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Inadimplência no agro fecha 2025 em 8,2% e acende alerta no crédito rural

Inadimplência no agronegócio brasileiro sobe para 8,2% em 2025, pressiona crédito e exige gestão mais rigorosa de caixa nas propriedades.

07 de junho de 2026 4 min de leitura
Inadimplência no agro fecha 2025 em 8,2% e acende alerta no crédito rural

A inadimplência no agronegócio brasileiro encerrou 2025 em 8,2%, alta de 1 ponto percentual frente ao fim de 2024, segundo a Serasa Experian.[1] O avanço ocorreu em um cenário de margens apertadas, custos elevados e maior dependência de crédito, o que aumenta o risco financeiro para produtores, tradings, cooperativas e toda a cadeia do agro.[1]

O que aconteceu

O levantamento da Serasa mostra que a inadimplência no agro voltou a subir no quarto trimestre de 2025, interrompendo um período de relativa estabilidade observado no primeiro semestre.[1] O resultado consolidado do ano indica deterioração da capacidade de pagamento em várias regiões produtoras, especialmente em segmentos mais alavancados.[1]

De acordo com a análise, o aumento do custo financeiro, somado a insumos ainda caros e à pressão sobre preços agrícolas em algumas culturas, reduziu o fôlego de caixa de muitos produtores.[1][2] A combinação de safra com rentabilidade menor e compromissos assumidos em anos anteriores criou um descompasso entre receita e serviço da dívida.

O movimento de alta ocorre em um momento em que o crédito privado, via tradings, revendas e cooperativas, tem peso crescente no financiamento da safra, muitas vezes com prazos mais curtos e custos maiores que as linhas oficiais.

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Por que importa para o agro

A elevação da inadimplência tende a deixar bancos e fornecedores mais seletivos na concessão de crédito, com exigência maior de garantias e histórico financeiro.[1] Na prática, produtores com estrutura de gestão frágil e fluxo de caixa irregular podem enfrentar cortes de limite, juros mais altos e renegociações menos favoráveis.

Para a cadeia como um todo, o risco aumenta em contratos de barter, vendas a prazo de insumos e operações entre empresas do agro.[2] Cooperativas, cerealistas e revendas passam a carregar mais risco de calote em carteira, o que pode apertar prazos, encarecer produtos e reduzir a oferta de financiamento direto ao produtor.

Dados e contexto

O dado de 8,2% de inadimplência no agronegócio em 2025 representa alta de 1 ponto percentual em relação ao final de 2024, segundo a Serasa Experian.[1][2]

Alguns fatores ajudam a explicar o cenário:

  • Margens comprimidas em várias culturas, com custos de produção elevados e preços menos favoráveis em comparação a anos de pico.[1]
  • Serviço da dívida mais pesado, com produtores carregando financiamentos de safras anteriores.
  • Maior uso de crédito comercial, via fornecedores e tradings, aumentando a exposição ao risco de curto prazo.
Em relatórios recentes, Conab e Embrapa vêm alertando para o impacto de custos de fertilizantes, defensivos e arrendamento na formação do custo total de produção em grãos e pecuária, o que pressiona o resultado líquido das fazendas.
Indicador (2025)Situação apontada pela Serasa
Inadimplência no agro**8,2%** no fim do ano
Variação anual+1 ponto percentual vs. fim de 2024

No crédito rural oficial, os dados do Banco Central e do MAPA mostram que, apesar de a carteira seguir crescente em volume, há aumento de renegociações em algumas praças, especialmente em regiões afetadas por clima adverso e queda de produtividade.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas do agro precisam reforçar gestão de caixa, planejamento de safra e controle de endividamento para atravessar um ambiente de crédito mais seletivo. Vale monitorar a evolução da inadimplência em 2026, eventuais programas de renegociação, mudanças em juros e a disposição de bancos, cooperativas de crédito e tradings em manter limites, pois isso pode definir quem terá capital para investir e quem ficará travado apenas tentando rolar dívidas.[1][2]

Fontes

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