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Grupo Potencial prepara banco para financiar produtores de soja

Grupo Potencial aguarda autorização do Banco Central para criar banco próprio e financiar produtores de soja a partir do segundo semestre de 2027.

02 de novembro de 2026 4 min de leitura
Grupo Potencial prepara banco para financiar produtores de soja

O Grupo Potencial, produtor de biodiesel e distribuidor de combustíveis, planeja criar um banco próprio para financiar agricultores que fornecem soja à empresa. O pedido de autorização está em análise no Banco Central, e a expectativa é iniciar as operações no segundo semestre de 2027.

O que aconteceu

A companhia, com unidade industrial em Lapa (PR), pretende usar a instituição financeira para ampliar o acesso dos produtores a recursos de custeio e outras operações ligadas à produção de soja. O banco deve começar atendendo agricultores integrados à cadeia do grupo.

Segundo a empresa, a autorização pode ser concedida em seis ou sete meses. Depois da licença, ainda serão necessárias etapas operacionais, regulatórias e de estruturação antes do início efetivo das atividades.

Atualmente, as nove empresas do Grupo Potencial são financiadas por um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC), que reúne recebíveis. Com o banco, a companhia pretende ampliar os serviços financeiros e também atender clientes externos.

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Por que importa para o agro

O modelo aproxima o financiamento da comercialização da produção. Para o agricultor, o banco pode representar uma alternativa adicional aos bancos tradicionais, cooperativas, tradings e fornecedores de insumos. A empresa, por sua vez, ganha maior previsibilidade no recebimento da soja necessária para sua operação industrial.

A estratégia também reforça a tendência de empresas de originação, agroindústrias e tradings ampliarem sua atuação no crédito. O financiamento pode ser estruturado com base em contratos de entrega, recebíveis e instrumentos como a Cédula de Produto Rural (CPR).

O principal desafio será equilibrar a oferta de crédito com a análise de risco. Oscilações nos preços da soja, problemas climáticos, quebra de safra e inadimplência podem afetar tanto o produtor quanto a instituição financeira.

Dados e contexto

O mercado de crédito rural passa por mudanças com a participação crescente de fontes privadas. Dados do Ministério da Agricultura, com base no Banco Central, mostram que a agricultura empresarial contratou R$ 28,2 bilhões em crédito rural em julho de 2026, primeiro mês da safra 2026/27.[3]

Na safra 2025/26, o crédito rural empresarial contratado entre julho de 2025 e janeiro de 2026 somou R$ 316,57 bilhões, alta de 6% sobre o mesmo período anterior. As CPRs chegaram a R$ 143,22 bilhões, avanço de 37%.[4]

IndicadorDado
Início previsto do banco2º semestre de 2027
Prazo estimado para autorização6 a 7 meses
Crédito empresarial em julho de 2026R$ 28,2 bilhões
CPRs entre julho de 2025 e janeiro de 2026R$ 143,22 bilhões

A programação de recursos equalizáveis para a safra 2026/27 soma R$ 97,6 bilhões, segundo o governo federal.[3] A expansão de alternativas privadas tende a ganhar espaço quando produtores enfrentam juros elevados, restrições bancárias ou demora na liberação de recursos.

O que observar daqui para frente

O próximo passo é a decisão do Banco Central sobre a licença. Depois, será necessário acompanhar as taxas, os critérios de elegibilidade, as garantias exigidas e o modelo de contratação com os produtores. Para o agricultor, a oportunidade pode estar em comparar o custo total do financiamento e evitar comprometer a produção futura com contratos pouco flexíveis.

Fontes

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