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Impasse entre SLC e Bom Futuro trava mega negócio de terras da Radar no MT

SLC Agrícola e Grupo Bom Futuro reivindicam direito de preferência sobre o mesmo pacote de fazendas da Radar em Mato Grosso, em operação de R$ 1,85 bilhão que pode redefinir o mercado de terras agrícolas.

27 de junho de 2026 4 min de leitura
Impasse entre SLC e Bom Futuro trava mega negócio de terras da Radar no MT

SLC Agrícola e Grupo Bom Futuro reivindicam direito de preferência sobre o mesmo pacote de fazendas da Radar, empresa de terras agrícolas ligada à Cosan, em Mato Grosso. O negócio, estimado em R$ 1,85 bilhão por cerca de 41 mil hectares, virou um dos maiores embates recentes do mercado de terras do agro e pode redefinir a estratégia das duas gigantes em grãos.

O que aconteceu

A Radar, gestora de propriedades rurais controlada pela Cosan em parceria com a Nuveen, negociou com o Grupo Bom Futuro a venda de aproximadamente 41,2 mil hectares de terras no Mato Grosso, pelo valor de R$ 1,85 bilhão.[1][2]

A SLC Agrícola, que já arrenda parte relevante dessas áreas, informou ao mercado que foi oficialmente notificada da operação e de seu direito de preferência para compra, com prazo estimado em cerca de 30 dias para decidir se exerce esse direito.[4][9]

Pouco depois, o Grupo Bom Futuro também passou a declarar que possui direito de preferência sobre o mesmo pacote, criando um impasse jurídico e contratual. Ambos os grupos afirmam ter cláusulas que garantem prioridade na aquisição das terras da Radar, e comunicados públicos reforçam que cada lado se considera credor legítimo dessa preferência.[1][5][8]

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Por que importa para o agro

A disputa envolve dois dos maiores players privados de produção de grãos no Brasil em uma região estratégica do Mato Grosso, estado líder em soja e milho. A definição de quem ficará com o ativo tende a influenciar valores de arrendamento, expansão de área e consolidação de grandes grupos agrícolas no Centro-Oeste.[3][4]

O negócio ainda depende de aprovação do Cade e pode servir de referência para precificação de terras agrícolas de alta produtividade, num momento em que fundos, empresas e produtores buscam ativos reais como proteção e expansão de portfólio. Um desfecho favorável a SLC ou Bom Futuro pode fortalecer o modelo de integração entre produção, gestão de terras e capital financeiro.[1][3]

Dados e contexto

As principais informações divulgadas até agora indicam:

IndicadorValor/Informação
Área total negociada**41,2 mil ha** (Bloco Mato Grosso)
LocalizaçãoRegião de **Diamantino** e **Campo Novo do Parecis (MT)**
Valor da operação**R$ 1,85 bilhão**
Valor médio por hectare (estimado)Cerca de **R$ 45 mil/ha**
Área arrendada pela SLC dentro do blocoAproximadamente **17,6 mil ha**
Sinal previsto em caso de compra pela SLC**R$ 700 milhões**, com saldo de **R$ 1,15 bilhão** na lavratura da escritura

A SLC é uma das maiores produtoras de soja, milho e algodão do país e opera com forte uso de arrendamento de terras, estratégia que reduz imobilização de capital e amplia escala. Hoje, a empresa arrenda perto de 70% das áreas incluídas na negociação com a Radar.[3][4]

Já o Grupo Bom Futuro, dos irmãos Maggi, é referência em produção de grãos e algodão no Mato Grosso, com histórico de expansão agressiva em terras de alta produtividade. A oferta pela totalidade do bloco mostra o apetite da companhia por consolidar ainda mais sua base fundiária em regiões-chave do estado.[2][7]

O que observar daqui pra frente

Os próximos passos passam por três frentes: decisão da SLC sobre exercer ou não a preferência no prazo contratual; eventual contestação judicial do direito alegado pelo Bom Futuro; e análise do negócio pelo Cade, que pode impor condições à aquisição. Para o produtor e o mercado, o ponto-chave é acompanhar como esse desfecho afetará preços de terras, custos de arrendamento e a concentração de grandes grupos em áreas de alta produtividade no Mato Grosso.

Fontes

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