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IGP-10 desacelera para 0,89% em maio e alivia pressão de custos

IGP-10 sobe 0,89% em maio, bem abaixo de abril, com recuo forte no atacado e alívio pontual na pressão de custos para o agronegócio.

18 de maio de 2026 4 min de leitura
IGP-10 desacelera para 0,89% em maio e alivia pressão de custos

O IGP-10 registrou alta de 0,89% em maio, depois de avançar 2,94% em abril, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). A forte desaceleração veio principalmente do atacado e reduz, por ora, a pressão inflacionária sobre custos de produção, frete e insumos ligados ao agronegócio.

O que aconteceu

O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) mede a variação de preços entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência. Em maio, o indicador perdeu força em relação a abril, mas segue em terreno positivo, indicando continuidade da inflação, só que em ritmo menor.

A principal mudança ocorreu no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que reflete o atacado e tem peso maior no IGP-10. Após salto em abril, o IPA desacelerou em maio, com arrefecimento de algumas commodities e ajustes em preços industriais. Itens ligados a combustíveis e matérias-primas registraram variações menores.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) também avançaram em maio, mas sem grandes surpresas. A inflação ao consumidor continua pressionada por serviços e alimentação, enquanto a construção civil segue enfrentando mão de obra cara e materiais ainda em patamar elevado.

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Por que importa para o agro

A desaceleração do IGP-10 é um sinal de alívio temporário para o produtor rural na frente de custos. Como o índice é fortemente influenciado pelo atacado, mudanças no IPA costumam antecipar movimentos em fertilizantes, defensivos, embalagens, combustíveis e fretes.

Mesmo com a alta menor, o nível de preços continua alto em relação aos últimos anos. Isso significa que o produtor segue operando com custos historicamente elevados, enquanto os preços de soja, milho, carne bovina, suína e de frango vêm oscilando, pressionando margens. Para quem está alavancado, qualquer mudança na curva de juros atrelada à inflação também entra no radar.

Dados e contexto

O IGP-10 é calculado pela FGV e combina três componentes principais:

ÍndiceO que medePeso aproximado no IGP-10
**IPA-10**Atacado (commodities agro e industriais)~60%
**IPC-10**Inflação ao consumidor~30%
**INCC-10**Custo da construção civil~10%

Pontos-chave do resultado de maio, segundo a FGV:

  • IGP-10: 0,89% em maio vs. 2,94% em abril.
  • O IPA passou de forte alta em abril para um avanço bem mais moderado, com menor pressão de commodities.
  • O IPC seguiu positivo, refletindo inflação resistente em serviços e alimentação.
  • O INCC continuou pressionado por mão de obra e insumos da construção.
Historicamente, os IGPs da FGV (IGP-M, IGP-DI e IGP-10) são usados como referência em contratos de aluguel, tarifas, serviços e, em menor escala, em operações de crédito. O Banco Central acompanha esses índices em conjunto com o IPCA, do IBGE, que é a inflação oficial da meta.

Para o agronegócio, o movimento recente dos índices de preços se soma a outros fatores relevantes:

  • Custos de produção ainda elevados, como mostram levantamentos da Conab e de consultorias privadas para soja, milho e pecuária.
  • Taxas de juros em patamar alto, que encarecem capital de giro, custeio e investimento rural.
  • Volatilidade cambial, influenciando o preço de insumos importados (fertilizantes, defensivos, máquinas) e a competitividade das exportações.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas do agro precisam acompanhar a sequência dos IGPs, o IPCA e as decisões do Banco Central. Uma desinflação consistente no atacado pode aliviar custos de insumos na próxima safra, mas a manutenção de juros altos e de preços ainda elevados exige cautela em endividamento, travas de preços e negociação de contratos indexados. O desafio é equilibrar proteção contra inflação com preservação de margem e de fluxo de caixa.

Fontes

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