, maior entre as empresas analisadas, comercializou aproximadamente 8,7 milhões de animais na Amazônia Legal e apresentou 97,6% de conformidade nas compras de fornecedores diretos. Na amostra de pouco mais de 467 mil animais, cerca de 11 mil foram classificados como não conformes.
Por que importa para o agro
Os resultados das auditorias reduzem o risco de barreiras comerciais e reputacionais contra a pecuária da Amazônia, especialmente em mercados que exigem rastreabilidade e comprovação de origem legal da carne. Quando grandes frigoríficos conseguem índices próximos de 100% de conformidade, toda a cadeia de fornecedores diretos se torna mais competitiva, com mais chances de acessar programas de bônus, prêmios de sustentabilidade e contratos de longo prazo.
Para o produtor, o recado é claro: quem não se adequar às regras de desmatamento, cadastro ambiental e regularidade fundiária tende a perder espaço nos principais compradores. Como o MPF mantém uma tolerância máxima de 4% de inconformidades nas auditorias, propriedades com passivos ambientais ou animais ligados a áreas embargadas enfrentam maior risco de exclusão das plantas mais relevantes da Amazônia Legal.
Dados e contexto
O programa Carne Legal, coordenado pelo MPF, vem apertando o cerco desde os primeiros ciclos de auditoria. No Pará, por exemplo, o percentual de animais comercializados com alguma inconformidade caiu de cerca de 10,4% para 4,8% em cinco ciclos consecutivos, com empresas atingindo 100% de conformidade em transações auditadas.
As auditorias do 3º ciclo analisaram mais de 1,7 milhão de animais numa amostra que representa parte significativa do abate e exportação na Amazônia Legal. Em média, a inconformidade total na amostra ficou em torno de 7,5%, puxada por frigoríficos com menor estrutura de controle e empresas que não contrataram auditorias independentes.
Entre signatários do TAC com auditoria contratada, o MPF aponta taxa média de irregularidade perto de 4%, enquanto empresas sem auditoria chegam a níveis superiores a 50% em algumas bases, uma diferença de mais de 13 vezes. A combinação de checagem documental, cruzamento de dados com listas de áreas embargadas e informações de órgãos como Ibama e Incra vem elevando o padrão mínimo aceito para operar na região.
Em relatórios complementares, organizações como Imazon e Amigos da Terra mostram que, além dos grandes grupos, frigoríficos médios também vêm ampliando seus níveis de conformidade, com vários casos acima de 99% em ciclos recentes. O movimento reforça a tendência de que o acesso ao mercado passa necessariamente por sistemas de monitoramento de fornecedores.
O que observar daqui pra frente
Produtores e indústrias devem acompanhar a expansão das exigências para fornecedores indiretos, ponto ainda sensível na rastreabilidade da pecuária amazônica. A tendência é de que compradores e MPF passem a exigir integração de dados de transporte, guiias de trânsito animal (GTA) e cadastros ambientais, criando menos espaço para gado de origem duvidosa migrar entre fazendas antes do abate. Quem investir cedo em compliance ambiental, documentação fundiária e integração digital com frigoríficos tende a se posicionar melhor em futuras auditorias e em negociações com mercados mais exigentes.
Fontes
- AgFeed – Grandes frigoríficos passam no teste do TAC da Carne e têm até 100% de conformidade na Amazônia
- MPF – Carne Legal: resultados do 3º Ciclo Unificado de auditorias do TAC da Carne
- MPF – Frigoríficos signatários do TAC na Amazônia têm 13 vezes menos irregularidades
- Imazon – Relatórios sobre conformidade de frigoríficos na Amazônia
- Amigos da Terra – De Olho no TAC 2024
- agfeed.com.br
- mpf.mp.br
- agfeed.com.br
- agfeed.com.br
- imazon.org.br
- oeco.org.br
- agfeed.com.br
- beefpoint.com.br
- agfeed.com.br
- mpf.mp.br
Continue lendo
Pnuma pede corte de 18% nas emissões globais até 2030
Relatório do Pnuma aponta que as emissões globais precisam cair 18% até 2030, ampliando a pressão por mudanças na produção e no consumo.
Seca deixa rebanhos sem alimento e corta renda de famílias em Sergipe
Estiagem atinge 11 municípios, reduz a produção de leite, mata animais e força produtores a vender o rebanho para sobreviver.
UE avalia flexibilizar regras para agrotóxicos e enfrenta reação de cientistas
Proposta da Comissão Europeia pode ampliar autorizações de agrotóxicos, enquanto especialistas alertam para riscos à saúde, ao ambiente e aos trabalhadores rurais.