Impasse entre Bom Futuro e SLC trava venda de terras da Radar no MT
Bom Futuro e SLC alegam direito de preferência sobre o mesmo bloco de 41,2 mil hectares da Radar em Mato Grosso, em negócio de R$ 1,85 bilhão.
A venda de 41,2 mil hectares de terras da Radar em Mato Grosso, avaliada em R$ 1,85 bilhão, virou disputa jurídica e comercial entre dois gigantes do agro: Bom Futuro e SLC Agrícola.[1][4] Ambos alegam ter direito de preferência nos contratos de arrendamento e reivindicam prioridade para comprar o mesmo bloco de fazendas.
O que aconteceu
A Radar, empresa de propriedades rurais controlada pela Cosan e pela gestora americana Nuveen, colocou à venda um bloco de terras produtivas em Mato Grosso, conhecido como Bloco Mato Grosso.[1][3] Em 17 de junho, o grupo Bom Futuro anunciou ter exercido seu direito de preferência para adquirir a totalidade do bloco pelo valor de R$ 1,85 bilhão.[1][4]
Horas antes, a SLC Agrícola já havia informado ao mercado que exerceu, “de forma irrevogável e irretratável”, o direito de compra sobre o mesmo conjunto de áreas, com base em cláusulas de seus contratos de arrendamento com a Radar.[2][4] A SLC arrenda cerca de 60% das terras envolvidas na transação e opera diretamente 17,6 mil hectares do bloco.[2][3]
Com dois contratos de arrendamento distintos e duas declarações de exercício de preferência sobre o mesmo ativo, a venda, que parecia encaminhada, foi travada. Agora, a decisão passa por negociação entre as partes, leitura fina dos contratos e, possivelmente, pela Justiça.[1][4]
Por que importa para o agro
A disputa envolve um dos maiores pacotes recentes de terras agrícolas no País, em uma região de alta produtividade em grãos e fibras. O desfecho pode influenciar preços de terra em Mato Grosso, onde operações de grande porte têm servido de referência para avaliações de fazendas e para decisões de expansão de grupos agrícolas.[3][4]
O caso também reforça a importância de contratos de arrendamento bem estruturados e da gestão de riscos jurídicos em operações de terra. Produtores, investidores e empresas que atuam com arrendamento precisam acompanhar o desdobramento, já que uma eventual judicialização pode alongar prazos de fechamento de negócios e trazer mais exigências regulatórias em transações desse porte.[1][2]
Dados e contexto
A transação coloca em disputa:
- 41,2 mil hectares de terras produtivas no Mato Grosso.[1][3]
- Valor de R$ 1,85 bilhão, equivalente a cerca de 427 sacas de soja por hectare, segundo cálculos de mercado.[3]
- SLC arrendando aproximadamente 60% das áreas e já operando 17,6 mil hectares do bloco.[2][3]
- Modalidade de aquisição em regime de “porteira fechada”, em caráter indivisível, conforme comunicado da SLC.[7]
A aquisição anunciada pela SLC ainda depende de aval do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), o que adiciona uma camada regulatória à disputa.[2] Qualquer decisão que concentre ainda mais terras em grandes grupos pode ser analisada sob ótica de concorrência e impacto em mercados regionais.
O que observar daqui pra frente
O setor deve acompanhar três pontos: a interpretação jurídica dos contratos de arrendamento, a eventual entrada da disputa na Justiça e a avaliação do Cade sobre concentração de terras agrícolas em Mato Grosso.[1][2][7] O resultado pode definir quem ampliará sua base de ativos em uma das regiões mais disputadas do agro brasileiro e servir de precedente para outras operações de grande porte envolvendo direitos de preferência, estruturando melhor negociações futuras entre arrendatários e proprietários.
Fontes
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