Guerra reduz produção de azeite em Gaza a uma fração do normal
Destruição de oliveiras e restrições de acesso derrubam a colheita em Gaza e elevam o preço do azeite para produtores e consumidores.
A destruição de oliveiras, a restrição de acesso às lavouras e os danos à infraestrutura agrícola reduziram drasticamente a produção de azeite em Gaza. A colheita prevista para esta temporada deve ficar em 5 mil toneladas de azeitonas, contra 40 mil em anos normais. A produção de azeite pode cair para 700 toneladas, ante 5 mil.
O que aconteceu
As autoridades agrícolas locais estimam que restem apenas 150 mil oliveiras de um total anterior de 2 milhões. Tratores, operações militares e a impossibilidade de chegar aos pomares interromperam o ciclo de manejo e colheita.
A destruição atingiu também as unidades de processamento. Segundo dados citados pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Gaza tinha 37 prensas de azeite antes da guerra, mas apenas quatro continuavam operando no início de 2025. Com menos frutos e menor capacidade industrial, parte da produção não chega ao mercado.
A oferta limitada elevou o preço do azeite para cerca de três vezes o valor praticado antes do conflito. Para famílias que dependem da produção rural, a perda envolve renda, alimentação e patrimônio agrícola acumulado ao longo de gerações.
Por que importa para o agro
A oliveira é uma cultura perene. Quando um pomar é destruído, o produtor não recompõe a renda na safra seguinte. Mesmo com replantio, as novas árvores precisam de anos para atingir produção comercial. A recuperação exige mudas, água, fertilizantes, mão de obra, acesso à terra e unidades de processamento.
O caso também mostra como conflitos interrompem cadeias inteiras, e não apenas a produção no campo. Estradas bloqueadas, falta de combustível, danos a prensas e restrições de circulação impedem o transporte e o beneficiamento. O resultado é menor oferta local, maior dependência de ajuda externa e pressão sobre os preços.
Dados e contexto
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Centro de Satélites da ONU (UNOSAT) estimaram que 75% das áreas agrícolas de Gaza estavam danificadas ou destruídas após 15 meses de conflito. O impacto inclui lavouras anuais, pomares, oliveiras, estufas e poços de água.
| Indicador | Situação registrada |
|---|---|
| Oliveiras remanescentes | Cerca de 150 mil, segundo autoridades agrícolas de Gaza |
| Colheita de azeitonas | 5 mil toneladas previstas, contra 40 mil normalmente |
| Produção de azeite | 700 toneladas previstas, contra 5 mil normalmente |
| Prensas em operação | 4, ante 37 antes da guerra |
| Áreas agrícolas afetadas | 75%, segundo FAO e UNOSAT |
Antes da escalada do conflito, a FAO informava que Gaza produzia parte relevante de suas frutas, vegetais e azeite. A agricultura também respondia por parcela importante da alimentação diária da população, o que torna a destruição dos pomares um problema de segurança alimentar, além de uma perda econômica.
O que observar daqui para frente
A recuperação dependerá do acesso seguro às áreas rurais, da remoção de destroços e da reconstrução de prensas, poços e estradas. O replantio pode abrir uma frente de reconstrução produtiva, mas a retomada do azeite será lenta. Sem assistência técnica, crédito, mudas e garantias de acesso à terra, a cadeia deve continuar com baixa oferta e preços elevados.
Fontes
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