Inadimplência no agro fecha 2025 em 8,2% e acende alerta no crédito rural
Inadimplência no agronegócio brasileiro sobe para 8,2% em 2025, pressiona crédito e exige gestão mais rigorosa de caixa nas propriedades.
A inadimplência no agronegócio brasileiro encerrou 2025 em 8,2%, alta de 1 ponto percentual frente ao fim de 2024, segundo a Serasa Experian.[1] O avanço ocorreu em um cenário de margens apertadas, custos elevados e maior dependência de crédito, o que aumenta o risco financeiro para produtores, tradings, cooperativas e toda a cadeia do agro.[1]
O que aconteceu
O levantamento da Serasa mostra que a inadimplência no agro voltou a subir no quarto trimestre de 2025, interrompendo um período de relativa estabilidade observado no primeiro semestre.[1] O resultado consolidado do ano indica deterioração da capacidade de pagamento em várias regiões produtoras, especialmente em segmentos mais alavancados.[1]
De acordo com a análise, o aumento do custo financeiro, somado a insumos ainda caros e à pressão sobre preços agrícolas em algumas culturas, reduziu o fôlego de caixa de muitos produtores.[1][2] A combinação de safra com rentabilidade menor e compromissos assumidos em anos anteriores criou um descompasso entre receita e serviço da dívida.
O movimento de alta ocorre em um momento em que o crédito privado, via tradings, revendas e cooperativas, tem peso crescente no financiamento da safra, muitas vezes com prazos mais curtos e custos maiores que as linhas oficiais.
Por que importa para o agro
A elevação da inadimplência tende a deixar bancos e fornecedores mais seletivos na concessão de crédito, com exigência maior de garantias e histórico financeiro.[1] Na prática, produtores com estrutura de gestão frágil e fluxo de caixa irregular podem enfrentar cortes de limite, juros mais altos e renegociações menos favoráveis.
Para a cadeia como um todo, o risco aumenta em contratos de barter, vendas a prazo de insumos e operações entre empresas do agro.[2] Cooperativas, cerealistas e revendas passam a carregar mais risco de calote em carteira, o que pode apertar prazos, encarecer produtos e reduzir a oferta de financiamento direto ao produtor.
Dados e contexto
O dado de 8,2% de inadimplência no agronegócio em 2025 representa alta de 1 ponto percentual em relação ao final de 2024, segundo a Serasa Experian.[1][2]
Alguns fatores ajudam a explicar o cenário:
- Margens comprimidas em várias culturas, com custos de produção elevados e preços menos favoráveis em comparação a anos de pico.[1]
- Serviço da dívida mais pesado, com produtores carregando financiamentos de safras anteriores.
- Maior uso de crédito comercial, via fornecedores e tradings, aumentando a exposição ao risco de curto prazo.
| Indicador (2025) | Situação apontada pela Serasa |
|---|---|
| Inadimplência no agro | **8,2%** no fim do ano |
| Variação anual | +1 ponto percentual vs. fim de 2024 |
No crédito rural oficial, os dados do Banco Central e do MAPA mostram que, apesar de a carteira seguir crescente em volume, há aumento de renegociações em algumas praças, especialmente em regiões afetadas por clima adverso e queda de produtividade.
O que observar daqui pra frente
Produtores e empresas do agro precisam reforçar gestão de caixa, planejamento de safra e controle de endividamento para atravessar um ambiente de crédito mais seletivo. Vale monitorar a evolução da inadimplência em 2026, eventuais programas de renegociação, mudanças em juros e a disposição de bancos, cooperativas de crédito e tradings em manter limites, pois isso pode definir quem terá capital para investir e quem ficará travado apenas tentando rolar dívidas.[1][2]
Fontes
Continue lendo
Fazenda autoriza equalização de juros no Plano Safra 2026/27
CMN definiu as taxas equalizadas do crédito rural para a safra 2026/27, com foco em investimento, sustentabilidade e maior focalização do público atendido.
CNA leva sucessão familiar e plano de clima ao Congresso da Sober
CNA defende políticas para sucessão rural e plano nacional de clima em congresso da Sober, conectando juventude no campo e financiamento verde para o agro.
Reforma tributária pode elevar em 414% a carga de transportadoras do agro
Estudo aponta forte alta tributária para transportadoras do agro com a CBS, o que pode pressionar fretes e custos logísticos no campo.