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Hidrogênio verde abre caminho para fertilizantes mais baratos no RS

Projetos de hidrogênio verde no RS miram produção local de fertilizantes, redução de custos e menor dependência de importações.

01 de setembro de 2026 4 min de leitura
Hidrogênio verde abre caminho para fertilizantes mais baratos no RS

O Rio Grande do Sul avança em projetos de hidrogênio verde voltados à produção de amônia e ureia de baixo carbono, com foco direto no mercado de fertilizantes. A estratégia mira reduzir a dependência de importações, dar previsibilidade de custos ao produtor e fortalecer a segurança da cadeia do agro gaúcho.

O que aconteceu

O governo gaúcho e empresas privadas vêm estruturando um corredor de plantas de hidrogênio verde e amônia verde em municípios como Passo Fundo, Tio Hugo, Vacaria e Rio Grande. Essas unidades vão produzir fertilizantes nitrogenados a partir de energia renovável, substituindo insumos hoje trazidos de mercados externos instáveis.[4][7][11]

Entre os projetos, há plantas com capacidade prevista de até 100 mil toneladas/ano de ureia verde e milhares de toneladas anuais de amônia verde. Em alguns casos, a meta declarada é suprir até 10% da demanda de fertilizantes nitrogenados do RS, reduzindo a vulnerabilidade do estado a choques cambiais e geopolíticos.[2][1][8]

Por que importa para o agro

Para o produtor, fertilizante é um dos principais itens de custo. Com mais de 80% dos fertilizantes nitrogenados importados, qualquer variação do dólar ou de crises como a guerra na Ucrânia impacta diretamente a margem da lavoura. A produção de amônia e ureia verdes dentro do estado tende a reduzir essa exposição e dar mais previsibilidade ao planejamento de safra.[10][4]

Além do custo, há o componente de acesso. Ter insumo sustentável “na porta” dos polos de produção de fertilizantes diminui riscos logísticos e pode encurtar prazos de entrega. Projetos citados pelo governo gaúcho e por empresas do setor falam em ganhos de eficiência financeira e em uma base mais estável para culturas como soja, milho e trigo, que dependem fortemente de adubação nitrogenada.[4][6]

Dados e contexto

  • O Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes usados na agricultura, com destaque para nitrogenados, segundo dados de mercado e do MAPA.
  • No Rio Grande, a importação anual de ureia gira em torno de 2 milhões de toneladas, enquanto uma das plantas previstas pretende produzir cerca de 100 mil toneladas/ano, atendendo parte da demanda local.[8]
  • Projetos de amônia verde no RS mencionam capacidades iniciais de 4 mil a 8 mil toneladas/ano de amônia, voltadas à produção de fertilizantes de baixo carbono.[3][4]
  • Investimentos anunciados para plantas de hidrogênio e amônia verde variam de cerca de R$ 80 milhões em Tio Hugo a aproximadamente R$ 220 milhões em Rio Grande, indicando a formação de um novo polo industrial ligado ao agro.[3][7]
IndicadorSituação aproximada no RS/Brasil
Importação de fertilizantes no Brasil>80% do consumo nacional

| Ureia importada via Rio Grande | ~2 milhões t/ano | | Capacidade de planta de ureia verde | até 100 mil t/ano | | Capacidade de amônia verde (plantas) | milhares de t/ano |

Esses projetos se conectam a agendas de descarbonização da economia gaúcha e nacional, alinhadas a iniciativas estaduais como o programa H2V-RS e a discussões globais sobre fertilizantes de menor pegada de carbono. Para o agro, o foco prático é garantir insumo, reduzir custo no médio prazo e manter competitividade nas exportações.

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas devem acompanhar a evolução da construção das plantas, a capacidade efetiva de oferta ao mercado interno e, sobretudo, a formação de preços dos fertilizantes verdes em comparação aos produtos tradicionais importados. A rapidez na entrada em operação, eventuais incentivos fiscais e a integração com distribuidores de insumos vão definir se o hidrogênio verde será apenas vitrine de sustentabilidade ou se, de fato, se converterá em oportunidade concreta de redução de custos e maior segurança para o agro gaúcho.

Fontes

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