Sustentabilidade

Guerra reduz produção de azeite em Gaza a uma fração do normal

Destruição de oliveiras e restrições de acesso derrubam a colheita em Gaza e elevam o preço do azeite para produtores e consumidores.

19 de outubro de 2026 3 min de leitura
Guerra reduz produção de azeite em Gaza a uma fração do normal

A destruição de oliveiras, a restrição de acesso às lavouras e os danos à infraestrutura agrícola reduziram drasticamente a produção de azeite em Gaza. A colheita prevista para esta temporada deve ficar em 5 mil toneladas de azeitonas, contra 40 mil em anos normais. A produção de azeite pode cair para 700 toneladas, ante 5 mil.

O que aconteceu

As autoridades agrícolas locais estimam que restem apenas 150 mil oliveiras de um total anterior de 2 milhões. Tratores, operações militares e a impossibilidade de chegar aos pomares interromperam o ciclo de manejo e colheita.

A destruição atingiu também as unidades de processamento. Segundo dados citados pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Gaza tinha 37 prensas de azeite antes da guerra, mas apenas quatro continuavam operando no início de 2025. Com menos frutos e menor capacidade industrial, parte da produção não chega ao mercado.

A oferta limitada elevou o preço do azeite para cerca de três vezes o valor praticado antes do conflito. Para famílias que dependem da produção rural, a perda envolve renda, alimentação e patrimônio agrícola acumulado ao longo de gerações.

Por que importa para o agro

A oliveira é uma cultura perene. Quando um pomar é destruído, o produtor não recompõe a renda na safra seguinte. Mesmo com replantio, as novas árvores precisam de anos para atingir produção comercial. A recuperação exige mudas, água, fertilizantes, mão de obra, acesso à terra e unidades de processamento.

O caso também mostra como conflitos interrompem cadeias inteiras, e não apenas a produção no campo. Estradas bloqueadas, falta de combustível, danos a prensas e restrições de circulação impedem o transporte e o beneficiamento. O resultado é menor oferta local, maior dependência de ajuda externa e pressão sobre os preços.

Dados e contexto

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Centro de Satélites da ONU (UNOSAT) estimaram que 75% das áreas agrícolas de Gaza estavam danificadas ou destruídas após 15 meses de conflito. O impacto inclui lavouras anuais, pomares, oliveiras, estufas e poços de água.

IndicadorSituação registrada
Oliveiras remanescentesCerca de 150 mil, segundo autoridades agrícolas de Gaza
Colheita de azeitonas5 mil toneladas previstas, contra 40 mil normalmente
Produção de azeite700 toneladas previstas, contra 5 mil normalmente
Prensas em operação4, ante 37 antes da guerra
Áreas agrícolas afetadas75%, segundo FAO e UNOSAT

Antes da escalada do conflito, a FAO informava que Gaza produzia parte relevante de suas frutas, vegetais e azeite. A agricultura também respondia por parcela importante da alimentação diária da população, o que torna a destruição dos pomares um problema de segurança alimentar, além de uma perda econômica.

O que observar daqui para frente

A recuperação dependerá do acesso seguro às áreas rurais, da remoção de destroços e da reconstrução de prensas, poços e estradas. O replantio pode abrir uma frente de reconstrução produtiva, mas a retomada do azeite será lenta. Sem assistência técnica, crédito, mudas e garantias de acesso à terra, a cadeia deve continuar com baixa oferta e preços elevados.

Fontes

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