Grunner investe R$ 19,5 milhões em máquinas a etanol e biometano
Empresa lança motores alternativos e nova plataforma agrícola para reduzir a dependência do diesel no setor sucroenergético.

A Grunner anunciou investimento de R$ 19,5 milhões para ampliar sua linha de máquinas agrícolas com motores movidos a etanol e biometano. A empresa também apresentou uma nova plataforma desenvolvida especificamente para operações no campo. A estratégia busca reduzir a dependência do diesel e aproveitar combustíveis produzidos pelas próprias usinas.
O que aconteceu
Do total investido, R$ 15,5 milhões foram destinados ao desenvolvimento das novas motorizações, em parceria com a MWM. Outros R$ 4 milhões financiaram a nova arquitetura dos equipamentos, criada em conjunto com a Mercedes-Benz.
Os motores já podem equipar as principais linhas da Grunner: ATR, usada no transbordo de cana; ASP, voltada à aplicação de vinhaça; e ADS, destinada à distribuição de sólidos. A Mercedes-Benz continua fornecendo as plataformas e os motores a diesel, enquanto a MWM responde pelas opções a etanol e biometano.
A nova plataforma substitui uma estrutura originalmente desenvolvida para aplicações rodoviárias e depois adaptada ao ambiente agrícola. Segundo a empresa, o projeto específico para o campo deve reduzir intervenções, melhorar a manutenção e aumentar a disponibilidade operacional dos equipamentos.
Por que importa para o agro
Usinas que produzem etanol ou biometano poderão utilizar parte desses combustíveis nas operações agrícolas. A alternativa reduz a exposição às oscilações do preço do diesel e aproxima a geração de energia da demanda por combustível dentro da própria cadeia sucroenergética.
O biometano também permite transformar resíduos agroindustriais em energia para máquinas e veículos. A Embrapa aponta o combustível como uma alternativa para substituir o diesel em tratores e caminhões, enquanto estudos do setor energético indicam potencial de uso em operações de transporte e mecanização agrícola.
Para o produtor e para as usinas, o ganho não depende apenas do combustível. A disponibilidade de abastecimento, o custo de manutenção, a autonomia e o preço final das máquinas serão decisivos para medir a viabilidade econômica da tecnologia.
Dados e contexto
| Item | Informação |
|---|---|
| Investimento total | R$ 19,5 milhões |
| Novas motorizações | R$ 15,5 milhões |
| Nova plataforma agrícola | R$ 4 milhões |
| Combustíveis | Etanol e biometano |
| Linhas atendidas | ATR, ASP e ADS |
| Parceiros | MWM e Mercedes-Benz |
A Grunner também avalia o retrofit de máquinas a diesel para operação com etanol. A conversão não será oferecida para motores a biometano. A nova arquitetura foi projetada para integrar diferentes opções de motorização, mantendo a possibilidade de uso do diesel.
A Embrapa destaca que o biometano é obtido após a purificação do biogás e pode ser produzido a partir de resíduos agrícolas e agroindustriais. Isso favorece modelos de economia circular, principalmente em usinas com oferta própria de vinhaça, palha, bagaço ou outros resíduos orgânicos.
O que observar daqui para frente
A adoção dependerá da expansão da infraestrutura de abastecimento e da comprovação do custo total de operação em campo. Usinas verticalizadas podem ter vantagem por produzir o combustível, mas precisarão comparar investimento, manutenção, autonomia e disponibilidade das máquinas. A evolução do retrofit a etanol e a escala comercial dos equipamentos serão indicadores centrais para o avanço da tecnologia.
Fontes
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